O terceiro e último dia do V Giro Cultural, realizado pela Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM), no Museu Municipal Francisco Coelho (MMFC) contou com a presença de 21 grupos de Divino Espírito Santo e de Folias de Santos Reis da região. A programação concentrou atividades pelas ruas da Marabá Pioneira, reunindo representantes de diferentes comunidades em torno da fé e da cultura popular.
Durante as apresentações, os grupos de Divino ocuparam a frente do museu com seus alferes, que conduziram danças ao som de cânticos tradicionais. A banda Waldemar Henrique, da FCCM, acompanhou toda a programação, com suporte musical às manifestações.
Para a presidente da FCCM, Thais Cariello, o evento evidencia o compromisso com a preservação cultural dos grupos.
“É um evento tão tradicional para a nossa cidade. Esses grupos, tanto do Divino quanto da Folia de Rei, são grupos muito tradicionais, centenários, a história deles até se confunde com a história da nossa cidade, e é muito importante a Prefeitura de Marabá, valorizar essa tradição e cultura da nossa cidade”, declarou a presidente da Fundação.
Doação de bandeira marca momento solene
Um dos pontos centrais do encerramento foi a doação de uma bandeira centenária do Divino Espírito Santo ao museu. O objeto foi recebido em um momento solene e, em seguida, erguido na sacada do prédio, como símbolo da permanência da tradição.
A coordenadora do museu, Lara Luz, destaca a participação dos grupos e a valorização da tradição religiosa e o seu devido reconhecimento.
“É um momento que envolve a confiança de 21 grupos de Divino Espírito Santo, tanto de Marabá quanto da região, que confiam em nós, esse momento de conexão de fé, de tradição familiar. Então os alferes, eles balançam as suas bandeiras, que simbolizam, muito além da religião, simbolizam a história das suas famílias, a sua relação com a comunidade, com a sua fé”, destacou a coordenadora.
Para Maria Luiza Kluck, presidente da associação de grupos de Divino Espírito Santo, o sentimento é de gratidão e honra em poder articular mais um ano da regra avô do Giro Cultural.
“Gratidão a esse evento que cada ano que passa está se tornando cada vez mais lindo, uma festa linda, e é uma honra pra gente fecharmos essa linda festa.
Maria Luiza viveu o V Giro Cultural de maneira atípica, com mobilizade reduzida, em cadeira de rodas, mas garantiu que o importante é manter a festa pulsante.
“Eu estou me sentindo assim, no primeiro momento muito emocionada. Eu estou passando por esse momento que espero que seja breve. Mas muito grata por eu estar aqui, poder estar aqui, vivendo esse momento tão lindo, declarou a presidente.
Folia de Reis e tradição familiar
Além dos grupos de Divino, o último dia contou com a participação das Folias de Santos Reis das irmãs Barbosa, do bairro Santa Rosa, e da família Zênite Rocha, do bairro Francisco Coelho. Os grupos entoaram seus cânticos tradicionais em frente ao museu, mantendo viva uma prática transmitida entre gerações.
Representando a Folia de Reis da família Zênite Rocha que existe há mais de 70 anos, Ana Luiza Rocha ressaltou o sentido da participação.
“Para a gente do Cabelo Seco (nome popular do bairro Francisco Coelho), para a nossa comunidade, é um prazer estar aqui todos os anos participando do Giro Cultural com a nossa Folia de Santo Reis. Então, é uma religiosidade que minha mãe fazia sempre, essa reza. E a gente não deixou morrer. A gente continua com essa tradição e a gente só tem gratidão pela Casa da Cultura, o Museu Municipal por ter nos convidado pra estar junto.
Romaria encerra programação na Marabá Pioneira
O encerramento do Giro Cultural, marcado pela romaria na orla da Marabá Pioneira, reuniu grupos e público em um percurso acompanhado por música e cânticos. A caminhada consolidou o caráter coletivo da celebração, unindo tradição, religiosidade e participação popular.
O V Giro Cultural no Museu firma o papel do município no apoio às manifestações culturais e religiosas garantindo espaço para que essas expressões sigam presentes na vida da cidade.
Lara Luz, coordenadora do museu, avalia positivamente as atividades desenvolvidas em 2026 no Giro Cultural.
“O giro cultural é um dos eventos mais esperados por nós. Um dos maiores da nossa vida institucional. Então, esse ano, conseguimos ampliar o alcance. Conseguimos ir desde uma valorização étnico-racial com a população Aikewara no museu, a valorização das lendas de Marabá, que vai muito além da popularização, mas de uma valorização como um sistema de conhecimento, como forma da sociedade de significar a relação com a natureza, com seus códigos éticos, mas de forma muito lúdica, muito integrada. muito lúdica, muito interessante para a criançada. E também um momento mais especial e mais de conexão, que a gente avalia, que a gente deixa totalmente livre a expressão dos divinos e da folia de reis”, avalia.
Texto: Derik Lopes
Fotos: Sara Lopes
Drone: Carlos Teixeira
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