Em Canaã dos Carajás, uma árvore de grande porte vem ganhando cada vez mais espaço na memória, na paisagem e na identidade dos moradores. Conhecida popularmente como Barriguda, a sumaúma se tornou uma referência turística e ambiental do município, que completa 32 anos de emancipação política neste 5 de outubro.
Localizada na Avenida São João, a árvore também empresta seu nome ao cotidiano dos moradores. O endereço é conhecido por muitos como Rua da Barriguda, mostrando como a presença da sumaúma ultrapassou o aspecto ambiental e passou a fazer parte da própria geografia afetiva de Canaã.
A sumaúma (Ceiba pentandra) é uma espécie de grande porte encontrada naturalmente no Pará e em outras regiões da Amazônia. Segundo a Embrapa, pode atingir cerca de 50 metros de altura, apresenta copa ampla e possui importância ecológica, além de potencial para recuperação de áreas degradadas e ambientes fluviais.
Em Canaã, a árvore ganhou ainda um significado particular. Moradores e visitantes passaram a utilizá-la como ponto de referência e local para fotografias, especialmente em horários de maior movimento e durante o pôr do sol.
A advogada Deisy Resende, que vive há oito anos no município, conta que conheceu a árvore pouco depois de chegar à cidade e mantém até hoje uma relação de carinho com o local.
“Vim de Minas Gerais e, logo no primeiro mês em Canaã dos Carajás, fui apresentada à nossa samaúma. Conhecê-la e abraçá-la foi uma experiência única”, relata.
Além do valor simbólico, a Barriguda representa uma espécie com importância para o equilíbrio ambiental. A Embrapa aponta a Ceiba pentandra como espécie pioneira e registra sua ocorrência em ambientes amazônicos, inclusive no Pará.
A árvore também pode contribuir para a biodiversidade urbana ao oferecer abrigo e recursos para diferentes organismos. No caso da Barriguda de Canaã, a campanha local “Salve a Barriguda” destaca justamente a presença de aves e insetos polinizadores associados à árvore.
Outro benefício está relacionado à própria vegetação de grande porte em áreas urbanas: árvores contribuem para a formação de sombra, melhoria do conforto térmico e valorização da paisagem.
A Embrapa também registra o uso da sumaúma em projetos de restauração de ambientes fluviais e recuperação de ecossistemas degradados, reforçando sua importância ambiental.
O servidor municipal Silvio da Silva, morador de Canaã desde 1989 e que trabalha nas proximidades da árvore, afirma que acompanha a Barriguda diariamente.
“Não tem um dia de trabalho que eu não olhe para ela. Sempre vejo daqui da entrada da escola”, conta.
A preocupação com a preservação também motivou a criação da campanha “Salve a Barriguda”, proposta pela arquiteta e urbanista Nathalia Canedo e pelo técnico urbanista e ambiental Sandey Guimarães.
A mobilização envolveu abaixo-assinado, entrevistas com moradores, divulgação local e elaboração de um dossiê técnico. Entre as propostas está a busca pelo tombamento da árvore, além da criação de um possível espaço de memória e educação ambiental no entorno.
Para comerciantes que vivem no entorno, a Barriguda já funciona espontaneamente como um ponto turístico.
Lilene Pereira, proprietária do Restaurante Pereirinha, relata que visitantes costumam parar para fotografar a árvore, principalmente no início e no final do dia.
A valorização da sumaúma também abre espaço para iniciativas que aproximem turismo, educação ambiental e memória local, transformando um elemento natural da cidade em referência para moradores e visitantes.
A história da Barriguda mostra que uma árvore pode assumir diferentes significados para uma comunidade: pode ser ponto de referência, atração turística, espaço de convivência e, principalmente, um elemento de conexão entre a população e a natureza.
No aniversário de 32 anos de Canaã dos Carajás, a sumaúma aparece como parte dessa história — com raízes fincadas no território e na memória de quem vive na cidade.