
A capital paraense deu início à construção de um plano municipal de adaptação climática na área da saúde, alinhado às diretrizes do Ministério da Saúde e ao contexto dopós-COP30. A iniciativa representa um passo estratégico parapreparar o sistema de saúdefrente aos impactos cada vez mais intensos dasmudanças climáticas na região amazônica.
Desde 2009, o Ministério da Saúde vem incorporando apauta climática às políticas públicas de saúde, reconhecendo que eventos extremos — como ondas de calor, enchentes, secas prolongadas e alterações no regime de chuvas — influenciam diretamente operfil epidemiológico da população, ampliando a incidência dedoenças infecciosas, respiratórias, cardiovasculares e outros agravosrelacionados aomeio ambiente. Ao longo dos anos, esse debate evoluiu de ações focadas predominantemente na mitigação para a necessidade deestratégias estruturadas de adaptação, especialmente nos territórios mais vulneráveis.
Segundo o superintendente do Ministério da Saúde no Pará,Del Viana, o avanço dessa agenda é uma construção de longo prazo dentro da pasta. “O Ministério da Saúde vem, há bastante tempo, buscando avançar nessa pauta. A COP-30 foi fundamental para recolocar esse debate em evidência, especialmente sobre a necessidade de olhar com mais atenção para aspopulações mais vulneráveiseantecipar ações de prevenção”, destacou.

A secretária de Estado de Saúde,Ivete Vaz, também ressaltou a importância da iniciativa municipal e parabenizou a Prefeitura de Belém por dar início ao processo de construção do plano. “Belém, como capital do Estado, sai na frente e dá um passo importante. Isso nos orgulha e fortalece uma atuação cada vez mais integrada entre Estado, municípios e o SUS”, afirmou.
Para o secretário municipal de Saúde,Dr. Rômulo Nina, a construção do plano precisa partir do diálogo direto com quem vive nosterritórios mais impactadospelas mudanças climáticas. “As comunidades mais vulneráveis, comopovos originários, quilombolas e ribeirinhos, terão escuta garantida nesse processo. É ouvindo essas populações que vamos qualificar nossas ações e acertar cada vez mais nas estratégias de prevenção”, ressaltou.
No Norte do país, onde os efeitos das mudanças climáticas são sentidos de forma mais intensa, o Ministério da Saúde passou a estimular estados e municípios a desenvolveremplanos próprios de adaptação climáticaem saúde, considerando asespecificidades regionais, sociais e ambientais. A proposta éfortalecer a capacidade de resposta dos sistemas locais de saúde, antecipando riscos, qualificando a vigilância e reduzindo impactos sobre a população.
É nesse contexto que Belém avança com oAdaptaSUS, umaestratégia que integra saúde, meio ambiente e planejamento urbano. Nesta fase inicial, o município realizou uma primeira reunião de apresentação e articulação, reunindo autoridades locais e representantes de municípios vizinhos, com o objetivo de iniciar umprocesso conjunto de construçãodas diretrizes de adaptação climática em saúde.
A Vigilância em Saúde tem papel central na construção do AdaptaSUS Belém, reunindo ações de vigilância sanitária, ambiental e epidemiológica paraidentificar riscos, monitorar impactos e orientar decisões estratégicas. O plano considera cenários como inundações, ondas de calor, estiagem e poluição atmosférica, além das consequências diretas desses eventos no aumento de arboviroses, doenças respiratórias, agravos cardiovasculares e problemas de saúde mental, especialmente em áreas e populações mais vulneráveis

O encontro marcou okick-offdo AdaptaSUS em Belém, estabelecendo um espaço de diálogo interinstitucional para discutir como as mudanças climáticas já impactam o território e quais ações precisam ser pensadas de forma integrada, preventiva e baseada em evidências. Embora ainda não se trate de um plano finalizado, o início desse processo representa um avanço estratégico para a capital paraense no cenário pós-COP30, quando os compromissos assumidos no debate climático global passam a sematerializar em ações concretas nos territórios.
A reunião também contou com a presença de diversas autoridades e representantes ligados à área da saúde, universidades, gestores e diretores de equipamentos de saúde de Belém, reforçando que a construção do plano de adaptação climática em saúde é um processo coletivo, que envolve poder público, academia e sociedade civil.
Representando a participação social e o controle social do SUS, estiveram na composição da mesaOswaldo Carvalho, presidente do Conselho Municipal de Saúde, e aenfermeira Daniele, presidente do Conselho Estadual de Saúde, destacando a importância da escuta popular e da construção compartilhada das estratégias de prevenção e cuidado frente aos desafios climáticos.
