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Trilha de Capacitação em Bioeconomia forma rede pelo desenvolvimento sustentável no Pará
Programa foca multiplicadores para conectar políticas públicas, comunidades e empreendimentos da Amazônia
26/06/2026 14h59
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A construção de uma bioeconomia forte, capaz de gerar renda, conservar a floresta e promover desenvolvimento sustentável, passa necessariamente pela formação de pessoas. Com esse propósito, o governo do Pará concluiu a primeira fase da Trilha de Capacitação em Bioeconomia para Servidores Públicos e PIQCTAFs (Povos Indígenas, Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Extrativistas). A meta: fortalecer capacidades humanas e institucionais necessárias à implementação da Política Estadual de Bioeconomia (PlanBio).

A ação, coordenada pela Secretaria Adjunta de Bioeconomia (Sabio), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas), integra o Projeto Realiza Pará. Ao longo do processo, 75 participantes estratégicos foram qualificados, entre servidores públicos estaduais, representantes de comunidades tradicionais, lideranças territoriais, empreendedores da sociobioeconomia e integrantes de instituições parceiras.

Mais do que uma formação técnica, a trilha foi concebida para criar uma rede de agentes multiplicadores capazes de conectar políticas públicas, oportunidades de financiamento, mercados e instrumentos de fortalecimento dos negócios da sociobiodiversidade nos territórios onde a bioeconomia acontece diariamente.

A secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, destaca que o fortalecimento da agenda da bioeconomia exige investimentos não apenas em projetos e instrumentos de fomento, mas também na formação de pessoas que atuarão diretamente na implementação dessa política.

"A bioeconomia se constrói nos territórios, por meio das pessoas. Por isso, investir na qualificação de lideranças comunitárias, empreendedores e servidores públicos é uma estratégia fundamental para que as políticas públicas sejam efetivamente compreendidas, apropriadas e transformadas em oportunidades concretas, para quem vive da floresta e dos recursos da sociobiodiversidade. A trilha contribui justamente para fortalecer essa conexão entre Estado e territórios", ressalta Camille Bemerguy.

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Plano vira ações em comunidades

A iniciativa surgiu a partir de uma necessidade apontada durante a construção da Política Estadual de Bioeconomia e do Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio). Embora o Pará tenha avançado na estruturação de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável, foi identificada a importância de ampliar o acesso à informação e fortalecer capacidades locais para que essas políticas alcancem seus objetivos de forma mais efetiva.

Para isso, a formação reuniu públicos que normalmente ocupam espaços distintos: servidores responsáveis pela implementação das políticas públicas e lideranças que vivenciam diariamente os desafios relacionados à produção, comercialização, acesso a crédito, regularização e gestão de empreendimentos comunitários.

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A assessora de gabinete da Semas e ponto focal da Trilha de Capacitação em Bioeconomia, Larissa Rodrigues, ressalta que essa integração foi um dos principais diferenciais da iniciativa.

"A proposta foi construir um ambiente de aprendizagem coletiva, reunindo diferentes atores que fazem parte da bioeconomia paraense. Ao aproximar servidores públicos, lideranças territoriais, empreendedores e representantes de organizações parceiras, conseguimos fortalecer redes de cooperação e criar condições para que o conhecimento gerado durante a formação seja multiplicado nos territórios", detalha.

A metodologia adotada foi baseada na aprendizagem experiencial e na construção participativa do conhecimento. O percurso formativo foi estruturado em seis módulos temáticos, além de mentorias, atividades práticas e oficinas de replicação territorial.

Os participantes tiveram acesso a conteúdos relacionados a metodologias participativas, políticas públicas e crédito rural, elaboração de projetos, participação em feiras e acesso a mercados, planos de negócios, proteção dos conhecimentos tradicionais e repartição de benefícios.

A proposta foi fazer com que os conhecimentos adquiridos não permanecessem apenas na sala de aula. Por isso, a trilha incluiu atividades voltadas à aplicação prática dos conteúdos, permitindo que os participantes desenvolvessem ações diretamente em seus territórios, organizações e instituições.

Os resultados apontam avanços significativos no fortalecimento da governança da bioeconomia, na ampliação do conhecimento sobre instrumentos públicos de fomento, no desenvolvimento de competências para elaboração de projetos e na gestão de empreendimentos, além da consolidação de uma rede de multiplicadores da bioeconomia em diferentes regiões do Pará.

Outro destaque foi o fortalecimento do diálogo entre Estado e comunidades. A presença simultânea de servidores públicos e representantes dos territórios favoreceu a troca de experiências, a construção de soluções coletivas e o fortalecimento das relações de confiança entre os diferentes atores envolvidos na agenda da bioeconomia.

Para Larissa Rodrigues, esse aspecto é fundamental para garantir a efetividade das políticas públicas.

"Quando capacitamos uma liderança comunitária ou um servidor público, ampliamos a capacidade de implementação das políticas nos territórios. A trilha fortalece tanto a capacidade institucional do Estado quanto capacidades locais, criando condições para que as oportunidades da bioeconomia alcancem mais pessoas e gerem impactos concretos para as comunidades", destaca.

Transformação nos territórios

As oficinas de replicação territorial foram um dos principais diferenciais da iniciativa. A estratégia permitiu que os participantes atuassem como multiplicadores dos conhecimentos adquiridos, ampliando o alcance da formação para além dos participantes diretos.

As atividades contribuíram para fortalecer organizações comunitárias, estimular a participação social, ampliar o acesso à informação e desenvolver capacidades empreendedoras relacionadas aos negócios da sociobiodiversidade amazônica.

Além disso, a formação também fortaleceu conhecimentos sobre direitos territoriais, acesso a políticas públicas, elaboração de projetos e mecanismos de valorização dos conhecimentos tradicionais, temas considerados estratégicos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Para Valdiney Gomes, servidor da Secretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEIRDH), a capacitação representa uma ferramenta importante para qualificar a atuação do serviço público em iniciativas voltadas à bioeconomia, ao fortalecimento das comunidades tradicionais e à promoção do desenvolvimento sustentável.

"Os conhecimentos adquiridos contribuirão significativamente para meu desenvolvimento profissional, ampliando minha capacidade de compreender e aplicar conceitos relacionados à bioeconomia no contexto das políticas públicas. Essa formação auxiliará na elaboração de projetos, na articulação institucional, no apoio às comunidades tradicionais e no fortalecimento de iniciativas voltadas à geração de renda sustentável, permitindo uma atuação mais estratégica e eficiente nas atividades desenvolvidas", destacou.

Parcerias - Para os parceiros envolvidos na iniciativa, a formação também representa um avanço importante na construção de capacidades locais e na articulação entre diferentes atores que atuam na agenda da bioeconomia amazônica.

Thaís Penna, assessora técnica da GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), destaca que a trilha contribuiu para fortalecer o diálogo entre instituições públicas e representantes dos territórios, ampliando o alcance da agenda da bioeconomia no Pará.

"A Trilha de Formação em Bioeconomia foi um importante espaço de aprendizado e troca de experiências entre servidores públicos e representantes dos PIQCTAFs. Para o projeto Bioeconomia para Florestas, essa iniciativa contribui para fortalecer capacidades, aproximar diferentes atores e ampliar o entendimento sobre como a bioeconomia pode gerar desenvolvimento, valorizar os conhecimentos locais e promover a conservação da floresta", avalia.

A Trilha de Capacitação em Bioeconomia foi realizada no âmbito do Projeto Realiza Pará, com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), execução financeira da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e apoio de parceiros como a GIZ, o Ministério do Meio Ambiente, a Escola de Governança Pública do Estado do Pará (EGPA), a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e a Resaberes, além de outras instituições.