A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) promoveu, no município de Breves, no arquipélago do Marajó, um importante treinamento em saúde animal voltado à capacitação de servidores que atuam nos municípios abrangidos pela unidade regional.
A iniciativa foi conduzida por fiscais médicas veterinárias que integram os programas sanitários da defesa animal, com o objetivo de fortalecer a atuação das equipes na vigilância epidemiológica e no atendimento a notificações de suspeitas de doenças nos rebanhos.
A programação contou com dois dias de atividades teóricas e um dia de práticas em campo, além de avaliação final. Durante o treinamento, os participantes simularam atendimentos em propriedades rurais, realizaram coleta de material biológico de animais e conduziram inspeções em granjas, reforçando protocolos de atuação em situações reais.
No primeiro dia, a fiscal Glaucy Carreira abordou a vigilância para febre aftosa, destacando a importância da notificação imediata de suspeitas de doenças vesiculares, medida essencial para garantir a rápida atuação do serviço veterinário oficial na contenção de possíveis focos. A veterinária também reforçou a importância de executar os protocolos de biossegurança nas propriedades onde o serviço veterinário oficial realiza os atendimentos a notificação de suspeita de doença vesicular.
No segundo dia, a fiscal Susi Barros apresentou o programa de sanidade suídea, traçando um panorama da situação sanitária da cadeia no Estado. Foi destacado que o trânsito de suínos oriundos de áreas não livres é proibido, não sendo permitida a emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA) para essas regiões. A última ocorrência de peste suína clássica no Brasil foi no Piauí, Estado que continua registrando focos da doença. Atualmente, cerca de 95% da produção suídea nacional está concentrada em zonas livres da doença. No entanto, a área considerada não livre ainda corresponde a quase metade do território brasileiro, o que representa um entrave para o comércio.
A apresentação também abordou a situação epidemiológica do país e as ações do Ministério da Agricultura e Pecuária, em conjunto com as agências estaduais de defesa agropecuária, na execução do Plano Estratégico Brasil Livre de Peste Suína Clássica. Entre as estratégias, destaca-se a implantação, em 2025, da vigilância longitudinal integrada em criações de suínos não tecnificadas, incluindo a realização de inquérito soroepidemiológico em 275 propriedades no Pará no ano de 2026, além do monitoramento de propriedades classificadas como de maior risco para a doença. A meta é intensificar as ações de vigilância ativa no Estado.
A gerente de Defesa Animal, fiscal Samyra Albuquerque, detalhou diretrizes do Programa de Sanidade Avícola, abordando sobre cadastro, vigilância e atendimento a notificação das doenças alvo do programa, como influenza aviária e doença de Newcastle.
A etapa prática do treinamento foi realizada em propriedades rurais, onde os técnicos simularam atendimentos clínicos e situações de emergência zoossanitária, com uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Também foram realizadas visitas a granjas, com orientações aos produtores sobre a adoção de medidas de biossegurança.
No encerramento, a médica veterinária Samyra Albuquerque abordou a gestão de emergências sanitárias, com destaque para a criação de Centros de Operações de Emergência Zoossanitária (COEZOO), estruturas destinadas a coordenar as equipes de campo em situações críticas. A profissional reforçou o papel estratégico da defesa agropecuária na resposta a emergências que impactam os rebanhos. “A defesa agropecuária atua para restabelecer a condição sanitária do Estado após a ocorrência de uma emergência, portanto há necessidade da preparação do corpo técnico para uma eventual situação emergencial”, destacou.
Como etapa final, os participantes foram submetidos a dois tipos de avaliação para aferição dos conhecimentos adquiridos ao longo da capacitação. Foram avaliados em grupo por meio de um estudo dirigido de caso de suspeita de doença vesicular e síndrome respiratória e nervosa das aves, e num segundo momento, de forma individual, respondendo a questões objetivas de múltipla escolha.
“Quanto maior o nível de preparo, mais ágil será a resposta oferecida à sociedade pela defesa agropecuária, refletindo diretamente os resultados do trabalho realizado”, afirmou Wilson Santana, agente fiscal agropecuário atuante no município de Portel.
“Fomos amplamente orientados e capacitados pelo corpo técnico que se deslocou até o município, compartilhando o conhecimento de forma clara e objetiva. Agradeço pelo aprendizado adquirido e espero estar devidamente preparado para aplicar esses conhecimentos em eventuais situações de emergência sanitária”, afirmou Iorlandio Júnior, agente fiscal agropecuário do município de Afuá.