Reflexo da efetividade das políticas públicas aplicadas pelo Estado desde a implantação da Política Estadual dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em 2020, ao longo dos últimos seis anos o governo do Estado registra crescimento contínuo no número de alunos com TEA matriculados na rede estadual de ensino e de capacitações realizadas com professores e corpo acadêmico na área especializada.
Em 2020, eram 1.611 alunos matriculados e, em 2025, 5.345 estudantes, o que representa um crescimento de 231%. Além de ressaltar as qualificações do corpo docente e técnico para atender a essa demanda, registrando a participação de mais de 7,5 mil profissionais em capacitações na área, realizadas entre 2020 e março de 2026, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc).
“Hoje, a rede estadual de ensino conta com mais de 15 mil estudantes regularmente matriculados com algum tipo de deficiência ou transtorno. A nossa principal missão é promover a inclusão, garantindo que esses alunos sejam acolhidos, respeitados e, sobretudo, tenham acesso ao processo de ensino-aprendizagem de acordo com suas especificidades e potencialidades”, ressalta a titular da Coordenadoria de Educação Especial (Coees) da Seduc, Denise Corrêa.
O aumento no quantitativo de estudantes com TEA se deve ao incremento na promoção de políticas, facilitando o acesso ao laudo médico, o diagnóstico e atendimento precoce e a garantia de matrícula na rede pública de ensino.
Estratégico -Os Centros de Atendimento Educacional Especializado (Caees) são instituições vinculadas à Seduc, responsáveis pelo atendimento de estudantes com necessidades educacionais específicas por meio de ações pedagógicas educacionais e de inclusão social, são estratégicos nesse crescimento. A diretora do Caee Belém, Eliana Celino, destaca que são disponibilizados diversos serviços para os estudantes e mesmo para a família que acompanha os alunos para as atividades.
“Além da avaliação especializada realizada com cada aluno, para entender as necessidades deles, oferecemos diversas atividades de psicomotricidade ou pedagógicas que buscam garantir melhor modulação sensorial, mais autonomia e a alfabetização de cada um. Atualmente, atendemos 290 crianças matriculadas, das quais 150 são autistas. Também temos um núcleo de aliança familiar, no qual atendemos também os responsáveis, que participam de oficinas enquanto aguardam as crianças”, explica a diretora.
Mãe de Anderson, 9 anos, e Wanderson Candeira, 14 anos, ambos atendidos no Caee, a dona de casa Lucélia Santos celebra a oportunidade de desenvolvimento dos filhos. “Vejo muitas transformações, especialmente, na vida do Wanderson, que é autista, a partir das atividades do Centro, como a melhor postura, mais autonomia e o desenvolvimento de habilidades. Ele é muito estimulado e incentivado pelos professores, eu fico muito feliz e orgulhosa de ver a relação que constroem e do progresso dele, além de me emocionar com o acolhimento que eu também recebo pelos profissionais daqui”, conta.
Um dos desenhos feitos por Wanderson se tornou estampa da camisa dos profissionais do CAEE. “O desenho da blusa é um girassol representando várias deficiências, eu fiz com lápis e papel e pensei como um esboço, não tinha essa intenção e acabou se tornando a camisa, porque a professora gostou. É muito importante o trabalho do Centro para o desenvolvimento de alunos que têm dificuldades em certas partes, como a comunicação e a postura”, finaliza Wanderson.