O Museu Municipal Francisco Coelho, localizado na Marabá Pioneira, foi o cenário do encerramento da 24ª Semana Nacional dos Museus neste domingo, 24. O evento principal foi marcado pela inauguração da exposição itinerante “Rios que rezam em mim”, do artista visual marabaense Bino Sousa. A mostra explora a união entre a espiritualidade e a vivência regional amazônica por meio de memórias afetivas, rios e sonhos.
A programação de encerramento começou no jardim do museu com uma apresentação da banda da Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM) e do cantor Gabriel Rocha. O público presente acompanhou clássicos da Música Popular Brasileira (MPB).
Após a apresentação musical, os visitantes subiram ao segundo piso do Palacete Augusto Dias para a abertura oficial da mostra. As obras ocuparão a sala de exposições temporárias até o final do mês de junho.
A presidente da FCCM, Thaís Cariello, destacou a relevância de encerrar uma semana repleta de palestras e eventos internos e externos com um artista local cujas obras já integram o cenário urbano da cidade em muros e escolas.
“Nós vimos essa exposição na Galeria Vitória Barros e fizemos o convite para ele trazer ao museu. Ele participou de toda a curadoria e trouxe todas as suas obras de forma muito generosa”, pontuou a presidente.
De acordo com Wellington Mota, coordenador de projetos da FCCM, a montagem da sala foi planejada a partir de uma demanda de Bino Sousa, que solicitou uma “tela em branco”. A equipe de montagem adaptou o espaço fechando paredes e subindo o tablado.
“A exposição tem uma perspectiva de espelhamento. De um lado, as obras focam na referência visual amazônica. Do outro, na parte religiosa. Isso representa o tema da Semana Nacional dos Museus deste ano, que debate a união de mundos e espaços”, explicou Wellington.
Bino Sousa revelou que a produção das peças começou no segundo semestre do ano passado com o objetivo de realizar uma mostra em dezembro. Agora em fase itinerante, a coleção deve seguir para outro espaço após a temporada no museu.
“Foi muito gratificante poder entregar tudo o que eu sou, o que eu acredito sobre as questões culturais amazônicas e a minha espiritualidade. Usei uma luz bem estourada, tons terrosos que lembram a nossa terra e tons de verde que remetem à mata. Expor no museu, que é um lugar muito respeitado, eleva o artista”, declarou Bino.
A exposição atraiu moradores locais e estudantes. Para o acadêmico de artes visuais da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Fábio Gabriel, o texto curatorial e os detalhes das telas cumprem o papel de imergir o visitante no ambiente. “Estou começando a entrar nesse universo agora e visitar essas obras me deixa particularmente feliz”, afirmou.
O vendedor Denis Carvalho elogiou a sincronia alcançada pelo pintor na mistura de elementos sagrados e regionais. “Estou deslumbrado com as cores e formas. É um artista talentoso da nossa terra que merece reconhecimento e que deve ser exportado para outros estados para representar a Amazônia através de seus quadros”, concluído Denis.
Visitação no Museu
Para quem deseja prestigiar a exposição “Rios que rezam em mim” e conhecer o acervo histórico do município, os horários de funcionamento são:
Texto: Fabiana Alves
Fotos: Sara Lopes e Rapharazzo
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