O Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA), vinculado à Universidade do Estado do Pará (Uepa), teve sua trajetória institucional analisada em uma tese de doutorado defendida no dia 15 de abril, na Universidade de São Paulo (USP). O estudo foi elaborado pela pedagoga Dina Bandeira, que atua no CCPPA desde 2019, e investiga a evolução do setor educativo do espaço ao longo de três décadas.
Intitulada “Mostra-me a tua face, Museu: história do educativo do Centro de Ciências e Planetário do Pará (1995-2025)”, a pesquisa adota uma abordagem histórica para compreender o CCPPA a partir do seu viés educativo, considerando-o como Museu da Uepa.
O recorte temporal abrange desde a origem do espaço, em 1995, sua institucionalização pela Universidade, até o contexto atual. A análise identifica duas fases principais: de 1995 a 2012, quando o local era reconhecido como Planetário; e de 2012 a 2025, período em que assume a configuração atual como Centro de Ciências e Planetário do Pará.
Durante esse percurso, destaca-se a participação da pesquisadora na construção da terceira proposta educativa do Museu, estruturada em 2020, em conjunto com a equipe, no contexto da pandemia de Covid-19.
Motivação e objetivos da pesquisa
De acordo com Dina Bandeira, a escolha do tema está relacionada à sua vivência profissional e às reflexões surgidas no cotidiano do trabalho pedagógico.
“A escolha se deu pela atuação no setor educativo, pelas inquietações surgidas na prática pedagógica e pela necessidade de compreender historicamente esse espaço museal do tipo ciências e tecnologia”, afirma.
O objetivo central da pesquisa foi analisar a configuração histórica do setor educativo do Museu da Uepa, destacando suas funções e a relação com a Universidade, a partir das ações educativas desenvolvidas e das conexões entre ciência e saberes locais na Amazônia.
“De forma específica, a tese buscou mapear e sistematizar documentos institucionais de 1995 a 2025, analisar a influência da Uepa nos modelos pedagógicos adotados, examinar as relações entre ciência e saberes tradicionais e avaliar como as funções educativas foram concretizadas ao longo do tempo”, complementa.
Metodologia e fontes
O estudo foi desenvolvido a partir de um amplo acervo documental, incluindo atas, projetos, registros iconográficos, relatórios e legislações, que permitiram a reconstrução histórica do setor educativo.
A atuação profissional da pesquisadora no CCPPA também contribuiu para a análise. “A minha atuação profissional permitiu um ‘olhar de dentro’, no qual a prática pedagógica cotidiana tornou-se o próprio campo de investigação, por meio da pesquisa-ação estruturada no sexto capítulo da tese”, destaca.
Contribuições para a educação em museus
A pesquisa também evidencia uma lacuna na historiografia sobre o setor educativo do CCPPA e contribui para o fortalecimento da educação em museus na Amazônia.
Segundo a autora, o estudo “resgata e sistematiza três décadas de memória institucional que se encontravam fragmentadas, oferecendo uma fonte histórica inédita para o campo da educação em museus na Amazônia paraense”.
Com abordagem interdisciplinar, o trabalho problematiza as relações entre conhecimento acadêmico e saberes tradicionais, compreendendo o museu como um espaço que vai além da exposição científica.
“Trata-se de um ambiente em que as informações são apreendidas, questionadas e reinterpretadas, a partir de um olhar descolonizador sobre as ciências no contexto amazônico”, ressalta.
Nesse sentido, o CCPPA é definido como um museu universitário de ciências e tecnologia que reconhece a diversidade de seus públicos. “É um espaço que se transforma com seus visitantes, incluindo comunidades tradicionais, escolas do campo e ribeirinhas, além de públicos historicamente invisibilizados”, conclui a pesquisadora.