“A segurança das nossas comunidades aumentou 100%”, afirmou o pescador Manoel José, 74 anos, duas semanas após a entrega da Base Fluvial Baixo Tocantins pelo ex-governador Helder Barbalho, no dia 25 de março. A estrutura fica nas adjacências do município de Abaetetuba, no Nordeste do Pará, e tem como objetivo intensificar a fiscalização e a segurança na malha hidroviária paraense.
Instalada às margens do rio Tocantins, em frente à comunidade Santo Antônio, em um ponto considerado crucial para o escoamento de cargas e o transporte de passageiros, a base já demonstra resultados, com a realização de diversos atendimentos a comunidades ribeirinhas, além de fiscalizações com abordagens preventivas a embarcações e passageiros, bem como apoio a investigações.
Segundo Manoel, que já foi vítima de ações criminosas nos rios da região, as ações realizadas pelas forças integradas de segurança já demonstram uma sensação positiva entre moradores, passageiros e pescadores. “Moro aqui desde que nasci, e a base fluvial trouxe um alívio para mim e para nossas famílias, porque eu perdi duas rabetas, assim como outras pessoas, mas hoje estou mais tranquilo”, disse.
Operação Leviatã
Na madrugada desta terça-feira (7), foi deflagrada a mais recente ação integrada das forças de segurança: a “Operação Leviatã”, realizada pelo Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu) e pelas Polícias Civil e Militar, na zona ribeirinha de Igarapé-Miri. O objetivo foi desarticular o grupo criminoso apontado como responsável pelo latrocínio de um idoso, no dia 23 de março, no rio Panacauera.
Durante a ação, dois homens foram presos. Um deles também foi autuado por tráfico de drogas e por posse ilegal de arma de fogo e munições, após ser flagrado com um revólver calibre .44 e munições sem autorização legal. Um terceiro suspeito foi baleado após atirar contra os agentes de segurança. Os dois presos foram encaminhados à Delegacia de Polícia para os procedimentos cabíveis.
O major PM Nazareno, do GFlu, comandou a operação. “A Base Fluvial Baixo Tocantins chega exatamente para dar essa resposta rápida e fazer frente à criminalidade que atuava nessa região, com práticas de pirataria, furtos, invasão de residências e ataques a comunidades ribeirinhas. E a população já sente essa confiança e ajuda o nosso trabalho com informações importantes”, disse.
Combate à criminalidade
De acordo com o titular da Segup, Ed-Lin Anselmo, a atuação nas rotas fluviais é fundamental para desarticular crimes transfronteiriços. A região de Abaetetuba, próxima ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, é sensível por ser um dos últimos pontos de controle antes do acesso a rotas internacionais, tornando o monitoramento indispensável para a soberania do território paraense.
“Os rios são utilizados como rotas para o tráfico de drogas, armas e animais; portanto, estamos com fiscalização 24 horas nesses pontos para levar mais segurança a todos. Nossa presença permanente não apenas combate esses ilícitos, mas também leva cidadania, oferecendo espaços para atendimentos de saúde e educação às populações locais”, destacou o secretário.
Expansão da segurança fluvial
A Base Baixo Tocantins integra o conjunto de outras duas unidades já em operação no Estado: a primeira é a Base Antônio Lemos, localizada no distrito de mesmo nome, em Breves, no arquipélago do Marajó, entregue à população em 2022, com investimento de R$ 5 milhões; e a Base Candiru, instalada no estreito de Óbidos, na região do Baixo Amazonas, entregue em 2024, ao custo de R$ 8,2 milhões.
Juntas, as estruturas reforçam a estratégia da segurança pública do Pará de ampliar o monitoramento e a fiscalização nos principais eixos hidroviários do Estado, utilizados tanto para o deslocamento de pessoas quanto para o transporte de mercadorias entre municípios paraenses e outros estados da região amazônica.
Aos 50 anos, 23 deles vividos na comunidade Igarapé Areia, João Batista contou que a Base Baixo Tocantins foi um presente para todos. “Entrou governo, saiu governo, e nenhum deles conseguiu trazer esse importante instrumento de segurança para a região. Mas foi neste governo que pudemos sonhar em ter uma vida mais tranquila, para a gente e nossos filhos”, declarou o pescador.
Resultados
Desde a entrega, a Base Antônio Lemos já resultou na apreensão de mais de 4,6 toneladas de entorpecentes e de 61 armas de fogo ilegais. No mesmo período, 83 pessoas foram presas por diferentes tipos de crimes. As ações de fiscalização também resultaram na apreensão de 21,9 toneladas de pescado e de 6,1 mil metros cúbicos de madeira transportados de forma irregular.
Na Base Candiru, os resultados também foram expressivos, com a apreensão de mais de 2 toneladas de drogas, 15 armas de fogo ilegais e a prisão de 50 pessoas. No combate ao transporte irregular de mercadorias, os agentes também apreenderam mais de 19,9 toneladas de pescado.
Atuação integrada
A localização das unidades permite o monitoramento integrado das principais rotas fluviais utilizadas por organizações criminosas para o transporte de drogas e outros ilícitos. A atuação ocorre de forma conjunta, envolvendo as polícias Civil, Militar e Federal, o Corpo de Bombeiros Militar, o Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu), além de servidores da Secretaria da Fazenda (Sefa) e da Receita Federal.
As estruturas foram planejadas para garantir funcionalidade e suporte às atividades operacionais, com ambientes como recepção, dormitórios, banheiros, cozinha, sala de monitoramento e duas celas. Para facilitar o acesso, também foram instaladas passarelas articuladas, permitindo a chegada tanto por embarcações quanto por via terrestre, o que amplia a integração logística e a mobilidade das equipes.
Com a implantação das três Bases Fluviais de Segurança Pública, o governo do Estado amplia a presença das forças de segurança nas principais rotas hidroviárias do Pará, fortalecendo o monitoramento e a fiscalização em pontos estratégicos. As estruturas integram a estratégia de enfrentamento ao crime organizado nos rios e reforçam o controle sobre o fluxo de embarcações em todo o território paraense.