
Alunos da Escola Estadual Honorato Filgueiras, do distrito de Mosqueiro, em Belém, colocaram em pauta a importância de falar sobre feminicídio nas escolas. A temática ocorreu através de uma peça teatral em que relembraram o caso Eloá Cristina, que chocou o país em 2008. A apresentação dos estudantes ocorreu na manhã desta quarta-feira (29), no hall de entrada do próprio colégio.

Segundo o Monitor de Violência do G1, os crimes de feminicídios aumentaram e a cada seis horas uma mulher é vítima no país. “O feminicídio vem crescendo e isso me espanta, ver todos os dias mulheres sendo vítimas. Daí surgiu a ideia de chamar a atenção dos alunos para discutir o tema através da peça”, disse a professora, que parabenizou a dedicação e a forma como os alunos se envolveram na discussão.

A peça e os discursos sobre a temática foram feitos aos olhos atentos de todas as turmas do colégio, do turno da manhã, que também tiveram suas participações. Eduarda Reis, aluna que viveu o firme papel da promotora do caso, Daniela Hashimoto, e que tem a psicologia como um dos cursos que prestará vestibular, disse que a discussão do caso entre os alunos têm efeito diferente.
“Quando eles (alunos) veem um colega de classe, uma pessoa que é da idade deles e com certo grau de proximidade, também adolescente, eles ficam mais aptos a querer saber o que é o feminicídio e a importância de combater esse crime. Então é importante que os professores e alunos enfatizem isso dentro das escolas e sou muito grata em saber que fiz parte desta discussão e que contribui para a reflexão sobre o tema”, disse a aluna.


“A família é algo universal e todos os membros precisam usufruir dos mesmos benefícios, porque isso é importante para os filhos e para a mulher e tornará o ambiente mais feliz. Somente em um lar em que o respeito e tolerância existem, os filhos homens vão crescer respeitando as mulheres, porque mulher não é objeto. Mulher não é algo que você usa. Mulher não é descartável. Muita gente tem um olhar distorcido em relação à mulher e a gente espera que quem esteve presente tenha entendido a mensagem da peça e que possam aplicar isso em suas vidas para se tornarem pessoas melhores e mais reflexivas”, concluiu Ygor, que pretende fazer vestibular para biomedicina e biotecnologia.