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Laboratórios no Parque de Ciência e Tecnologia impulsionam a inovação industrial na Amazônia
Parceria entre pesquisadores e setor privado transforma estudos científicos sobre produtos regionais em novos negócios
22/10/2026 16h30
Por: Redação Fonte: Secom Pará

No Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá estão instalados laboratórios que formam uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que fomenta a inovação no setor industrial do País.

O Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (Cvacba), o Laboratório de Óleos da Amazônia (Loa) e o Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, Automação e Eletrônica, o Lasse, da Universidade Federal do Pará (UFPA), são residentes do PCT Guamá e atuam na Unidade Embrapii UFPA Bioeconomia, em Belém.

A infraestrutura tecnológica e a capacidade humana dos laboratórios residentes do PCT contribuíram para o credenciamento da unidade, destaca João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá, gestora do Parque. “A Embrapii é uma ação estratégica do governo federal para o fomento, inovação, integrando laboratórios que fazem entregas para empresas. Quando a gente tem no PCT laboratórios que fazem parte de uma unidade, é um excelente selo, tanto quanto, por exemplo, nós termos laboratórios que lideram projetos nacionais”, afirma.

O coordenador da unidade, Hervé Rogez, explica que, na prática, as empresas passam a contar com o co-financiamento de projetos em parceria com o governo federal. “Isso é importante porque a função dos laboratórios do parque, ao contrário dos laboratórios que estão dentro de uma universidade, é que eles têm que inovar, a gente espera que esses laboratórios interajam com o setor privado”, afirma.

A unidade atua no desenvolvimento sustentável da fruticultura na Amazônia, a partir de demandas do setor privado centradas nas cadeias produtivas. As iniciativas contemplam desde ações voltadas aos agricultores até inovações em processos industriais e produtos para o aproveitamento integral de frutas amazônicas, da polpa aos resíduos.

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Transformação de ideias em casos de sucesso

No PCT Guamá, os laboratórios da Embrapii UFPA Bioeconomia, conectam ciência e mercado por meio de projetos financiados com recursos não reembolsáveis, priorizando iniciativas que conciliam viabilidade econômica e responsabilidade ambiental. Segundo Hervé Rogez, há cadeias produtivas, que já envolvem mais de cem trabalhadores. O fortalecimento dessas atividades pode contribuir para a consolidação de negócios.

Outro diferencial é a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de tecnologias desde as etapas iniciais até a preparação para a entrada no mercado. Esse processo considera os níveis de maturidade tecnológica, conhecidos pela sigla TRL (Technology Readiness Level). Na unidade, os projetos podem avançar do TRL 2 ao TRL 5, passando da concepção de ideias à validação de soluções. “A unidade Embrapii representa ter um trabalho concreto, palpável de transformação de ideias em casos de sucesso que vão entrar no mercado”, afirma Hervé.

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Em dois anos de operação no PCT Guamá, a unidade reúne projetos voltados à agregação de valor econômico e socioambiental. Uma das iniciativas, por exemplo, busca promover o tratamento e a valorização de resíduos, gerando benefícios para as famílias que abastecem a indústria.

Hervé Rogez, coordenador da unidade Embrapii

“Nós temos uma empresa que busca identificar de forma rápida a qualidade de frutos em relação ao teor em compostos bioativos. Na laranja a gente sabe que a vitamina C flutua bastante, em todas as frutas você tem essas flutuações. Para uma empresa é um desafio fazer um produto relativamente padronizado se ela não souber antes de despolpar, de processar, qual o teor em compostos bioativos dessas frutas, então a gente desenvolveu um sistema rápido para fazer isso”, explica Hervé.

Outro exemplo é um projeto voltado à gestão de resíduos, com o desenvolvimento de um sistema de rastreabilidade capaz de acompanhar, em tempo real, o percurso do campo até a indústria. A solução busca superar desafios logísticos e de conectividade em localidades da Amazônia. “A gente conseguiu desenvolver um sistema que permite garantir de ponta a ponta o trajeto e os horários principais até chegar à fábrica”, detalha Hervé.

Equipe técnica qualificada

A equipe da unidade é composta por 35 pesquisadores, a maioria vinculada aos laboratórios do Parque. O grupo também reúne colaboradores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e de instituições parceiras.

“A Embrapii não impõe trabalhar com a equipe que foi credenciada quando a unidade nasceu. Se eu recebo uma demanda compatível com as competências da unidade, mas um professor não é membro e vai ser chave para entregar a inovação, ele vai ser inserido na equipe”, reforça o coordenador.

A infraestrutura dos laboratórios instalados no PCT Guamá conta com tecnologias de ponta para análises. Para Leonardo Ramalho, pesquisador do Lasse, a participação em projetos vinculados à unidade representa uma oportunidade para o laboratório, pela possibilidade de captar recursos destinados ao desenvolvimento de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Os recursos disponibilizados, somados às contrapartidas das empresas, ampliam a capacidade financeira das iniciativas.

Leonardo Ramalho, pesquisador do Lasse

“Um exemplo dessa parceria é um projeto que busca desenvolver equipamentos de baixo custo para avaliar a qualidade de óleos extraídos de frutos amazônicos, especialmente aqueles produzidos por comunidades locais. O objetivo é disponibilizar tecnologias acessíveis que permitam aos próprios produtores avaliar a qualidade de seus produtos”, compartilha o pesquisador.

O grupo de pesquisadores possui vasta experiência na colaboração com a indústria, especialmente nos setores de mineração, energia e agroindústria, atendendo a demandas variadas. Luiz Adriano, pesquisador do Loa, destaca a relevância da proximidade com o setor privado por meio da unidade.

“É mais oportunidade de negócios, de desenvolvimento de novos produtos dentro da Amazônia, a gente utiliza nossa expertise, conhecimento científico, técnico para novos projetos”, disse.

Conexões na região Norte

No Pará, a Embrapii credenciou a UFPA com a Unidade Bioeconomia, em Belém, que reúne laboratórios residentes do PCT Guamá, com investimento de R$ 9,6 milhões. Outra unidade credenciada é a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém. A atuação dessas estruturas amplia as oportunidades de parceria entre instituições de pesquisa e o setor produtivo.

Hervé destaca que as unidades da Embrapii na região Norte possuem competências complementares, com presença também em Manaus e em Palmas, no Tocantins. Segundo ele, unidades de outras regiões do país já atendem empresas do Norte por terem iniciado suas atividades anteriormente. No entanto, a expectativa é que esse cenário se modifique gradualmente, ampliando o número de empresas da região atendidas pelas unidades locais.

Em operação no ecossistema do PCT Guamá desde junho de 2024, a unidade tem metas a cumprir até julho de 2027, além de passar por avaliações. “Quem faz as avaliações são as empresas, quando elas recebem as entregas podem preencher um formulário de satisfação, se alcançamos o que elas estavam esperando. Somos muito bem avaliados pelo setor e isso é muito importante”, afirma Hervé.

Texto: Ascom PCT Guamá