Geral QUALIFICAÇÃO
Trilha de Capacitação em Bioeconomia forma rede de multiplicadores no Pará
Iniciativa realizada pela Semas qualificou servidores públicos e representantes de comunidades para fortalecer a bioeconomia nos territórios
27/06/2026 21h16
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) encerrou, na sexta-feira (26), a primeira fase da Trilha de Capacitação em Bioeconomia, iniciativa que fortalece a implementação da política estadual de bioeconomia no Pará.

Realizada ao longo de quatro dias, no auditório do Hotel Amazônico Beira Rio, em Belém, a programação reuniu servidores públicos e representantes de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, extrativistas e agricultores familiares (PIQCTAFs). Entre os dias 23 e 25 de junho, foi realizada a 2° e última oficina de replicação territorial em bioeconomia e, no dia 26, ocorreu a cerimônia de encerramento e certificação dos participantes.

Realizada pela Semas, a Trilha integra as ações do Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio) e do projeto realiza pará e contou com a parceria da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), da Escola de Governança Pública do Estado do Pará (EGPA), da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (Seaf), do Programa Floresta em Pé, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A iniciativa contou ainda com o apoio da Rede de Saberes Amazônicos em Extensão Rural, Agroecologia e Sociobiodiversidade (Ressaberes), do Instituto de Pesquisadores e Especialistas do Xingu (IPEX), da LPA Consultoria & Serviços, da Terravia Gestão Estratégica e da Criativa Studio.

A trilha foi desenvolvida para fortalecer a implementação do PlanBio por meio da formação de uma rede de multiplicadores capaz de ampliar o alcance da política pública nos territórios. A metodologia adotada combinou conteúdos sobre políticas públicas, elaboração de projetos, crédito rural, acesso a mercados e gestão de empreendimentos, sempre associando o conhecimento técnico às experiências dos territórios e das comunidades participantes.

Durante a cerimônia de encerramento, a diretora de Bioeconomia da Semas, Mariana Oliveira, destacou que a formação representa uma ação estruturante para consolidar a bioeconomia como estratégia de desenvolvimento sustentável no Estado.

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"A Trilha de Capacitação em Bioeconomia é uma ação estruturante do Plano Estadual de Bioeconomia porque cria uma linguagem comum entre quem formula, executa e vive a bioeconomia nos territórios. Mais do que formar pessoas, estamos fortalecendo capacidades locais, conectando instituições e comunidades e construindo uma rede capaz de transformar conhecimento em desenvolvimento sustentável para o Pará", afirmou.

A cooperação entre instituições nacionais e internacionais foi um dos pilares para a construção da metodologia da Trilha. Representando a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), Claudia de Souza, diretora do projeto bioeconomia para florestas, ressaltou que a iniciativa deixa um legado para a política pública de bioeconomia no Estado.

"A formação foi construída para que esse conhecimento permaneça nas instituições e chegue cada vez mais aos territórios. A proposta é fortalecer a capacidade dos servidores públicos e das comunidades de desenvolver soluções a partir da realidade local, promovendo um processo contínuo de aprendizagem, troca de conhecimentos e fortalecimento da bioeconomia no Pará.", concluiu.

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Ao longo da formação, foram qualificados 30 servidores públicos de dez secretarias estaduais integrantes do Comitê Executivo de Bioeconomia, além de representantes de 20 comunidades e cerca de 40 integrantes de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, extrativistas e agricultores familiares. A proposta é que cada participante replique os conhecimentos adquiridos em suas instituições e comunidades, ampliando o alcance das políticas públicas de bioeconomia.

Para a coordenadora da Trilha de Capacitação em Bioeconomia, a servidora da Semas, Larissa Rodrigues, o encerramento da primeira fase representa o início de uma rede permanente de aprendizagem e colaboração.

“Mais do que concluir um ciclo de formação, estamos fortalecendo pessoas, conectando saberes e construindo uma base sólida para que a bioeconomia se consolide como uma política pública cada vez mais presente nos territórios do Pará. Os servidores e os representantes dos Povos Indígenas, Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares (PIQCTAFs) que participaram da Trilha tornam-se multiplicadores desse conhecimento, capazes de promover o diálogo, incentivar iniciativas locais e contribuir para um desenvolvimento que respeita a floresta, valoriza os territórios e reconhece o protagonismo das comunidades. Este é apenas o começo de uma caminhada coletiva que seguirá gerando impactos positivos para o estado.
Quando investimos na formação de pessoas, deixamos de entregar apenas um curso e passamos a construir capacidades que permanecem nos territórios. Esse é o verdadeiro legado da Trilha de Capacitação em Bioeconomia”

Para Keila da Silva Barroso, representante das comunidades Mari Mari e 19 de Abril, em Mosqueiro, a capacitação fortalece a atuação das lideranças comunitárias e amplia as oportunidades para os produtores locais.

"Essa capacitação vem para melhorar nosso desempenho na comunidade, principalmente como liderança. Aprendemos ferramentas que vão ajudar desde a organização da produção até a valorização dos nossos produtos, fortalecendo o trabalho dos agricultores e abrindo novas oportunidades para acessar editais e mercados."

Representando a Associação Indígena Berê Xikrin, da Terra Indígena Trincheira-Bacajá, Robson Santos ressaltou a importância do intercâmbio promovido pela iniciativa.

"A trilha permitiu mostrar a realidade dos nossos territórios e entender como o Estado constrói suas políticas. Foi uma troca de conhecimento que fortalece nossas comunidades e nos prepara para desenvolver projetos voltados à proteção do território, ao fortalecimento da sociobioeconomia e das cadeias produtivas."

Já Marcelo Mendes Medeiros, da comunidade quilombola Santo Antônio, no município de Baião, destacou que a formação amplia o acesso das comunidades às políticas públicas.

"A capacitação nos mostra caminhos para elaborar projetos e acessar oportunidades que podem fortalecer nossa comunidade. A bioeconomia abre possibilidades para desenvolver iniciativas que valorizam nosso território, geram renda e melhoram a qualidade de vida das famílias."

Além da certificação dos participantes, o encerramento contou com homenagens às instituições parceiras que contribuíram para a realização da primeira fase da Trilha de Capacitação em Bioeconomia. A expectativa é ampliar a iniciativa com novas turmas e replicações territoriais, fortalecendo a atuação integrada entre governo, instituições parceiras e comunidades na consolidação da bioeconomia como estratégia de desenvolvimento sustentável para o Pará.

Colaboração: Luiz Otávio/ Ascom Semas