Geral CONSULTA PÚBLICA
Bujaru avança na proteção ambiental e histórica com consulta pública para criação da unidade de conservação "Engenho Bom Intento"
O encontro ocorrerá das 9h às 12h, no Salão Paroquial de São Joaquim e Santana, localizado na Avenida Princesa Izabel, nº 191, no centro do município
26/05/2026 17h36
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A proteção do patrimônio ambiental e histórico de Bujaru, na região Nordeste paraense, ganhará um novo capítulo nesta quarta-feira (27), com a realização da consulta pública para a criação da unidade de conservação municipal Engenho Bom Intento. O encontro ocorrerá das 9h às 12h, no Salão Paroquial de São Joaquim e Santana, localizado na Avenida Princesa Izabel, nº 191, no centro do município, reunindo representantes do poder público, organizações sociais, instituições de ensino, moradores e demais interessados para discutir a proposta de criação da área protegida.

A futura unidade de conservação será implantada em uma área de 70.151,80 metros quadrados - equivalente a 7,0152 hectares - situada na zona rural de Bujaru, na Região de Integração Rio Capim. A proposta contempla uma área considerada estratégica para a conservação ambiental do município, especialmente pela presença de corpos hídricos, nascentes e igarapés, além de espécies da fauna e flora amazônicas. Outro diferencial é sua relevância para o equilíbrio do microclima local e para a preservação das ruínas do antigo Engenho Bom Intento, importante marco da história regional.

A iniciativa conta com apoio técnico do governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) e integra uma política de fortalecimento da conservação ambiental nos municípios paraenses. De acordo com a legislação estadual, as unidades de conservação são espaços territoriais legalmente instituídos pelo poder público para garantir a proteção dos recursos naturais e dos ecossistemas. Elas podem integrar dois grupos: Proteção Integral, voltada à preservação dos atributos naturais, ou Uso Sustentável, destinada à conservação aliada ao manejo racional dos recursos disponíveis.

Para o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, a criação da unidade de conservação representa um avanço importante na política ambiental do Pará e no fortalecimento da gestão municipal da biodiversidade. “O Ideflor-Bio tem atuado como parceiro dos municípios paraenses na construção de políticas ambientais sólidas e permanentes. Em Bujaru, estamos diante de uma área que reúne biodiversidade, recursos hídricos e um patrimônio histórico de grande relevância. A criação desta unidade de conservação demonstra que é possível conciliar preservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento sustentável, garantindo benefícios para as gerações presentes e futuras”, afirmou.

Diálogo -Vale ressaltar que a consulta pública é uma etapa obrigatória prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), regulamentada pelo Decreto Federal nº 4.320/2002, e tem como objetivo garantir a participação social no processo de criação da unidade. Durante o encontro, serão apresentadas informações técnicas e científicas sobre a área, permitindo que moradores, populações usuárias, representantes institucionais e demais segmentos contribuam para a definição dos limites, localização e categoria mais adequada da futura unidade, conforme estabelece a Lei Estadual nº 10.306, do Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC).

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Segundo o diretor de Gestão da Biodiversidade do Ideflor-Bio, Crisomar Lobato, os estudos conduzidos pelo órgão identificaram no Engenho Bom Intento uma área de grande relevância ecológica, histórica e cultural. “Encontramos um ecossistema em regeneração natural com espécies da fauna e da flora, inclusive ameaçadas de extinção, além de um patrimônio histórico de enorme valor para o município. A proposta é transformá-la em um Bosque Municipal, garantindo proteção ambiental, fortalecimento da educação ambiental e valorização da memória do Engenho Bom Intento”, destacou. O gestor explicou ainda que a consulta pública marca a fase final do processo técnico, antecedendo a elaboração dos instrumentos legais necessários para a criação da unidade no âmbito municipal.

Ainda de acordo com Crisomar Lobato, a iniciativa em Bujaru deverá resultar no quinto Bosque Municipal criado com apoio do Ideflor-Bio no Pará, reforçando uma estratégia estadual voltada à conservação de áreas verdes urbanas e periurbanas. Atualmente, o Instituto já apoiou a criação de 15 unidades de conservação municipais em diferentes categorias e trabalha para ampliar esse número em municípios como Igarapé-Miri, Acará e Goianésia do Pará, onde estudos ambientais e socioeconômicos já estão em andamento.

Preservação do Meio Ambiente e da Memória -A secretária de Meio Ambiente de Bujaru, Leuda Coelho, ressaltou que a criação da unidade de conservação Engenho Bom Intento representa uma das maiores aspirações da população bujaruense. “Estamos falando de uma área que preserva nascentes, igarapés, fauna, flora e uma biodiversidade extremamente rica, além de guardar um patrimônio histórico singular para Bujaru e para o Pará. As ruínas do Engenho Bom Intento ajudam a contar parte da história do Grão-Pará, do período colonial e da escravidão no Brasil. Essa unidade permitirá proteger a natureza, incentivar pesquisas, fortalecer o turismo ecológico e cultural e preservar a memória do nosso povo para as futuras gerações”, enfatizou.

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É importante frisar que a futura UC terá gestão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Bujaru, com apoio de um conselho gestor formado por representantes da sociedade civil, órgãos públicos e instituições de ensino e pesquisa.