Antes mesmo da cirurgia, o paciente Ruan da Silva Costa, 22 anos, já começou a perceber mudanças que vão além da recuperação física. Após fraturar o tornozelo esquerdo, ele chegou ao Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém, com limitações. Em poucos dias de acompanhamento fisioterapêutico, começou a retomar a autonomia.
“Eu não conseguia mexer o pé, mas agora já consigo e ando de muleta com mais segurança. Isso me deu mais independência, mesmo antes da cirurgia”, contou Ruan, profissional em barbearia, funilaria e pintura. Para ele, o cuidado recebido é determinante para a melhoria na locomoção.
Histórias como a de Ruan Costa mostram o impacto da fisioterapia na recuperação de pacientes vítimas de trauma. Referência em ortopedia na Região Metropolitana de Belém, o Hospital Galileu vem consolidando o serviço como um dos pilares da assistência em média e alta complexidade. Entre janeiro e abril de 2026, foram realizados 8.867 atendimentos fisioterapêuticos.
Ampliação- O volume reflete também uma mudança no perfil da unidade. De acordo com a coordenação do setor, houve aumento significativo na demanda em relação ao ano passado, especialmente após o Hospital Galileu ampliar sua atuação em casos de maior complexidade. “Hoje, atendemos principalmente casos de pré e pós-operatório de fratura de fêmur, o que exige uma abordagem mais intensiva e especializada”, explicou a coordenadora da equipe, Tyssia Costa.
Mesmo diante de quadros mais delicados, a resposta clínica é rápida. Com a aplicação de protocolos institucionais, os pacientes costumam apresentar melhora na mobilidade e redução de dores em um intervalo médio de três a cinco dias — fator que contribui diretamente para a diminuir complicações e o tempo de internação.
Na prática, a fisioterapia atua em múltiplas frentes. Segundo a fisioterapeuta Gabryella Corvelo, as principais demandas incluem reabilitação de fraturas, atendimentos pré e pós-operatórios, lesões musculares, traumas neurológicos e complicações respiratórias. “Também trabalhamos a reabilitação da marcha, com ou sem dispositivos auxiliares, sempre buscando devolver funcionalidade ao paciente”, informou.
A profissional disse ainda que o atendimento a pacientes vítimas de trauma exige atenção redobrada e sensibilidade. “Há dor, limitação de movimento e, muitas vezes, a presença de fixadores ou dispositivos que restringem a mobilidade. Por isso, a progressão precisa ser gradual. Mas tão importante quanto a técnica é o olhar humano, porque estamos lidando com pessoas que, de um dia para o outro, precisam se adaptar a uma nova realidade”, ressaltou.
Avanços- O cuidado integral se reflete nos resultados. A evolução dos pacientes é acompanhada por indicadores, como ganho de amplitude de movimento, aumento da força muscular e níveis de independência, mensurados por escalas como Barthel e MRC, desde a chegada até a alta hospitalar.
Entre os atendimentos, casos marcantes reforçam o alcance desse trabalho. Um paciente jovem, que deu entrada com fratura grave e sem condições de caminhar, conseguiu recuperar a marcha com independência após o acompanhamento fisioterapêutico. “Foi muito emocionante fazer parte dessa trajetória de devolver funcionalidade e confiança para ele”, disse Gabryella Corvelo.
Texto: Ascom/Hospital Galileu