No período das férias escolares, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), em conjunto com os demais órgãos de segurança, intensifica as ações de fiscalização para coibir o uso de linhas enceradas, prática que pode provocar acidentes graves e até fatais. Dados da pasta apontam que, nos últimos dois anos, as ações contribuíram para uma redução de 26,82% nesse tipo de acidente.
De acordo com a Segup, em 2024 foram registrados 41 acidentes, dos quais quatro resultaram em mortes. Em 2025, o número caiu para 30 ocorrências, sem registro de óbitos. No recorte de janeiro a maio, a redução também foi significativa: os casos passaram de 10, em 2024, para cinco, em 2025, representando uma queda de 50%. Já em 2026, no mesmo período, foram contabilizados cinco acidentes.
Segundo o titular da Segup, Ed-Lin Anselmo, esses materiais geralmente são preparados de forma artesanal e podem causar ferimentos e lesões graves, dependendo da gravidade do corte, e até ocasionar a morte. “Com base na Lei Estadual, caso seja identificado material irregular, ele é recolhido para posterior destruição ou para a responsabilização dos envolvidos em caso de acidente”, disse.
Proibição - A Lei Estadual nº 9.597/2022 proíbe a posse, fabricação e comercialização de linhas cortantes com cerol (vidro moído), linha chilena e similares. O descumprimento acarreta ao infrator, quando pessoa física, multa de R$ 50,00. No caso de menores, a responsabilidade recai sobre os pais ou responsáveis. Estabelecimentos que comercializarem esse tipo de material podem ser multados em até R$ 5 mil.
Conhecida por ser revestida com uma mistura de vidro ou aço moído e cola, a linha chilena pode causar graves acidentes, especialmente com motociclistas e pedestres. Além dos riscos à população, animais e aves também estão entre as principais vítimas desse material. A comercialização desse material é considerada crime, conforme previsto no artigo 278 do Código Penal Brasileiro (CPB).
Ed-Lin Anselmo acrescenta que a população também pode colaborar com as ações de fiscalização, denunciando. “Não podemos esquecer que grande parte das atividades das forças de segurança depende do apoio da sociedade. Por isso, ao identificar o uso ou a venda desse material, é possível acionar o Disque-Denúncia (181), de forma anônima, ajudando a fortalecer a segurança de todos”, afirma.
Rede elétrica - Além do risco de ferir terceiros, há também o perigo relacionado à rede elétrica de alta tensão para o próprio praticante. Alguns tipos de linhas cortantes, como a linha chilena, contêm partículas metálicas em sua composição. Ao entrar em contato com a rede de distribuição de energia, a pessoa pode sofrer choque elétrico, resultando em queimaduras graves e, em casos mais severos, até amputações.
Nas praias - Assim como em Belém e na Região Metropolitana, os principais balneários recebem, todos os anos, ações de conscientização e fiscalização por meio da operação “Verão 2026”, desenvolvidas por servidores da Segup, por meio da Diretoria de Políticas Públicas e Prevenção Social (DPS), com apoio das polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros Militar e a Coordenadoria de Defesa Civil.
Neste ano, a operação “Verão 2026” ocorrerá entre os dias 3 de julho a 3 de agosto e contará com cobertura em mais de 90 municípios paraenses. As ações serão concentradas principalmente nas regiões com maior fluxo de banhistas e turistas, como Salinópolis, Mosqueiro, Ajuruteua, Outeiro, Marudá, Algodoal, Salvaterra, Colares, Alter do Chão e Cotijuba, entre outras regiões.