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Baixa procura por vacinas eleva risco de doenças evitáveis em Belém

Mesmo com vacinas disponíveis gratuitamente na rede municipal, a procura pelas salas de vacinação segue baixa na capital, o que aumenta o risco de ...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Belém
20/01/2026 às 18h23
Baixa procura por vacinas eleva risco de doenças evitáveis em Belém
Crédito: Juliana Rosa/Ascom Sesma

Belém enfrenta um desafio silencioso na saúde pública.Apesar da oferta regular de vacinas nas unidades básicas de saúde, a adesão da população permanece abaixo do necessário para garantir a proteção coletiva. A situação acompanha uma tendência nacional de queda na cobertura vacinal, mas apresenta reflexos diretos no cenário local, com impacto sobre crianças, adolescentes, idosos e famílias inteiras.

A vacinação segue como uma das principais ferramentas de prevenção de doenças graves. Além de reduzir internações e óbitos, ela impede a circulação de vírus e bactérias que podem causar surtos. Quando a cobertura diminui, essa barreira de proteção enfraquece e expõe toda a população a riscos evitáveis.

A coordenadora do Programa de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), Cleise Soares, ressalta que a redução da cobertura vacinal está diretamente relacionada ao histórico de sucesso da vacinação no país, que, ao longo dos anos, possibilitou a erradicação e o controle de diversas doenças.

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“A baixa procura, entre outras coisas,deve-se bastante a baixa percepção de risco da doença,bem como à dúvida que hoje paira acerca da efetividade das vacinas, devido a grande disseminação de notícias falsas acerca do assunto.”

Influenza lidera a baixa adesão

Entre os imunizantes com menor cobertura em Belém,a vacina contra a influenza apresenta o cenário mais preocupante, com apenas 12,60% de cobertura. A campanha, iniciada no dia 3 de novembro de 2025, segue até 28 de fevereiro e é direcionada exclusivamente aos grupos prioritários, como crianças de 6 meses a 6 anos, idosos e gestantes.

A baixa adesão preocupa por atingir públicos mais suscetíveis às formas graves da doença, que concentram maior risco de internações, complicações e óbitos por influenza. Mesmo com a vacina disponível durante todo o período da campanha, a procura segue abaixo do esperado.

A baixa cobertura vacinal contra a influenza ocorre em todo o Brasil. No entanto, na região Norte, a campanha começou em novembro, em função das condições climáticas, enquanto nas demais regiões se iniciou em março. Por esse motivo, os índices da região Norte tendem a aparecer abaixo dos registrados em outras partes do país, o que exige atenção permanente e reforço das estratégias de mobilização da população.

Crédito: Juliana Rosa/Ascom Sesma
Crédito: Juliana Rosa/Ascom Sesma

Vacina contra a dengue pede maior adesão

Outro ponto de atenção éa vacina contra a dengue, queregistra somente 15,65% de cobertura em Belém. A aplicação do imunizante começou no fim do ano de 2025, o que contribui para os índices ainda baixos neste primeiro momento. Ainda assim,a baixa adesão preocupa por se tratar de uma estratégia fundamental de prevenção em um município com histórico de circulação da doença.

A vacina está disponível exclusivamente para a faixa etária de 10 a 14 anos, grupo que concentra o maior número de hospitalizações por dengue após os idosos. Como o imunizante não foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas acima de 60 anos, a proteção desse público torna-se ainda mais estratégica para reduzir casos graves.

Além da influenza e da dengue, outras vacinas essenciais apresentam cobertura abaixo do recomendado em Belém.A meningo ACWY registra 53,23% de cobertura, a HPV4 alcança 56,92% e a poliomielite injetável (VIP) soma 58,21%.

A baixa adesão preocupa por se tratarem de vacinas que previnem doenças graves, algumas com potencial de causar sequelas permanentes ou paralisias.Embora algumas dessas enfermidades estejam controladas ou erradicadas no Brasil, a queda na vacinação mantém o risco de reintrodução de doenças já erradicadas como sarampo, rubéola, coqueluche e poliomielite.

Crianças são as mais impactadas

O público infantil é o mais impactadopela hesitação vacinal. Quando pais ou responsáveis não acreditam nas vacinas ou são contrários à imunização, as crianças deixam de ser levadas às unidades de saúde. Esse cenário é especialmente preocupante, pois a infância é o período de maior vulnerabilidade às doenças imunopreveníveis.

Exatamente por isso, a maioria das vacinas do calendário nacional é destinada às crianças. A proteção desse grupo depende diretamente da decisão dos adultos responsáveis, o que torna a informação correta e o diálogo fundamentais, afirma Cleise Soares.

Crédito: Juliana Rosa/Ascom Sesma
Crédito: Juliana Rosa/Ascom Sesma

A coordenadora do Programa de Imunizações da Sesma alerta que a circulação de mitos e informações falsas tem impacto direto na decisão das famílias. Entre os exemplos mais comuns estão a falsa associação entre vacinas e o transtorno do espectro autista (TEA), já amplamente refutada por estudos científicos, inclusive no caso da vacina tríplice viral.

Outros mitos recorrentes incluem a ideia de que a vacina da gripe teria finalidade de controle populacional ou que a vacina contra a covid-19 não seria eficaz por ter sido desenvolvida em curto período. Especialistas reforçam que todas as vacinas passam por rigorosos testes de segurança e eficácia antes de serem disponibilizadas à população.

Inverno amazônico exige atenção redobrada

O período chuvoso, conhecido como inverno amazônico, favorece o aumento de doenças que podem ser prevenidas por vacinação e outras medidas de cuidado.Com mais chuvas, maior umidade e permanência prolongada das pessoas em ambientes fechados, cresce a circulação de vírus respiratórios e também de arboviroses, como dengue.

Nesse período, é comum o aumento de atendimentos e internações, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com comorbidades. Manter a vacinação em dia torna-se ainda mais importante para reduzir complicações, evitar sobrecarga dos serviços de saúde e proteger os grupos mais vulneráveis durante os meses de maior risco.

Rede preparada para acolher a população

Para ampliar a cobertura vacinal e alcançar quem ainda não procurou as salas de vacinação, a Sesma intensificou ações que aproximam o serviço de saúde da população. Uma das principais estratégias é abusca ativa realizada pelos agentes comunitários de saúde(ACSs), que percorrem os territórios, identificam pessoas com vacinas em atraso e orientam, de forma direta, sobre a importância de manter o calendário vacinal atualizado.

A presença dos ACSs nas comunidades fortalece a confiança, ajuda a esclarecer dúvidas e combate a desinformação que ainda afasta muitas famílias da vacinação. Além disso,todas as salas de vacinação do município seguem abastecidas e funcionam de segunda a sexta-feira, no horário de 8h às 12h e de 13h às 17h, com equipes preparadas para acolher a população e orientar sobre cada vacina.

Outro facilitador do acesso aos imunizantes é oPostão de Icoaraci, primeira unidade da rede a funcionar em horário estendido até as 22h, pensado especialmente para quem não consegue comparecer durante o horário convencional. A Sesma também promove ações de vacinação aos fins de semana e em horários diferenciados, reforçando o convite para que a população aproveite as oportunidades, procure a unidade mais próxima e mantenha a vacinação em dia.

Crédito: Juliana Rosa/Ascom Sesma
Crédito: Juliana Rosa/Ascom Sesma

Vacinar é proteger quem mais precisa

Vacinar-se é simples e rápido. Basta comparecer a qualquer sala de vacinação dentro do horário de funcionamento, levando a caderneta vacinal ou um documento de identificação. Quem perdeu o cartão pode procurar a unidade onde realizou as vacinas anteriormente para solicitar a segunda via ou dirigir-se à Coordenação de Imunizações da Sesma. Também é possível solicitar um novo cartão no momento da vacinação.

A vacinação é um ato de responsabilidade coletiva e de cuidado com quem se ama. Manter a caderneta atualizada protege a própria pessoa, a família e, principalmente, aqueles que não podem receber vacinas por idade ou contraindicação. Cada dose aplicada fortalece a proteção coletiva, reduz o risco de surtos e contribui para um futuro mais seguro para toda a população de Belém.

Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima e mantenha sua vacinação em dia.

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