A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) realiza, nesta semana, um mutirão de cadastro voltado a criadores de abelhas no Nordeste paraense. A iniciativa é conduzida por equipes da Gerência de Rastreabilidade e Cadastro Agropecuário, que percorrem os municípios de Santarém Novo, São João de Pirabas, Primavera e Quatipuru para coletar dados dos criadores.
Integrantes de um importante polo de criação de abelhas, os municípios da Regional de Capanema receberão reuniões técnicas voltadas especificamente a apicultores (criadores de abelhas com ferrão) e meliponicultores (criadores de abelhas sem ferrão).
As atividades fazem parte do Programa Estadual de Saúde das Abelhas, que atende 15 municípios da região.
Cadastro- O mutirão começou em Santarém Novo, onde produtores atenderam ao chamado da Adepará. Para ampliar a adesão, a Gerência de Rastreabilidade e Cadastro Agropecuário definiu um cronograma de atendimento aos criadores. No município, que possui cerca de 30 criadores cadastrados, a programação incluiu também uma atividade educativa.
Segundo o agente fiscal agropecuário Hamilton Carvalho, o cadastro “é dinâmico e permanente. Vamos mobilizar os produtores para que procurem o escritório da Adepará. A partir disso, realizamos visitas às propriedades para georreferenciamento e vigilância, mantendo um contato constante com o produtor e garantindo uma defesa de qualidade”.
Sanidade das criações -A saúde das colmeias também foi tema central da programação. O médico veterinário Gerlan Alvarenga ministrou uma palestra técnica voltada à identificação de doenças de notificação obrigatória. O objetivo é capacitar os criadores para que saibam reconhecer sinais clínicos anormais nas colmeias e notifiquem a Agência imediatamente, evitando a propagação de enfermidades que possam comprometer a produção.
Ele também reforçou o uso do Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergências Veterinárias (Sisbravet), plataforma nacional que reúne notificações para atuação do serviço veterinário oficial. “Basicamente, abordamos as doenças bacterianas que podem impactar as colmeias, pragas que prejudicam o desenvolvimento das abelhas e a produção de mel e o risco do uso de agrotóxicos com efeito nas abelhas”, detalhou o veterinário.
Ferramenta de defesa -O cadastro agropecuário é uma ferramenta estratégica para a defesa sanitária. Por meio dele, é possível mapear os territórios, planejar ações de prevenção, controle e erradicação de doenças, além de realizar a vigilância nas propriedades e o georreferenciamento das áreas de criação.
As orientações sobre o processo foram repassadas pelo servidor Rômulo Albuquerque, da Gerência de Rastreabilidade e Cadastro Agropecuário (GRCA). Ele explicou o passo a passo para preenchimento do formulário e os documentos necessários.
De acordo com o técnico, a criação de abelhas permite maior flexibilidade em relação ao uso da terra. Criadores podem apresentar autorização formal para atuar em propriedades de terceiros, separando a documentação fundiária da autorização para exploração da atividade. "Estar cadastrado na Adepará é estratégia indispensável para proteger o plantel paraense contra pragas e doenças que podem dizimar apiários inteiros. Além da proteção biológica, o cadastro ajuda a formalizar a atividade, permitindo que o produtor obtenha o suporte necessário do órgão de defesa", ressaltou.
Após as palestras, a equipe da Adepará realizou o cadastramentoin locodos produtores . A iniciativa facilitou o acesso dos criadores ao serviço, desburocratizando o processo e garantindo que muitos já saíssem do encontro com sua situação devidamente regularizada.
Produção e incentivo -O meliponicultor Everton Melo participou do mutirão para atualizar seu cadastro. Ele mantém a criação em uma propriedade da família, onde o número de colmeias vem crescendo.
No ano passado, a produção chegou a 50 quilos de mel. Para este ano, a expectativa é de aumento, apesar de perdas recentes causadas pelas chuvas. “Acredito que, agora, a produção vai ser maior. Vou focar na produção de mel e de enxames para venda”, disse Everton.
Ele contou que começou na atividade por incentivo de vizinhos e, com o tempo, transformou o interesse em paixão. “Fui aprendendo cada vez mais, e hoje tenho vontade de expandir a criação e aumentar a produção”, acrescentou.