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Pará impulsiona cadeia do cacau com incentivo à produção e fomento à exportação
Estado responde por mais da metade da produção brasileira, alcançando 140 mil toneladas anuais e conquistando medalhas de ouro em premiações intern...
25/03/2026 09h14
Por: Redação Fonte: Secom Pará

Eleito o maior produtor de cacau do Brasil, respondendo por mais da metade da produção nacional, o Pará fortalece, cada vez mais, o protagonismo na área, a partir de ações do governo do Estado, sobretudo por meio do incentivo à cadeia produtiva e da promoção de garantia da segurança e da qualidade do produto paraense. O crescimento da produção influencia diretamente na economia do Estado e na geração de renda para os produtores paraenses, principalmente, agricultores familiares.

Um dos principais papéis da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuária e da Pesca (Sedap) na cadeia é a divulgação do cacau paraense, com o apoio em eventos voltados para impulsionar o fruto no Brasil e internacionalmente. Nesses festivais, os produtores levam tanto amêndoas de cacau como chocolates artesanais, geleias, nibs, licores, doces, polpa de cacau e compotas.

Há também o repasse de recursos do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva Cacauicultura no Pará (Procacau) para órgãos que garantem apoio técnico; a produção de sementes híbridas e suporte, de modo geral, à produção, além do mapeamento e monitoramento das áreas agricultáveis com cacau, por meio de imagens e sensores remotos de alta resolução.

“A cadeia do cacau atende 34 mil produtores que produzem cacau no Estado e 95% deles são da agricultura familiar. O Pará hoje é o maior produtor de cacau do Brasil, produzindo amêndoas de qualidade, em torno de 140 mil toneladas por ano. Além do fomento da cadeia, através de recursos do FunCacau, levamos também o produtor para participar de eventos nacionais e internacionais, como aconteceu agora em Amsterdã, em que dois produtores do Pará conquistaram medalha de ouro com a melhor amêndoa das Américas”, celebra o coordenador do Procacau, Ivaldo Santana.

A produtora de cacau de Brasil Novo, Jiovana Lunelli, desde criança acompanhava os pais, também produtores da região, em cursos e programas de assistência técnica do Estado. Recentemente, com o apoio da Sedap, participou de diversos eventos, nacionais e internacionais, inclusive o Salão do Chocolate em Paris.

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“Esses espaços dão para a gente visibilidade e nossos produtos vão muito mais longe. Hoje, já produzo geleia, licor, castanhas drageadas, nib de cacau, creme de castanha, cookies, brownies e chocolate, incrementado também com cupuaçu, cumaru e babaçu. Com apoio estadual, ampliamos a produção e conquistamos reconhecimento como selo da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará, que certifica a produção de alimentos, garantindo higiene, qualidade e segurança ao consumidor”, pontua.

Por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, foram entregues, via Sedap, cinco escolas das indústrias nos municípios de Igarapé-Miri, Medicilândia, Altamira, Castanhal e Tomé-Açu, e uma unidade móvel que viaja em municípios interessados em capacitar empreendedores para fazer chocolates e derivados.

Assistência
A coordenadora técnica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Cristiane Corrêa, explica que o órgão desenvolve ações estruturadas de assistência técnica e extensão rural voltadas ao fortalecimento da cacauicultura no Estado, com foco no serviço especializado, que inclui acompanhamento técnico continuado aos produtores, orientação sobre manejo, tratos culturais e boas práticas agrícolas, implantação e renovação de áreas de cacau, qualificações, organização e comercialização, além do incentivo à agregação de valor e à inserção em mercados institucionais.

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“No ano de 2026, está planejado atender cerca de duas mil famílias da agricultura familiar diretamente na cadeia produtiva do cacau. Esse atendimento vai ocorrer em diversas regiões do Estado, com prioridade para aqueles territórios que são estratégicos para a cacauicultura. As capacitações que serão realizadas como metas, nós teremos mais de 80 capacitações específicas para a cadeia do cacau, cursos presenciais e oficinas. O apoio da Emater Pará à cadeia do cacau está estruturado de forma estratégica para aumentar a produtividade com sustentabilidade, elevar a renda das famílias, fortalecer a bioeconomia, reduzir o desmatamento com sistemas produtivos sustentáveis e consolidar o cacau como um vetor estratégico do desenvolvimento rural do Pará”, sinaliza.

Atendido pela Emater, o produtor de Castanhal, Osny Ramos, vem se especializando na produção de amêndoas finas de cacau. “Ganhamos o concurso do Festival de Chocolate do Pará e isso nos dragou para o mundo do chocolate. Estamos em fase de implantação de uma pequena fábrica de chocolate, chamada Calpé Cacau e Chocolate, e o governo tem sido um grande parceiro nessa caminhada, tanto através dos eventos, quanto através do apoio técnico, ofertado pela Emater e dos órgãos de extensão rural”, diz.

Defesa fitossanitária
Um dos maiores desafios fitossanitário atuais é evitar a entrada da Monilíase do cacaueiro (Moniliophthora roreri) no território paraense e a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) atua na realização de levantamentos de detecção em municípios produtores e em rotas de risco; fiscalização rigorosa do trânsito de frutos e mudas de cacau; capacitação de produtores para que saibam identificar precocemente sintomas de pragas e notificar a Agência imediatamente; além do reforço na aquisição de equipamentos e contratação de pessoal para as forças-tarefa de prevenção.

“O Pará vive um momento de protagonismo mundial no cacau, e a Adepará trabalha diuturnamente para que esse crescimento seja sustentável e seguro. Nossa prioridade absoluta é manter o Estado livre da Monilíase. Atuamos com vigilância constante nas fronteiras e um trabalho educativo muito forte com o produtor rural. Garantir a sanidade das lavouras não é apenas uma questão técnica, é proteger a economia de milhares de famílias paraenses e assegurar que o nosso chocolate continue sendo reconhecido pela pureza e qualidade superior no mercado internacional”, ressalta o gerente de Defesa Vegetal da Adepará, Rafael Haber.

Reconhecimento
Os produtores da Região de Integração do Xingu, Leomar Vieira, de Medicilândia, e Gilmar Batista, de Uruará, conquistaram o ouro no concurso de melhor cacau do mundo. A premiação foi realizada em fevereiro, em Amsterdã, na Holanda. O "Cacau de Excelência" reúne as 50 melhores amêndoas do planeta e faz uma seletiva de quais são as "melhores entre as melhores".