ANANINDEUA POLÍTICA
Ausência de JK do Povão em agenda de Daniel Santos reacende especulações sobre aliança no Oeste do Pará
Ex-prefeito de Ananindeua realiza articulação política em Santarém sem a presença de um dos nomes que vinha sendo associado ao seu grupo; afastamento ocorre após repercussão de denúncias envolvendo nomeações em gabinetes parlamentares
17/08/2026 14h15
Por: Redação
Foto: Divulgação

A movimentação política de Daniel Santos em Santarém ganhou um ingrediente inesperado e colocou novamente os bastidores do Oeste do Pará em evidência. Durante uma agenda política realizada na cidade, a ausência do vereador JK do Povão, que vinha sendo apontado como um dos aliados do grupo de Daniel na região, chamou atenção e alimentou especulações sobre o momento da aliança entre os dois políticos.

A ausência, por si só, não comprova qualquer rompimento. Não há, até o momento, declaração pública de JK anunciando afastamento de Daniel Santos ou confirmação oficial de que exista um racha entre os dois. Ainda assim, em política, determinadas ausências acabam gerando perguntas — principalmente quando ocorrem em meio a um cenário de intensa movimentação eleitoral.

A situação ganha contexto após reportagens recentes levantarem questionamentos sobre nomeações relacionadas a aliados políticos em gabinetes de parlamentares.

Uma reportagem do Estado do Pará Online, publicada em maio, abordou denúncias envolvendo nomeações em Brasília e citou a filha de JK do Povão como uma das pessoas relacionadas ao caso. Na ocasião, JK confirmou a nomeação da filha, mas afirmou não ver irregularidade na situação. A deputada federal Alessandra Haber, esposa de Daniel Santos, também declarou que as nomeações e a atividade parlamentar seguem a legislação.

É importante destacar que nomeação para cargo comissionado, por si só, não comprova nepotismo ou qualquer ilegalidade. Eventuais irregularidades dependem da análise das circunstâncias concretas, das atribuições do cargo, do vínculo entre as pessoas envolvidas e das normas aplicáveis.

A repercussão, entretanto, colocou a relação política entre os grupos novamente sob os holofotes.

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A aproximação entre os dois grupos não é recente. JK do Povão, que foi candidato à Prefeitura de Santarém em 2024, já participou de articulações políticas com Daniel Santos e outros nomes da oposição paraense.

Em 2025, inclusive, o Diário do Pará registrou a relação de proximidade política entre JK e Daniel Santos ao noticiar uma condenação eleitoral envolvendo o então candidato santareno.

Mais recentemente, Daniel Santos filiou-se ao Podemos e passou a ser tratado como nome relevante na disputa pelo Governo do Pará, ampliando suas articulações para além da Região Metropolitana de Belém e buscando consolidar apoios no interior.

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É nesse contexto que a ausência de JK em uma agenda política do grupo passa a chamar atenção.

Em períodos pré-eleitorais, alianças políticas são constantemente testadas por agendas, declarações públicas, composição de grupos e demonstrações de força.

A ausência de uma liderança em determinado evento pode ter diversas explicações — agenda pessoal, compromissos políticos, questões partidárias ou simplesmente incompatibilidade de horários. Por isso, não seria correto afirmar que existe rompimento sem uma manifestação dos próprios envolvidos.

Mas o episódio certamente abre espaço para uma pergunta: a relação entre Daniel Santos e JK do Povão continua tão alinhada quanto antes?

A resposta, até agora, não veio de forma pública.

Santarém e o Oeste do Pará possuem peso significativo nas eleições estaduais. A região reúne importantes colégios eleitorais e uma extensa rede de lideranças municipais, vereadores e grupos políticos.

Para qualquer pré-candidato ao Governo do Estado, construir alianças fora da Região Metropolitana de Belém é uma tarefa estratégica. E justamente por isso, a presença ou ausência de lideranças como JK do Povão pode ganhar significado dentro das articulações eleitorais.

Daniel Santos vem ampliando sua movimentação política e buscando consolidar seu nome em diferentes regiões do estado. A presença de aliados com bases eleitorais próprias pode ser importante para esse projeto.

Por outro lado, JK possui trajetória política própria em Santarém e mantém uma base construída desde sua atuação como vereador e sua candidatura à Prefeitura em 2024.

Apesar das especulações, não há confirmação pública de rompimento entre JK do Povão e Daniel Santos.

Também não é possível afirmar, com base apenas na ausência registrada em uma agenda, que as recentes denúncias sobre nomeações tenham provocado afastamento político.

O que existe é uma coincidência temporal entre a repercussão das denúncias, a movimentação política de Daniel Santos em Santarém e a ausência de JK em uma atividade que poderia reunir os dois.

Até o momento, não foram localizadas declarações públicas de JK anunciando rompimento com Daniel Santos. O espaço permanece aberto para manifestação dos dois políticos.

Com as eleições de 2026 se aproximando, qualquer mudança nas alianças poderá ter impacto relevante no desenho da disputa pelo Governo do Pará — e, no Oeste, cada movimento político promete ser acompanhado de perto.