A Polícia Civil do Pará prendeu, na manhã desta segunda-feira (22), Antônio Francisco Leal Junior, conhecido popularmente como “Sapinho”, suspeito de manter a ex-companheira em cárcere privado no município de Parauapebas, no sudeste paraense. O homem também é investigado por supostas agressões físicas e ameaças contra a vítima. A prisão foi realizada após uma série de diligências conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) e demais unidades policiais da região.
O caso veio à tona durante as ações da Operação Escudo Feminino III, iniciativa coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) para intensificar o combate à violência doméstica e familiar em todo o Pará. Durante visitas de acompanhamento a mulheres beneficiadas por medidas protetivas de urgência, familiares da vítima informaram aos policiais que estavam sem notícias dela havia vários dias.
Diante da denúncia, equipes da DEAM iniciaram buscas e conseguiram localizar a mulher em uma residência onde, segundo relato prestado à Polícia Civil, ela permanecia contra a própria vontade havia aproximadamente uma semana. Ainda de acordo com as investigações, a vítima apresentava lesões aparentes e afirmou ter sido submetida a agressões físicas constantes, ameaças e intimidações, além de ser impedida de sair do imóvel.
Após o resgate da mulher, a delegada Daniela Vieira Bezerra representou pela prisão preventiva do suspeito, pedido posteriormente deferido pelo Poder Judiciário. Desde então, equipes da Superintendência Regional de Carajás, da Delegacia de Homicídios e da DEAM intensificaram as diligências para localizar o investigado.
Antônio Francisco Leal Junior foi encontrado no Bairro Betânia, em Parauapebas, sendo conduzido à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher para a realização dos procedimentos legais. Ele permanece à disposição da Justiça.
O caso ganhou repercussão estadual após a governadora Hana Ghassan destacar a prisão do suspeito como resultado direto da Operação Escudo Feminino, considerada pelo Governo do Estado uma das maiores iniciativas de enfrentamento à violência contra a mulher já realizadas no Pará. Segundo dados divulgados pela Segup, as três fases da operação já ultrapassaram a marca de 100 prisões e atenderam aproximadamente 4,8 mil mulheres em situação de vulnerabilidade em diversas regiões paraenses.
Especialistas ressaltam que casos de cárcere privado e violência doméstica costumam ocorrer em ciclos de isolamento e intimidação das vítimas, tornando fundamental a atuação da rede de proteção, das forças de segurança e da própria comunidade na identificação precoce de situações de risco.
A Polícia Civil reforça que mulheres vítimas de violência podem procurar atendimento especializado nas delegacias da mulher, além de acionar os canais oficiais de denúncia para buscar proteção e apoio institucional.
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