PARAUAPEBAS Insegurança
Tráfico e Ameaças no Mercado Municipal do Rio Verde Preocupam Comerciantes e Frequentadores em Parauapebas
Boletim de Ocorrência relata ameaça de morte a servidor público dentro do mercado; rondas policiais não têm sido suficientes para conter a criminalidade no local
31/08/2026 09h23
Por: Redação
Foto: Divulgação

PARAUAPEBAS (PA) — Um dos principais pontos comerciais e culturais de Parauapebas, o Mercado Municipal do Rio Verde, vive sob clima de insegurança. Localizado na região central da cidade, ao lado do PROSAP, o espaço que reúne feirantes, restaurantes e uma ampla variedade de comércios populares tem sido tomado, segundo relatos de frequentadores e um Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Civil, por usuários e supostos traficantes de drogas que atuam de forma aberta e recorrente no local.

O boletim de ocorrência

O caso está formalmente registrado na 20ª Seccional / 16ª RISP de Parauapebas, sob o número 00071/2026.106892-7, lavrado em 26 de agosto de 2026, às 13h14. O documento foi produzido por um servidor público municipal que atua no atendimento ao público dentro do mercado. O Portal Parazão Tem de Tudo optou por não identificá-lo, a fim de resguardar sua integridade.

Segundo o relato oficial, classificado pela autoridade policial como fato típico de ameaça, o servidor vem sendo alvo de intimidações por parte de um indivíduo conhecido no mercado pelos apelidos de "Loirinho" e "Magrão", apontado como pessoa que permaneceria diariamente no local comercializando entorpecentes — situação descrita no boletim como visível a todos os frequentadores do espaço.

De acordo com a narrativa registrada, o suspeito estaria convencido de que foi o servidor quem o denunciou à Polícia Militar, responsável por uma abordagem anterior. Por conta dessa suspeita, o funcionário passou a ser alvo direto de perseguição.

O documento relata que, no dia 25 de agosto, por volta das 10h30, "Loirinho" teria fotografado o servidor sem qualquer explicação, atitude não questionada no momento pela vítima. No dia seguinte, 26 de agosto, no mesmo horário, o suspeito teria retornado ao mercado acompanhado de mais três pessoas. Diante da tentativa do servidor de dialogar, "Loirinho" teria proferido ameaça direta de agressão com faca, chegando a declarar que iria golpeá-lo — sem, contudo, avançar fisicamente contra a vítima. A chegada da guarda municipal ao local teria feito com que o grupo se dispersasse.

Ainda segundo o relato, esse é o padrão de comportamento observado: sempre que agentes de segurança se aproximam, os envolvidos deixam o mercado, retornando pouco tempo depois para retomar as atividades, como se nenhuma ocorrência tivesse existido.

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As informações acima constam de relato unilateral prestado por vítima em boletim de ocorrência, documento que registra a versão do declarante e ainda depende de apuração pelas autoridades policiais. Não há, até o momento, indiciamento, denúncia formal do Ministério Público ou qualquer decisão judicial que atribua autoria de crime aos indivíduos mencionados. Os apelidos citados não configuram identificação civil comprovada.

O relato registrado no boletim de ocorrência não é um episódio isolado, segundo comerciantes e frequentadores ouvidos pela reportagem de forma reservada. Eles descrevem um cenário de deterioração progressiva da segurança no entorno do mercado, com a presença ostensiva de usuários de drogas e a movimentação constante de pessoas ligadas ao tráfico.

O impacto vai além do desconforto: famílias inteiras têm evitado o local, o que compromete diretamente o movimento de feirantes e pequenos empreendedores que dependem do fluxo de clientes para sobreviver. Para muitos comerciantes, o esvaziamento do mercado representa risco direto à continuidade dos seus negócios.

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Rondas não têm sido suficientes

Guarda Municipal e Polícia Militar realizam rondas periódicas na região do Mercado do Rio Verde. Na prática, porém, a fiscalização não tem sido capaz de romper o ciclo de ocupação criminosa do espaço: ao perceberem a aproximação das viaturas, os suspeitos se dispersam pelas ruas vizinhas e retornam ao local assim que a ronda se afasta, retomando as atividades ilícitas com aparente normalidade.

Esse padrão de "entra e sai" chama atenção para a necessidade de uma estratégia de segurança mais contínua e integrada para um espaço público essencial ao comércio e à convivência da população local.

Diante de um boletim de ocorrência que relata ameaça a um servidor público dentro de um equipamento administrado pelo próprio poder público municipal, moradores, feirantes e o funcionalismo que atua no mercado cobram uma resposta mais efetiva das autoridades: presença policial permanente ou instalação de um posto fixo de segurança — medidas apontadas como capazes de devolver tranquilidade ao espaço.

O Portal Parazão Tem de Tudo procura, neste momento, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (SEGUP) e a Polícia Civil do Pará para solicitar posicionamento oficial sobre o caso registrado no Mercado do Rio Verde e sobre as medidas de segurança previstas para o local. O espaço permanece aberto para manifestação das autoridades, e esta matéria será atualizada assim que houver resposta.