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Deputados defendem mais recursos federais para Samu em debate na Comissão de Orçamento
Billy Boss/Câmara dos Deputados Deputada Leandre: sem ampliação do financiamento, o Samu pode parar Deputados defenderam nesta terça-feira (28), ...
28/06/2022 19h30
Por: Redação Fonte: Agência Câmara de Notícias
Deputada Leandre: sem ampliação do financiamento, o Samu pode parar - (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)

Deputados defenderam nesta terça-feira (28), em audiência pública, o reajuste dos repasses do governo federal para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), programa que presta socorro à população em casos de emergência.

Na avaliação dos parlamentares, sem reforço na dotação orçamentária, o serviço corre o risco de paralisação em todo o País.

“Se nós não fizermos a ampliação de financiamento para o Samu, esse serviço vai parar. Não tem mais aonde os municípios buscarem recurso livres”, disse a deputada Leandre (PSD-PR), que propôs o debate na Comissão Mista de Orçamento.

Atualmente, o Samu é financiado pela União, estados e municípios, de forma tripartite. A União entra com a maior parte (50%, conforme uma portaria do Ministério da Saúde). Mas, devido à falta de reajuste nos repasses (o último ocorreu em 2013), a participação dos estados e municípios no custeio do serviço subiu nos últimos anos. A crise no financiamento foi agravada com a pandemia.

A deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) também cobrou mais recursos para o Samu. Ela afirmou que o serviço precisa de renovação da frota de ambulâncias. A atual tem em média sete anos de uso, conforme dados do Ministério da Saúde.

“Não dá para a gente imaginar 2023 com o orçamento deste ano e apenas a correção do IPCA”, disse Zanotto, que foi acompanhada pelo deputado Paulo Guedes (PT-MG).

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Lilian Barreto disse que governo está fazendo estudos para ampliar repasses ao Samu - (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)

Estudo econômico
A representante do Ministério da Saúde no debate, Lilian Barreto, admitiu que os valores precisam de reajuste. “A nossa dotação tem acompanhado de forma muito tímida, posso reconhecer, a expansão do programa no País”, disse ela, responsável pela Coordenação-Geral de Urgência do ministério.

Ela adiantou aos deputados que a pasta vem realizando um estudo econômico sobre os custos do serviço e o impacto orçamentário da ampliação do valor. A deputada Leandre pediu pressa na conclusão do estudo, para que ele possa subsidiar a discussão da proposta orçamentária, que chega ao Congresso Nacional em agosto.

Insumos médicos
Também presente à audiência pública, a coordenadora do consórcio responsável pela gestão do Samu 192 no sudoeste do Paraná (Ciruspar), Kelly Custódio dos Santos, afirmou que, além da defasagem dos repasses do governo, o Samu foi impactado pelo aumento dos custos dos insumos médicos.

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Segundo ela, sem aumento nos repasses da União, poderá haver descontinuidade no programa. “Não sabemos até quando os municípios vão arcar com os custos. O que a gente vê Brasil afora é uma descaracterização do Samu. Está sendo descaracterizado pela questão do custeio”, disse Santos.

Kelly dos Santos: repasses defasados e insumos médicos mais caros - (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)

O custeio do Samu 192 acumula uma defasagem de quase 60%, segundo Santos, valor que reflete a inflação acumulada desde 2014. O valor repassado pela União para cerca de 1,5 mil municípios equivale a apenas R$ 6,81 por pessoa/ano. Para este ano, o orçamento total destinado ao programa é de R$ 1,22 bilhão, um aumento nominal de 1,5% em relação a 2021.

No total, o serviço alcança 3,8 mil munícipios. O Samu conta com 3,6 mil ambulâncias, entre básicas e avançadas, além de 'motolâncias', 'ambulanchas' e socorro aeromédico.