A ciência produzida no interior do Pará ganha destaque nacional com a participação de estudantes da rede pública estadual na 24ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada este mês na Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Os alunos, Rafael Silva, do Instituto Federal do Pará (IFPA) campus Abaetetuba; e Hilary Costa, da Escola Estadual Rural de Igarapé-Miri, representaram o Pará, no evento, a partir do projeto “Elevador Ribeirinho: Acessibilidade e Inclusão na Amazônia”.
A proposta consiste em uma tecnologia social voltada a melhorar o acesso de idosos, gestantes e pessoas com deficiência a trapiches e embarcações em regiões ribeirinhas, onde a variação da maré dificulta a mobilidade.
Desenvolvido a partir da realidade amazônica, o projeto propõe uma estrutura com base flutuante e uso de energia solar, buscando oferecer uma solução acessível e sustentável para comunidades que dependem do transporte fluvial.
Além do desenvolvimento técnico, a iniciativa já apresenta viabilidade prática: o projeto conquistou uma emenda parlamentar no valor de R$ 150 mil para a instalação de uma unidade piloto no porto de Abaetetuba.
Experiência que transforma
Para a estudante Hilary Costa, a participação na feira também representa uma conquista pessoal. Moradora da comunidade ribeirinha do Rio Pindobal Grande, em Igarapé-Miri, ela realizou pela primeira vez uma viagem de avião para participar do evento.
“Vir a São Paulo pela primeira vez é um sonho. Representar minha escola, minha comunidade ribeirinha e o Pará mostra que a nossa realidade e as nossas soluções têm valor para todo o Brasil”, destaca.
O estudante Rafael Silva também ressalta a importância da troca de experiências proporcionada pela Feira. “Participar da Febrace é uma oportunidade única de aprendizado. Estamos mostrando que o nosso projeto não é apenas uma ideia, mas uma solução real que pode transformar a vida de muitas pessoas”, afirma.
Da ideia à solução
O projeto surgiu a partir da observação de um problema enfrentado diariamente por comunidades ribeirinhas, o que reforça o caráter social da iniciativa. “O Rafael teve a ideia ao perceber a falta de acessibilidade para moradores da zona ribeirinha, especialmente, pessoas com mobilidade reduzida. A Hilary foi integrada ao projeto justamente por vivenciar essa realidade, o que fortaleceu ainda mais a pesquisa”, explica o professor Gilberto Silva.
Incentivo à iniciação científica
O projeto é orientado pelos professores Gilberto Silva e Maria Deusa Silva. Eles destacam o papel da iniciação científica na formação de estudantes protagonistas, capazes de desenvolver soluções a partir das demandas de seus territórios.
“A importância do Estado investir na educação, principalmente, na área de iniciação científica, é que hoje a gente já olha para isso como um empreendedorismo. Os alunos não fazem mais projetos só para participar de feiras, mas para resolver um problema real. E, muitas vezes, essa solução vira um produto ou um serviço. A gente incentiva eles a criarem startups, a pensarem em transformar essas ideias em empresas”, explica o professor Gilberto Silva.
A participação dos alunos na Febrace reforça a importância do investimento em ciência, tecnologia e inovação na educação pública, além de destacar o potencial da juventude paraense na produção de soluções que dialogam com os desafios da região amazônica.
Texto de Taynara Gomes, com supervisão de Lilian Guedes / Ascom / Seduc