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Diretor do Dieese critica prática de preço internacional de combustíveis em audiência sobre venda de refinaria de Manaus
Billy Boss/Câmara dos Deputados Segundo governo, venda promove livre concorrência O analista do Departamento Intersindical de Estatística e Estud...
21/06/2022 09h50
Por: Redação Fonte: Agência Câmara de Notícias
Segundo governo, venda promove livre concorrência - (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)

O analista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cloviomar Cararini, afirmou, em audiência pública da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados, que o País não precisa praticar os preços do mercado externo de petróleo por ser grande produtor e não depender da importação.

Na avaliação dele, os problemas da Petrobras vêm da política implementada desde o governo Michel Temer, com a privatização gradual da empresa e a cobrança de preços internacionais ao consumidor brasileiro.

“O Brasil está aqui em décimo lugar como maior produtor de petróleo do mundo, dados de 2021. O Brasil tem o nono maior mercado consumidor de derivados e também o nono parque de refino do mundo. Ou seja, não é um país qualquer. Então não faz sentido a gente praticar preços internacionais”, afirmou.

O debate na comissão teve como foco o impacto da venda da Refinaria de Manaus (Reman) no preço dos derivados de petróleo e na economia da região. Para o autor do pedido para a realização da audiência, deputado José Ricardo (PT-AM), além da perda de impostos para o estado, a venda da refinaria pode provocar desabastecimento e aumento do preço dos combustíveis.

Para ele, é preciso compreender a lógica da venda da refinaria e analisar as consequências. “A questão do preço dos combustíveis é algo muito caro para a população. Precisamos compreender como isso [a venda da refinaria] pode incidir para aumentar mais ainda os preços.  A Petrobras parece que não quer ouvir ninguém nesse País, toda semana querendo aumentar o preço do combustível”, afirmou.

Política energética
O coordenador-geral de Acompanhamento do Mercado do Ministério das Minas e Energia, Deivson Timbó, afirmou que a venda de refinarias vem ao encontro da política energética nacional, implementado em 2016 no governo do presidente Michel Temer.

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Timbó explica que a intenção é promover a livre concorrência, garantir o abastecimento e preservar os interesses do consumidor. "Quanto maior for a competição no fornecimento primário de derivados de petróleo, mais benefícios ao consumidor quanto a preço, qualidade e oferta de produto.”

O deputado José Ricardo acredita, no entanto, que a venda da refinaria vai produzir um monopólio privado na região. O parlamentar contestou o argumento de aumento da concorrência, tendo em vista que a Usina de Manaus é a única num raio de 5 mil quilômetros. “Eu só não entendi como é que vai ter concorrência se só temos uma refinaria lá na região Norte”, criticou.

Preços maiores
A pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), Carla Ferreira, citou o exemplo da Bahia, onde a privatização da refinaria de Rlam, em março de 2021, ocasionou aumento de preços nas bombas de combustíveis do Estado.

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“Há uma diferença de preço médio da venda do óleo diesel na Bahia de 5% em relação à média nacional. Então, a gente observa que, ao contrário do argumento de que a venda traria essa concorrência e redução de preços, houve aumento nos preços médio nos postos de gasolina na Bahia.”

A refinaria de Manaus, Isaac Sabbá, foi vendida em agosto de 2021. Mas a venda ainda não foi definitivamente concluída porque a Federação Única dos Petroleiros recorreu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).