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PARÁ AGROPECUÁRIA

Adepará e entidades da cadeia pecuária discutem retirada da vacina contra aftosa

Avanços e desafios foram discutidos durante o V Fórum de Vigilância para a Febre Aftosa realizado na Faepa, em Belém.

08/11/2022 às 14h41
Por: Redação Fonte: Agência Pará
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Foto: Marcelo Seabra/Ag. Pará
Foto: Marcelo Seabra/Ag. Pará

Em 2023, mais de 100 milhões de animais do rebanho brasileiro não serão mais  vacinados contra a febre aftosa. É que seis 6 Estados da Federação (Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Tocantins) e mais o Distrito Federal (DF) evoluíram nas medidas sanitárias e foram considerados zonas livres da febre aftosa sem vacinação, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O Pará é um dos Estados da região Norte que pleiteiam a retirada da vacina, junto com o Amapá, Amazonas e Roraima. O Pará integra o Bloco II do Plano Estratégico Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) e tem realizado esforços no sentido de também obter o reconhecimento de zona livre.

Com mais de 25 milhões de cabeças de gado (25.393,591 milhões), o Pará tem o terceiro maior rebanho do País e, desde 2018, é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como ‘Estado livre de febre aftosa com vacinação'.

Pelo que representa para a pecuária nacional, o Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) e instituições parceiras, tem atuado em conjunto com o Mapa para substituir gradualmente a vacinação por outras medidas sanitárias de controle da doença, mas isso depende do aprimoramento dos mecanismos de vigilância e o fortalecimento do sistema de prevenção e detecção precoce da aftosa.

O assunto foi tema central do V Fórum de Vigilância para a Febre Aftosa, realizado na segunda-feira (7), no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), pela equipe gestora do Plano Estratégico Estadual de Erradicação da Febre Aftosa (EGE-PA), formada por diversas instituições do setor público e da iniciativa privada.

As ações do plano estratégico 2017-2026, que prevê a retirada da vacina no Pará, e os desafios para a vigilância sanitária do serviço veterinário oficial foram abordados em três palestras e uma mesa redonda com a participação de exportadores de gado.

Para o diretor geral da Adepará, médico veterinário Jamir Macedo, “o Plano Estratégico é muito bonito na sua construção porque ele exige um diálogo transversal entre várias instituições, onde cada instituição dialoga para que haja um avanço das ações e uma perspectiva de retirada da vacina“.

O diretor ressaltou os números da última etapa de vacinação ocorrida, em maio, no Pará, quando o Estado obteve índice de cobertura vacinal histórico, acima de 98%. “Nós alcançamos um índice nunca antes atingido, o que  demonstra o trabalho realizado pela Adepará e a conscientização do produtor rural que adquire a vacina e imuniza o seu rebanho e também demonstra toda ação conjunta realizada pelas instituições parceiras que apoiam e estão diretamente relacionadas à produção agropecuária”.

O evento, na Faepa,  contou com a participação do diretor do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Geraldo Marcos. Na palestra “Situação da Febre Aftosa e os avanços do Plano Estratégico PNEFA no Brasil”. ele detalhou o cenário da doença no país e como o Plano Estratégico Nacional vem evoluindo em blocos de estados.

Na palestra “Panorama atual das ações de implantação do plano estratégico 2017-2026 no Pará”, o gerente do Programa Estadual de Erradicação da Febre Aftosa da Adepará, Joylson Canto, destacou a  situação do Pará, um estado cem por cento livre de aftosa com vacinação.

O veterinário Márcio Petró, da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), compartilhou a experiência de Rondônia no processo de retirada da vacina, na palestra “Zona Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação: Desafios e Perspectivas”. Ele enfatizou a informação como instrumento vital para os produtores entenderem a responsabilidade que têm em um cenário de febre aftosa sem vacinação.

“As ações devem ser compartilhadas com o principal ator do processo, que é o produtor rural. São eles que têm de abreviar esse tempo para que a intervenção numa possível suspeita ocorra de forma mais rápida, dentro desse cenário de febre aftosa sem vacinação. O Estado tem um poder limitado nessa vigilância e, por isso, tem de estar levando cada vez mais informações aos produtores para que eles entendam a responsabilidade nessa parte que lhes cabe”, alertou. 

O Fórum contou com a parceria da Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adepará), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca (Sedap), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater), Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Conselho Regional de Medicina Veterinária do Pará (CRMV/PA) e Associação de Criadores do Pará (Acripará).

Também foi possível acompanhar o evento ao vivo pelo canal do YouTube, o que mobilizou mais de cem pessoas de forma remota. Os participantes destacaram a importância do Fórum para o andamento do plano estratégico nacional e a situação do Pará, frente o cenário futuro de status sanitário e perspectivas de ampliação de mercados.

“Nós já somos livres da febre aftosa, mas com vacinação. Vamos discutir agora a possibilidade da suspensão da vacina. Se conseguirmos esse objetivo, isso vai trazer uma economia de mais de 200 milhões de reais por ano e nós vamos atender no mercado internacional algumas nações que não importam carne de países que ainda utilizam a vacina da febre aftosa”, afirmou o presidente da Faepa, Carlos Xavier.

O superintendente federal de Agricultura no Pará (SFA/PA - Mapa), Jesus Sena, ressaltou a parceria dos setores relacionados à produção pecuária no estado para alcançar a condição de livre de febre aftosa sem vacinação.”Essa parceria é demonstrada no Fórum, onde se mostram os resultados dos trabalhos conjuntos para atender a todos os pré-requisitos para a suspensão da vacina contra a febre aftosa, melhoria da vigilância e fortalecimento do Serviço Oficial de Saúde Animal. Por isso, a participação forte e ativa dos produtores e trabalhadores rurais, além de todos os demais segmentos, para juntos promover o crescimento da pecuária paraense”,destacou.

Qualidade

Em maio de 2018, o Pará deu um passo importante na garantia da qualidade da carne paraense e na eficácia da preservação da sanidade dos animais, quando o Estado recebeu o reconhecimento internacional de área 100% livre da febre aftosa, durante a programação da 86ª Assembleia Geral da OIE, em Paris, na França. A entrega ocorreu em conjunto com outros Estados brasileiros que também alcançaram a certificação, como Amapá, Amazonas e Roraima.

PNEFA

Idealizado para ser executado em um período de 10 anos, de 2017 a 2026, o Plano Estratégico do Programa Nacional de Febre Aftosa (PNEFA) objetiva criar e manter condições sustentáveis para garantir o status de país livre de aftosa e ampliar as zonas de status ‘livre da doença sem vacinação’. Para realizar a transição desses status sanitários, foram considerados critérios técnicos e estratégicos. A união de esforços públicos e privados, a infraestrutura dos serviços veterinários e os fundamentos técnicos são a base para a conquista. O objetivo agora é que o Brasil possa retirar a vacinação contra a febre aftosa de todos os estados brasileiros.

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