A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (8). O ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa.
A decisão, de 33 páginas, também determina que a Corregedoria da PF apure possíveis responsabilidades criminais e administrativas relacionadas à produção de relatórios de inteligência que, segundo Mendonça, teriam monitorado ministros do Supremo e o advogado-geral da União.
O afastamento acontece em meio ao crescente embate entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, que envolve investigações relacionadas ao Banco Master e também às apurações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo a decisão, Mendonça questionou a origem e a validade de um relatório de inteligência divulgado por Moraes. O documento, segundo o próprio texto da decisão, não apresentava cabeçalho oficial nem assinatura e foi classificado pelo ministro como “apócrifo”.
Mendonça também afirmou haver indícios de monitoramento sistemático e coleta de informações sobre integrantes do STF e o advogado-geral da União. Na decisão, comparou o cenário à obra “1984”, de George Orwell.
A medida foi submetida à Segunda Turma do STF e, conforme o relato publicado nesta terça-feira, recebeu maioria favorável. O colegiado é formado por cinco ministros.
O caso aumenta a pressão sobre a relação entre o Supremo e a Polícia Federal e coloca a cúpula da corporação no centro de uma disputa institucional que já vinha se agravando nas últimas semanas.
O episódio ocorre depois de uma série de acusações e manifestações envolvendo Mendonça, Moraes, a PF e a Procuradoria-Geral da República. A crise ganhou força após a divulgação de documentos relacionados às investigações do Banco Master e às mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
O diretor-geral Andrei Rodrigues, por sua vez, teria demonstrado reação contrária à decisão. Em agosto, os 27 superintendentes da Polícia Federal haviam divulgado uma nota conjunta reafirmando confiança no comando da instituição.
A disputa agora ultrapassa o caso específico e expõe uma forte tensão entre integrantes do STF, a cúpula da Polícia Federal e órgãos responsáveis pelas investigações.
O afastamento e as investigações determinadas por Mendonça devem continuar provocando novos desdobramentos dentro do Supremo e podem ampliar ainda mais a crise institucional.