POLÍTICA ELEIÇÕES 2026
Apagão de quase uma hora na divulgação dos votos provoca tensão durante apuração e TSE explica problema
Sistema ficou praticamente sem atualização por cerca de 50 minutos; Tribunal afirma que houve congestionamento de dados e que protocolos de segurança foram acionados
05/10/2026 13h58
Por: Redação
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A apuração do primeiro turno das eleições de 2026 enfrentou um problema técnico na noite deste domingo (4), quando o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) responsável pela divulgação dos resultados ficou praticamente sem atualização durante cerca de uma hora.

O episódio ocorreu justamente no momento em que milhões de brasileiros acompanhavam a evolução dos números da eleição presidencial. Por volta das 19h, a totalização nacional estava em aproximadamente 64% das seções, percentual que permaneceu praticamente parado durante o período de instabilidade. A atualização voltou a avançar por volta das 20h, quando os números chegaram à casa dos 84%.

A interrupção chamou atenção imediatamente e provocou uma onda de questionamentos nas redes sociais. O TSE, posteriormente, explicou que não se tratou de uma paralisação da votação nas urnas, mas de um congestionamento no fluxo de dados utilizado para processar e divulgar os resultados.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou o atraso e afirmou que a área de tecnologia da Corte identificou um volume de dados superior ao normalmente registrado.

Segundo o ministro, diante da situação, os protocolos de segurança foram acionados. A equipe técnica teria isolado temporariamente determinados sistemas para permitir o escoamento do fluxo de informações e, posteriormente, restabelecido a operação completa.

“O que ocorreu foi um congestionamento de dados”, explicou Nunes Marques, acrescentando que o volume recebido pelos sistemas ficou acima do normal.

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A explicação apresentada pelo Tribunal é que a prioridade, diante da ocorrência, foi preservar a segurança da estrutura tecnológica antes de acelerar novamente a divulgação dos números.

O episódio também trouxe à tona uma diferença importante no funcionamento da eleição: apuração, totalização e divulgação dos resultados não são exatamente a mesma coisa.

Depois do encerramento da votação, cada urna eletrônica contabiliza os votos registrados naquela seção e gera o Boletim de Urna (BU). Esse documento apresenta os votos destinados a cada candidato, além dos votos brancos, nulos e outras informações da seção.

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Posteriormente, os dados dos boletins são transmitidos para a Justiça Eleitoral. É nessa etapa que ocorre a totalização, processo no qual os resultados das diferentes seções são reunidos para formar os números municipais, estaduais e nacionais.

Por isso, segundo o TSE, o atraso observado na noite de domingo esteve relacionado ao processamento e à divulgação dos dados, e não a uma interrupção da votação realizada nas urnas.

A situação foi percebida principalmente por quem acompanhava o painel de resultados em tempo real.

Com a atualização praticamente estacionada nos 64%, os percentuais permaneceram sem avanço durante um período próximo de 50 minutos. Quando o sistema voltou a processar os dados normalmente, houve uma atualização significativa, levando a contagem para aproximadamente 84%.

O comportamento do sistema acabou gerando dúvidas entre eleitores, principalmente porque a disputa presidencial apresentava diferenças importantes entre os candidatos e qualquer alteração significativa na quantidade de urnas totalizadas poderia modificar os percentuais apresentados naquele momento.

O TSE, entretanto, afirmou que não identificou problema que comprometesse o processamento dos votos.

Durante o pronunciamento após a apuração, Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral manteve o controle da situação e que os protocolos técnicos foram utilizados justamente para garantir a segurança do processo.

O TSE informou ainda que a apuração e a totalização ocorreram normalmente, apesar do atraso pontual na divulgação dos resultados.

A Corte também ressaltou que os sistemas eleitorais passam por procedimentos de verificação e que a segurança dos dados é prioridade diante de qualquer intercorrência técnica.

Até o momento, não há informação oficial de que o problema tenha provocado alteração nos votos registrados nas urnas ou no resultado final da eleição. A explicação oficial permanece sendo a ocorrência de um congestionamento no fluxo de dados.

Um dos mecanismos que permitem acompanhar e conferir os resultados é o Boletim de Urna.

O TSE disponibiliza os dados de cada seção eleitoral e permite que o eleitor consulte as informações registradas individualmente. Nas Eleições 2026, a Justiça Eleitoral também disponibilizou o recurso Boletim na Mão, integrado ao e-Título, que permite a leitura do QR Code impresso no boletim de cada urna.

Dessa forma, é possível comparar os números registrados no boletim produzido pela urna com os dados posteriormente totalizados e divulgados pela Justiça Eleitoral.

O TSE também disponibiliza arquivos relacionados à votação e ao funcionamento das urnas, incluindo informações que podem ser utilizadas para conferência e auditoria dos dados eleitorais.

O episódio de 2026 também não é inédito na história recente das eleições brasileiras.

A própria Agência Brasil relembrou que, nas eleições municipais de 2020, o sistema do TSE também apresentou atraso na apuração. Naquele ano, o problema foi relacionado a uma falha no processador utilizado para a totalização dos votos.

A diferença é que, em 2026, o Tribunal atribuiu o episódio a um congestionamento provocado por um fluxo de dados acima do normal.

Apesar da instabilidade, a totalização continuou durante a noite. Às 23h41, o TSE já havia totalizado 499.226 das 499.248 seções eleitorais, equivalente a 99,99% das seções, segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil.

O episódio, portanto, não impediu a continuidade da apuração nem a conclusão da maior parte da totalização ainda no domingo.

Para o Tribunal, a ocorrência foi uma intercorrência técnica pontual. Para os eleitores, porém, o episódio reforça a importância de transparência sobre o funcionamento dos sistemas utilizados durante uma eleição, especialmente quando uma interrupção ocorre em meio à divulgação de uma disputa presidencial.

A Justiça Eleitoral afirmou que continuará trabalhando para que o segundo turno, marcado para 25 de outubro, transcorra com normalidade e segurança.

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