SAÚDE SAÚDE
Sem licitação, Prefeitura de Parauapebas libera R$ 2,6 milhões para duas empresas de saúde — e efeito retroage a antes da publicação
Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), comandada por Wallace André Pedro da Silva, ratifica duas inexigibilidades de licitação para credenciar empresas particulares que vão atender cirurgias eletivas represadas na rede pública — com validade retroativa ao dia 20 de agosto
28/08/2026 16h04
Por: Redação
Foto: Divulgação

A Secretaria Municipal de Saúde de Parauapebas (SEMSA), por meio do Fundo Municipal de Saúde, publicou dois extratos de Inexigibilidade de Licitação que, juntos, somam mais de R$ 2,6 milhões em recursos públicos direcionados a empresas privadas de saúde — sem disputa entre concorrentes. As duas contratações foram assinadas e ratificadas pelo secretário Wallace André Pedro da Silva, na condição de ordenador de despesas.

Os dois processos

Inexigibilidade nº 6.2026-021/SEMSA

Inexigibilidade nº 6.2026-022/SEMSA

Somados, os dois processos garantem R$ 2.611.088,93 em dinheiro público para as duas empresas, sem que nenhuma outra concorrente tenha disputado os valores.

Segundo os extratos, o objeto de ambos os processos é o credenciamento de pessoas jurídicas de direito privado para prestação de serviços complementares de assistência médica ambulatorial, voltados ao atendimento de demandas reprimidas em cirurgias eletivas gerais e especializadas — ou seja, a fila de cirurgias que o sistema público municipal não está dando conta de atender. Os valores seguem a Tabela CBHPM 5ª Edição/2018, com referência de valores atualizados para 2023/2024.

Os dois processos foram fundamentados no art. 74, inciso IV, da Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações), dispositivo que trata da inexigibilidade de licitação em casos de credenciamento, quando a competição entre fornecedores é inviável porque, em tese, todos os interessados que cumprem os requisitos podem ser credenciados. Trata-se de mecanismo previsto em lei — mas que dispensa disputa de preços, o que reforça a importância de transparência sobre os critérios usados para credenciar cada empresa e sobre os valores fixados.

Um detalhe presente nos dois extratos merece destaque: as inexigibilidades declaram que "entram em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos ao dia 20 de agosto de 2026". Isso significa que os efeitos contratuais foram considerados válidos a partir de 20 de agosto, mesmo com a publicação formal ocorrendo depois dessa data.

Fica a pergunta que a SEMSA precisa responder à população: por que os processos passaram a valer retroativamente a uma data anterior à sua própria publicação? Houve prestação de serviço por parte das empresas antes da formalização e ratificação do processo?

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Os extratos publicados trazem valores, empresas favorecidas, fundamentação legal e datas, mas não detalham os critérios técnicos utilizados para credenciamento, a quantidade de cirurgias/procedimentos previstos em cada contrato, nem o motivo da retroatividade dos efeitos a uma data anterior à publicação.

É importante frisar: a inexigibilidade de licitação para credenciamento é mecanismo previsto em lei e não configura, por si só, irregularidade. O que se cobra aqui é transparência sobre os critérios e sobre a retroatividade dos efeitos — pontos que a gestão municipal precisa esclarecer à população.

O Portal Parazão Tem de Tudo vai procurar a Secretaria Municipal de Saúde de Parauapebas para solicitar nota oficial de esclarecimento sobre os pontos levantados nesta matéria, com direito de resposta assegurado. A reportagem será atualizada assim que houver retorno.

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