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Operação do ICMBio em Novo Progresso amplia crise e provoca reação de lideranças políticas do Pará
Após ação de combate ao garimpo ilegal deixar um homem ferido e gerar controvérsia sobre uma suposta criança baleada, caso mobiliza Governo do Estado, parlamentares e entidades em defesa de investigação rigorosa
30/06/2026 12h03 Atualizada há 4 horas
Por: Redação
Foto: Divulgação

A operação de combate ao garimpo ilegal realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Floresta Nacional do Jamanxim, em Novo Progresso, no sudoeste do Pará, deixou de ser apenas uma ação de fiscalização ambiental para se transformar em um dos episódios de maior repercussão política do Estado nos últimos dias.

Após vídeos e relatos divulgados nas redes sociais apontarem que uma criança e outras pessoas teriam sido atingidas durante a operação, o caso provocou forte mobilização de autoridades estaduais e parlamentares, que passaram a cobrar esclarecimentos sobre a atuação dos agentes envolvidos. O ICMBio, por sua vez, afirma que apenas um homem foi atingido por estilhaços de um disparo de advertência efetuado por policiais militares que acompanhavam a fiscalização e nega que uma criança tenha sido baleada.

A ação ocorreu na região conhecida como Garimpo Santos Dumont, localizada dentro da Floresta Nacional do Jamanxim, área federal que há anos é alvo de operações contra o garimpo ilegal, o desmatamento e outros crimes ambientais.

Segundo a versão apresentada pelo ICMBio, as equipes fiscalizavam a movimentação de máquinas utilizadas na atividade garimpeira quando abordaram um caminhão-prancha que transportava uma escavadeira hidráulica. O motorista teria desobedecido à ordem de parada, momento em que policiais militares efetuaram um disparo de advertência. Conforme o órgão federal, estilhaços atingiram um dos ocupantes do veículo, que foi socorrido e encaminhado ao hospital sem risco de morte.

Pouco depois da operação, vídeos gravados por moradores começaram a circular nas redes sociais mostrando o resgate de pessoas por helicóptero. As imagens foram acompanhadas de relatos afirmando que uma criança e um idoso também teriam sido atingidos por disparos durante a fiscalização, o que gerou forte comoção em Novo Progresso e em municípios vizinhos.

Em nota oficial, entretanto, o ICMBio afirmou que essas informações não procedem. Segundo o instituto, a criança levada pela aeronave apresentava uma crise asmática e foi transportada para atendimento médico após pedido dos próprios moradores da região.

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O órgão ainda informou que pretende encaminhar às autoridades competentes os casos de divulgação de informações consideradas falsas sobre a operação.

A repercussão do episódio levou a governadora do Pará, Hana Ghassan, a se manifestar publicamente nas redes sociais.

Em publicação oficial, a chefe do Executivo estadual informou que determinou a abertura de investigação para esclarecer o que ocorreu durante a operação e criticou a atuação do órgão ambiental.

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"Estou acompanhando os desdobramentos da operação do ICMBio em Novo Progresso que deixou uma pessoa ferida nesta segunda. Determinei abertura de investigação para apurar todos os fatos, mas o envolvimento de um órgão de fiscalização em conflitos cada vez mais frequentes e intensos acende alerta para abuso de autoridade e desvio de finalidade. O Governo do Pará adotará as medidas jurídicas cabíveis."

A declaração elevou o tom do debate institucional, indicando que o Governo do Pará pretende acompanhar de perto o caso e avaliar eventuais medidas judiciais, caso sejam identificadas irregularidades na atuação da fiscalização.

Ex-governador Helder Barbalho também cobra apuração

O ex-governador do Pará, Helder Barbalho, também se manifestou sobre a operação realizada pelo ICMBio em Novo Progresso. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou estar acompanhando o caso e defendeu uma investigação rigorosa para esclarecer as circunstâncias da ocorrência.

Segundo Helder, é necessário que todos os fatos sejam apurados com transparência, principalmente diante da repercussão do episódio e das diferentes versões apresentadas sobre a ação. O ex-governador destacou ainda que a atuação dos órgãos públicos deve ocorrer dentro dos limites da legalidade e do respeito aos direitos da população.

A manifestação reforça a pressão política em torno do caso, que já motivou a abertura de investigação determinada pelo Governo do Pará e passou a ser acompanhada por parlamentares e lideranças da região. O episódio colocou em evidência o debate sobre os limites das operações de fiscalização ambiental em áreas de conflito na Amazônia e a necessidade de garantir que ações de combate aos crimes ambientais sejam conduzidas com segurança, proporcionalidade e respeito aos direitos fundamentais.

 
 
 
 
 
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A operação também provocou reações de parlamentares paraenses.

O deputado estadual Aveilton Souza (PSD) afirmou que protocolou representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo a apuração da atuação dos agentes envolvidos. Segundo o parlamentar, as denúncias recebidas pela população precisam ser investigadas com transparência e responsabilidade.

Lideranças políticas da região sudoeste do Pará também defenderam uma investigação independente para esclarecer a dinâmica da ocorrência, especialmente diante das diferentes versões apresentadas por moradores e pelo ICMBio.

Apesar da repercussão política, as circunstâncias da operação ainda são objeto de apuração.

Enquanto o ICMBio sustenta que houve apenas um homem ferido por estilhaços e nega que crianças tenham sido atingidas por disparos, moradores da região continuam cobrando esclarecimentos sobre a ação realizada dentro da unidade de conservação.

O episódio reacende o debate sobre os desafios das operações de combate aos crimes ambientais na Amazônia, onde ações de fiscalização frequentemente ocorrem em áreas de tensão envolvendo garimpeiros, produtores rurais e órgãos federais.

Até o momento, não há conclusão oficial sobre todos os fatos ocorridos durante a operação, e as investigações seguem em andamento para esclarecer a atuação das equipes envolvidas e eventual responsabilidade pelos ferimentos registrados.

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