
Exatamente um ano depois do colapso que chocou o país, a nova Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, conhecida como Ponte JK, será oficialmente inaugurada nesta segunda-feira, 22 de dezembro. A cerimônia acontece às 11h, de forma simultânea nas cidades de Aguiarnópolis, no Tocantins, e Estreito, no Maranhão, marcando um momento histórico de reconstrução e retomada da mobilidade regional.
O evento contará com a presença do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, além dos ministros dos Transportes, Renan Filho, e do Esporte, André Fufuca. A solenidade também simboliza a resposta rápida do Governo Federal diante de um desastre de grandes proporções que interrompeu uma das principais ligações rodoviárias do país.
Erguida sobre o Rio Tocantins, na BR-226, a nova estrutura é considerada um marco da engenharia nacional. Com investimento federal de R$ 171,97 milhões, a obra foi executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e projetada para oferecer maior robustez, durabilidade e segurança em relação à antiga ponte.
A Ponte JK possui 630 metros de extensão e 19 metros de largura, superando a estrutura anterior, que tinha 533 metros. Um dos principais avanços está no vão livre central, agora com 154 metros, ampliando a segurança tanto para o tráfego rodoviário quanto para a navegação no rio.
A travessia conta com duas faixas de rolamento de 3,6 metros cada, acostamentos de 3 metros nos dois lados, barreiras de proteção do tipo “New Jersey” e passeios laterais para pedestres com guarda-corpo. O projeto foi pensado para atender às demandas atuais e futuras do transporte de cargas e passageiros, modernizando um ponto estratégico da malha rodoviária brasileira.
A inauguração acontece exatamente na data que marca um ano do desabamento da antiga ponte, ocorrido em 22 de dezembro de 2024. O episódio deixou marcas profundas na região e permanece vivo na memória coletiva das comunidades afetadas.
A tragédia resultou em 14 mortes confirmadas e mobilizou uma extensa operação de busca e resgate, realizada pela Marinha do Brasil e pelos corpos de bombeiros estaduais. Três vítimas nunca foram localizadas, o que mantém famílias convivendo com a dor da ausência.
A nova ponte surge, para muitos moradores, como um símbolo de luto e, ao mesmo tempo, de superação. Mais do que uma obra de infraestrutura, ela se torna um marco de memória, reforçando a importância da manutenção preventiva e do acompanhamento técnico permanente das estruturas públicas.
Relatórios do próprio DNIT, ainda em 2020, já apontavam problemas estruturais na ponte antiga, que chegou a ser classificada com nota 2 em uma escala de risco. Em fevereiro de 2025, os destroços foram implodidos para dar início à nova construção, agora concluída.
A Ponte JK é peça-chave da BR-226, conectada à BR-010, formando parte do eixo da histórica Rodovia Belém-Brasília. Por esse corredor logístico escoa grande parte da produção agrícola, especialmente soja, proveniente do sul do Maranhão, leste do Pará e norte do Tocantins, com destino aos portos.
Antes do colapso, cerca de 2.100 caminhões cruzavam diariamente a ponte. Com a interrupção, a economia local e regional sofreu impactos significativos. Para minimizar os prejuízos, o DNIT implantou um sistema gratuito de travessia por balsas, com quatro pontos de acesso, dois em cada margem do rio.
Também foram estabelecidas rotas alternativas: uma de 191 quilômetros, passando por municípios do Tocantins até Imperatriz (MA), e outra de 125 quilômetros, entre Estreito e Imperatriz via Porto Franco. Apesar de funcionais, os desvios sobrecarregaram rodovias locais e trouxeram transtornos às comunidades.
Com a entrega da nova Ponte JK, o fluxo normal é restabelecido, reacendendo a expectativa de crescimento econômico, melhoria logística e maior segurança viária para uma das regiões mais estratégicas do Brasil.