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Governo fortalece atendimento ao autismo e qualifica servidores em todas as regiões do Pará
Com a inauguração da unidade em Santarém, Pará chega a sete centros especializados; estratégia foca na descentralização do atendimento e na formaçã...
07/04/2026 08h24
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), através da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa), está investindo na ampliação do atendimento para a população neurodivergente por todo o Pará. Entre as iniciativas do governo do Estado estão a criação de novos Núcleos de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Nateas) e a capacitação de profissionais de saúde mental em cursos promovidos pela Escola Técnica do SUS (ETSUS) “Dr. Manuel Ayres”.

“A dimensão territorial do Estado do Pará se apresenta como um desafio para a administração pública, que precisa atender uma população de mais de oito milhões de pessoas, num Estado que é maior, em área, que a região Sudeste inteira. E quando falamos de atenção à saúde, sabemos que é preciso nos fazer presentes, para que a população tenha o cuidado que merece”, disse a governadora Hana Ghassan.

Para o secretário de Estado de Saúde, Ualame Machado, o desafio territorial pode ser vencido com a expansão da rede de atendimento e a qualificação dos profissionais de saúde. "Iniciamos o mês de abril, que é tão importante para discutirmos a inclusão e os direitos das pessoas neurodivergentes, com a entrega do sexto Natea. Com esta nova unidade, instalada em Santarém, o governo do Pará proporciona atendimento para diversas famílias do Baixo Amazonas. Ao mesmo tempo, seguimos qualificando equipes e entregando carteiras de identificação, que são essenciais para que a gestão pública saiba quem são e onde estão as pessoas atípicas do Estado, de modo que possamos planejar e ampliar os serviços ofertados com eficiência”, destacou.

“Neste mês em que o planeta celebra o Dia Mundial de Conscientização para o Autismo, o governo do Pará investe na interiorização, inaugurando Nateas em municípios-polo e oferecendo cursos de qualificação para que os profissionais de saúde mental estejam capacitados nas técnicas mais modernas, baseadas em evidências científicas, para diagnosticar e cuidar das pessoas que estão no espectro do autismo. Queremos que esta comunidade tenha autonomia, e entendemos que esta autonomia só pode ser construída com a união e parceria entre os poderes e a sociedade civil”, disse a coordenadora da Cepa, Brenda Maradei.

Expansão da rede

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Neste mês de abril, o governo do Pará inaugurou um Natea no município de Santarém, para atender aos municípios da região do Baixo Amazonas, como Alenquer, Almeirim, Belterra, Curuá, Faro, Juruti, Mojuí dos campos, Monte alegre, Óbidos, Oriximiná, Prainha e Terra Santa.

“O novo Natea Baixo Amazonas tem capacidade para atender 150 usuários por mês, provendo assistência necessária para as famílias de Santarém e região que, até o momento, não dispunham de um centro de tratamento público voltado para as pessoas neurodivergentes”, celebra Brenda Maradei.

Com a construção do Núcleo Baixo Amazonas, o governo do Pará chega a sete unidades especializadas em tratamento do autismo vinculadas à Secretaria de Saúde. “Estamos presentes em Tucuruí, Capanema, Santo Antônio do Tauá e Marabá, além de termos duas unidades em Belém: o Natea e o Cetea, que também funciona como centro de formação de profissionais de saúde mental, e ainda temos planos de inaugurar duas novas unidades ainda no ano de 2026, para atender as comunidades da região do Xingu e da ilha do Marajó”, explica a coordenadora.

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Qualificação do profissional de saúde

Além da expansão dos núcleos especializados, o governo do Pará também investe na capacitação dos profissionais de saúde mental através da ETSUS, que oferta cursos em diversos eixos formativos relacionados ao transtorno do espectro autista - sempre com grande procura por profissionais do interior do Estado.

É o caso de Elizeu Corrêa Júnior. Ele, que é fisioterapeuta e pedagogo, atua no município de São Sebastião da Boa Vista, na ilha do Marajó, e veio até Belém participar de uma formação sobre Princípios da Análise do Comportamento Aplicada e VB-MAPP. “No meu município, a demanda por atenção à saúde mental e suporte ao autismo tem aumentado bastante, especialmente nos últimos anos. Há uma procura significativa por atendimentos especializados, principalmente no público infantil. O curso da ETSUS contribuiu de forma muito importante para minha formação, trazendo conteúdos atualizados e alinhados à realidade do SUS, especialmente no contexto da interiorização. Ele ampliou minha visão sobre o cuidado em saúde mental e no autismo, reforçando a importância do trabalho em rede, da interdisciplinaridade e de práticas baseadas em evidências no atendimento”, relata.

“Nas formações que temos feito, perto de 80% dos técnicos são atuantes fora da capital. De municípios próximos, como Barcarena, mas também mais afastados como de Cachoeira do Arari”, pondera a psicóloga Carolina Moraes Dourado, que é doutora em Teoria e Pesquisa do Comportamento e atua como professora da ETSUS.

De acordo com a professora, ao concluir os cursos da ETSUS estes alunos saem com mais do que uma qualificação pessoal: eles saem com a capacidade de, ao retornar para seus municípios de origem, propagar o conhecimento adquirido. “O que esses profissionais estão aprendendo hoje faz parte de um esforço grandioso do governo do Estado, representado pela Cepa, ETSUS e Cetea, para expandir a formação de alta qualidade e o atendimento da pessoa no transtorno do Espectro Autista e a suas famílias. Temos encontrado profissionais bastante motivados e aproveitando a oportunidade de levar intervenção baseada em evidência científica e, assim, transformar o atendimento e as orientações de modo acessível a esse público. Após a formação, eles estão aptos a atender nas bases da ciência Análise Aplicada do Comportamento e compartilhar com outros membros da equipe e orientar os usuários de seus serviços”, afirma.

“Pretendo atuar como agente multiplicador. Acredito que compartilhar o conhecimento adquirido é fundamental para fortalecer a rede de atenção à saúde no município, especialmente em regiões do Marajó. Minha intenção é contribuir com outros profissionais, ajudando a qualificar ainda mais o cuidado oferecido às pessoas com diagnóstico de autismo e suas famílias”, completa Elizeu Júnior.

Segundo a diretora da ETSUS, Elizeth Braga, a qualificação de profissionais de saúde em diversos municípios é um dos pilares da saúde pública do Brasil. “A educação em saúde descentralizada no Brasil é um dos pilares do SUS, uma vez que redistribui responsabilidades para Estados e, principalmente municípios, aproximando ações educativas da realidade local, não sendo apenas informativa, mas um processo de transformação, criando uma consciência crítica, para resolver problemas de saúde coletiva, resultando em diminuição de readmissões hospitalares, aumentando a eficiência, melhorando o acesso e qualidade dos serviços de saúde”, conclui.