Geral SAÚDE PÚBLICA
No Hospital Oncológico Infantil, campanha de doação de sangue mobiliza voluntários
Em Belém, ação reuniu doadores e atrações culturais para reforçar os estoques e apoiar o tratamento de crianças e adolescentes
30/04/2026 22h46
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A campanha de doação de sangue com o tema “Quando Você Doa Sangue, a Brincadeira Continua”, promovida nesta quinta-feira (30) pelo Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, com a parceria da Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa), mobilizou voluntários e doadores ao longo do dia. A ação teve como objetivo reforçar os estoques de sangue e contribuir para o atendimento de crianças e adolescentes em tratamento oncológico. Ao todo, 73 bolsas foram coletadas, que podem beneficiar até 292 pessoas, número considerado positivo diante da demanda contínua da unidade.

A programação ocorreu das 8h às 17h, no hospital localizado no bairro de São Brás, com estrutura composta por unidade móvel do Hemopa e ponto fixo de coleta na recepção, o que garantiu fluidez no atendimento.

Segundo a coordenadora de Humanização do Hoiol, Natacha Cardoso, as campanhas integram uma estratégia permanente de reposição de volume utilizado na unidade. “Realizamos campanhas trimestrais, mas o voluntariado é mobilizado mensalmente para garantir a reposição de parte do que é utilizado e reforçar os estoques do Hemopa. É um compromisso de todos os profissionais, da assistência à alta gestão”, informou.

Parcerias- Ainda de acordo com a coordenadora, a mobilização começa com planejamento antecipado. “Todo momento é uma oportunidade de sensibilizar a sociedade sobre a importância da doação. A organização das campanhas envolve planejamento coletivo, discutido com os membros da Comissão de Humanização e com parceiros institucionais e voluntários”, explicou. Entre os apoiadores estão instituições como Marinha e Exército, além de grupos que atuam na logística, no entretenimento e no acolhimento, fortalecendo a captação de doadores.

O biomédico da Agência Transfusional do hospital, Matheus Bernardes, destacou que, apesar de os estoques se manterem estáveis, a alta demanda exige atenção constante. A unidade realiza, em média, cerca de 300 transfusões por mês. “Devido à grande demanda, precisamos manter esse fluxo contínuo de doações. O objetivo é captar sangue, mas também utilizá-lo com responsabilidade”, ressaltou.

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Além da presença da unidade móvel do Hemopa, que amplia o alcance das campanhas, a participação de agentes incentivadores é outro fator que contribui para o aumento das doações. “Junto às equipes do Hoiol, os pais e responsáveis se tornam parte essencial da captação, pois divulgam, mobilizam outras pessoas e fortalecem essa rede de solidariedade”, disse Matheus Bernardes. Para o biomédico, esse engajamento reflete a compreensão de que a doação é um gesto coletivo. “Muitos entendem que, assim como recebem ajuda em um momento difícil, também podem contribuir para salvar outras vidas”, acrescentou.

Captação- A assistente social da Fundação Hemopa, Camila Medina, disse que a estabilidade do estoque de sangue resulta de estratégias contínuas de captação. Segundo ela, esse equilíbrio é mantido por meio de campanhas realizadas com a unidade móvel, e também pelos pontos fixos de coleta, que funcionam de segunda a sábado.

Apesar desse cenário positivo, a profissional alertou para desafios estruturais, como o envelhecimento dos doadores regulares, que podem deixar de contribuir em razão da idade limite, atualmente 69 anos. Diante disso, ela reforçou a importância da fidelização. “Incentivamos que quem doa pela primeira vez se torne um doador regular, para compensar essa perda natural ao longo dos anos”, informou Camila Medina.

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Segundo ela, o perfil predominante ainda é de homens acima de 35 anos, embora a participação de jovens esteja em crescimento, devido às ações que despertam a empatia e conexão com a causa. “A expectativa para as campanhas é sempre muito positiva e, aqui no Hoiol, o ambiente acolhedor e o envolvimento entusiasmado das equipes tornam ainda mais significativo esse trabalho”, reiterou.

Mobilização- Thais Cunha, 24 anos, madrasta do paciente Luiz Miguel, 9 anos, acompanha a rotina do enteado na unidade hospitalar. Segundo ela, o processo tem sido marcado por aprendizado e dedicação. “Ele é uma criança muito especial e, graças a Deus, está bem”, disse Thais, ressaltando a importância da doação para o tratamento da criança. “Ele precisou de muitas transfusões. Quando sabemos que vai precisar novamente, a família se mobiliza para ajudar e levar pessoas para doar. É essencial, porque ajuda não só o Miguel, mas muitas outras crianças”, acrescentou.

Durante a programação, Miguel também participou das atrações do evento, cantando louvores. “Eu amo cantar. É algo que me inspira. Foi a forma que encontrei de agradecer primeiro a Deus, e também a todos os doadores de sangue”, disse o menino.

Natural do município de Oriximiná (no Oeste paraense), Juliana Carvalho, 31 anos, acompanha a filha, Camila, 3 anos, em tratamento contra um sarcoma de partes moles, um tipo raro e agressivo de câncer. Ela contou que a menina, de sangue tipo A positivo, precisou de transfusão pela primeira vez na semana passada. “Por estar em um hospital de referência, não tive receio de faltar sangue, mas é fundamental mobilizar familiares e amigos”, garantiu.

Segundo Juliana Carvalho, o marido decidiu se tornar doador regular após participar da campanha. “Quando vimos toda essa festa e o ônibus do Hemopa, meu esposo decidiu doar e disse que, a partir de agora, será um doador regular. Assim como ele, peço que todos que puderem façam o mesmo. Doar sangue é dar vida aos nossos pequenos e a todos que precisam”, completou.

Programação musical- Além da coleta de sangue, a programação incluiu apresentações culturais, música ao vivo e atividades lúdicas, envolvendo voluntários e artistas locais. Com o cerimonial conduzido pelo voluntário Elton Monteiro, diversas atrações contribuíram para manter o fluxo de doadores. Entre os destaques estiveram o Grupo Ananin Dance, com danças populares de temática indígena, DJ Ruano, Grupo Sorria, Paulo Kamelo, FB Mania, Grupo Potentes do Brega e Lagoinha Music.

A programação contou ainda com a participação do Grupo Claro, Abecas Capelania, Grupo GSU, representantes da Marinha do Brasil e do artista Sávio Coelho.

De acordo com o Ministério da Saúde, cada doação pode salvar até quatro vidas. Para doar é necessário ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 quilos e estar em boas condições de saúde. A doação é rápida, segura e pode ser feita regularmente, até quatro vezes ao ano para homens e três para mulheres. Quem não participou da campanha pode procurar os postos do Hemopa e informar o código 1766.

Doador recorrente, Ramon Barbosa, 23 anos, contou que tem “um amigo que precisou recentemente de doação após um acidente. Na época, não pude doar, mas agora estou contribuindo. É uma causa que realmente salva vidas”.

Serviço: Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é referência na região Norte no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária de 0 a 19 anos. A unidade integra a rede de unidades vinculada à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Texto: Ascom/Hoiol