O advogado de defesa de José, acusado de envolvimento no duplo homicídio que chocou Canaã dos Carajás na manhã desta segunda-feira (15), falou com exclusividade e apresentou a versão do investigado sobre os fatos.
Logo no início da entrevista, o defensor classificou o episódio como uma tragédia e afirmou que seu cliente já vinha enfrentando uma série de conflitos antes do ocorrido.
"É triste essa situação, não é legal, mas enfim. Deu uma repercussão bastante grande na população de Canaã, mas é uma tragédia praticamente anunciada. Meu cliente já vinha sofrendo agressões, inclusive com boletim de ocorrência já registrado antes. Bastante agressão, tanto verbal quanto física", afirmou.
Segundo o advogado, José procurou assistência jurídica dias antes da ocorrência para relatar os problemas que estaria enfrentando.
"Ele me procurou na segunda-feira relatando todas essas agressões. A orientação que a gente passa como advogado é procurar as autoridades competentes. Então ele registrou o boletim de ocorrência, fez exame de corpo de delito e buscou os meios legais. Mas a situação não cessou", declarou.
Durante a entrevista, a defesa afirmou que o acusado chegou a pedir ajuda da Polícia Militar momentos antes da ocorrência.
"Infelizmente chegou numa situação muito grave. Ele teve que agir em legítima defesa. Inclusive, antes, ele ligou para a polícia. Tem ligação dele pedindo ajuda, dizendo que a pessoa estava no estabelecimento. A polícia estava a caminho, mas não conseguiu chegar a tempo", relatou.
Questionado sobre o que teria motivado toda a situação, o advogado explicou que, segundo seu cliente, o problema começou em razão de um contrato de prestação de serviços.
"Segundo ele, tudo começou por causa de um contrato. Ele possui um lava-jato e havia um contrato de prestação de serviço. Estava havendo desacordo nesse contrato, envolvendo prestação de serviço e questões financeiras. Provavelmente houve divergências sobre valores e isso acabou gerando toda essa situação."
Para o advogado, o conflito evoluiu de forma desnecessária.
"Foi uma situação que levou a um constrangimento e culminou numa tragédia que, no meu entendimento, jamais deveria ter acontecido."
Ao falar sobre José, o advogado ressaltou que o acusado não possui antecedentes criminais.
"Eu conheço o José pessoalmente. Também estou triste pela tragédia e decepcionado com tudo isso. Mas ele é uma pessoa muito gente boa, nunca foi preso, não tem nada que desabone sua conduta, é réu primário."
Segundo a defesa, o investigado acreditava que sua vida e a de seus familiares estavam em risco.
"Ele não teve opção. Ligou para a polícia justamente para tentar evitar uma tragédia. Mas o tempo foi curto."
Questionado se o acusado relatou temer pela própria vida, o advogado respondeu afirmativamente.
"Sim. Segundo ele, o casal estava armado. Foi justamente por isso que ele agiu dessa forma. A família dele estava ao lado, tinha crianças e sua esposa presentes."
Ainda de acordo com a defesa, situações anteriores já teriam ocorrido na presença dos familiares.
"Já houve agressões em outra ocasião com as crianças e a esposa presentes. Isso está relatado no boletim de ocorrência. Não sou eu que estou dizendo. Está documentado. Quando ele viu a situação acontecendo novamente, diante de clientes e de outras pessoas, ficou muito complicado."
O advogado destacou ainda que imagens de câmeras de segurança poderão contribuir para o esclarecimento do caso.
"Tinha clientes no local e as câmeras podem mostrar exatamente o que aconteceu."
Ao final da entrevista, o advogado afirmou que a estratégia jurídica será baseada na tese de legítima defesa.
"Com certeza vamos buscar provar isso na Justiça. Não tenho dúvidas de que a verdade aparecerá. Sentimos muito pela família e pelas pessoas que partiram. Mas a defesa vai trabalhar em cima da legítima defesa."
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que deverá analisar depoimentos, laudos periciais e imagens de câmeras de segurança para esclarecer todas as circunstâncias do duplo homicídio.
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