Projetos que aliam inovação, sustentabilidade e protagonismo estudantil são desenvolvidos nas escolas da rede pública estadual e nas Usinas da Paz do Pará, com destaque para a robótica educacional. O Estado conta com mais de 20 clubes de robótica, frutos de investimentos do governo na educação tecnológica paraense.
Em Ananindeua, a Escola Estadual Oneide de Souza Tavares é um dos destaques na área, com reconhecimento em eventos científicos de relevância regional e nacional. A professora de inglês Márcia Corrêa, responsável pela matéria eletiva, conta que as experiências no projeto impulsionam melhorias dentro da sala de aula.
“Todos os alunos da robótica melhoraram o desenvolvimento nas disciplinas, com mais foco na aula, organização, criatividade e autonomia. Já apresentamos nossos projetos na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, na COP30, premiados na Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto Açaí, o que garantiu nosso credenciamento para a Feira de Ciências do Rio Grande do Norte neste ano”, ressalta.
Além do projeto Econault, voltado para a inovação sustentável para transporte e monitoramento na Amazônia Paraense, a escola desenvolve o projeto “Minigerador Emergencial”, voltado para auxiliar durante as quedas de energia nas comunidades remotas da Amazônia paraense. A ideia surgiu a partir da vivência do aluno Júlio Gomes, 18 anos, a partir da realidade da casa da avó em Santa Maria do Baixo Acará.
“Uni a necessidade dela e de várias famílias no interior, com um dos assuntos que estão em pauta, atualmente, que são as energias renováveis. Optamos por energia solar, já que o objetivo do projeto era conseguir uma solução viável para as comunidades. A robótica vem para tentar resolver esses problemas com a inovação e tecnologia, essa possibilidade foi uma das coisas que me motivou a entrar para o projeto. As oportunidades vividas aqui na escola transformaram a minha vida”, celebra.
Tecnologia
Além da ampliação da conectividade nas escolas e da chegada de equipamentos digitais, como notebooks e Chromebooks, que passaram a fazer parte do cotidiano de estudantes e professores, a inovação educacional também avança com a implantação dos Centros de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica (Ciseb) em Belém, Santo Antônio do Tauá, Tailândia, Ipixuna do Pará e Tomé-Açu.
“Esses espaços funcionam como verdadeiros laboratórios de inovação dentro das escolas. Neles, os estudantes têm contato com robótica educacional, programação, cultura maker e desenvolvimento de projetos tecnológicos, sempre a partir de desafios reais e metodologias mão na massa. O mais importante é que esses ambientes estimulam o protagonismo dos jovens. Eles deixam de ser apenas usuários de tecnologia e passam a ser criadores, desenvolvendo soluções, protótipos e ideias que muitas vezes dialogam diretamente com os desafios das suas próprias comunidades”, explica o diretor de inovação da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), Rafael Herdy.
A professora premiada Aldelice Dias representou o Pará na Olimpíada Brasileira de Robótica, no Espírito Santo, e, também, na Nacional, em São Paulo, no Torneio Césio de Robótica. “É muito importante para a gente receber esse apoio e investimento, porque sendo de escola pública, os alunos dificilmente teriam oportunidade de participar de um evento como esse. A iniciativa impulsiona o interesse por áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática, alinhada com a educação do futuro e o aprendizado prático”, pontua.
Concluinte dos cursos de Robótica, Informática e Modulagem 3D na Usina da Paz Cabanagem, Samuel dos Santos, 24 anos, celebra o avanço no aprendizado. “Eu não sabia sequer ligar um computador e hoje em dia, por meio do curso, eu mexo muito bem com robótica e tecnologia. Só tenho a agradecer a Usina, ao professor e a esse programa do Governo, que pra mim foi uma grande oportunidade mesmo, que mudou a minha vida”, finaliza.
Alcance - Como resultado dos investimentos em educação tecnológica, o Pará contabilizou, em 2025, a certificação de mais de 1,6 mil alunos em cursos de programação e robótica, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet).