Uma investigação envolvendo o atentado a uma fábrica de ração em Parauapebas trouxe à tona uma série de irregularidades que agravam ainda mais a situação do empreendimento. O caso, que inicialmente era tratado apenas como ação criminosa, agora também levanta questionamentos sobre a legalidade das atividades desenvolvidas no local.
Levantamentos obtidos pela reportagem do Portal Parazão Tem de Tudo, com base em informações publicadas pelo Correio de Carajás, apontam que a empresa funcionava sem alvará de funcionamento, sem licenciamento ambiental e sem autorização do Corpo de Bombeiros — documentos considerados indispensáveis para a operação de qualquer atividade industrial.
Ainda segundo os dados, o alvará de segurança contra incêndio havia sido cassado após vistoria técnica identificar falhas estruturais e ausência de medidas adequadas de prevenção. Mesmo diante dessas restrições, a fábrica continuava operando normalmente, o que pode configurar infrações administrativas graves e até responsabilização criminal.
Relatórios da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Parauapebas reforçam que o empreendimento não possuía autorização válida para funcionamento, estando, portanto, em desacordo com a legislação vigente. A ausência de licenças ambientais também levanta preocupações quanto aos possíveis impactos ao meio ambiente e à saúde pública.
O cenário de irregularidades ganhou ainda mais destaque após o atentado registrado no último fim de semana. Um artefato explosivo foi lançado contra a estrutura da fábrica, atingindo diretamente um dos silos e causando danos significativos.
Equipes especializadas, incluindo o esquadrão antibomba, foram acionadas para atuar no local, realizando varreduras e adotando medidas de segurança para evitar novos incidentes. Apesar do susto, não houve registro de vítimas.
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar as circunstâncias do ataque, incluindo a possibilidade de motivação ligada a disputas internas.
Paralelamente ao atentado, o caso também envolve uma disputa judicial entre sócios da empresa. Um dos envolvidos ingressou com ação na Justiça solicitando reintegração ao quadro societário e pediu a interdição imediata da fábrica.
O argumento apresentado é de que o funcionamento irregular, aliado aos riscos estruturais e à recente explosão, coloca em perigo trabalhadores, clientes e moradores da região.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que, em situações como essa, a interdição pode ser determinada tanto por órgãos administrativos quanto por decisão judicial, especialmente quando há risco iminente à segurança coletiva.
Diante das irregularidades constatadas e do atentado, a fábrica pode enfrentar uma série de penalidades, incluindo multas, embargo das atividades e até o fechamento definitivo, caso não consiga se regularizar junto aos órgãos competentes.
O caso segue sob investigação e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias, tanto na esfera criminal quanto administrativa.