A Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec) promoveu, nesta segunda-feira, 23, uma agenda de aproximação entre empresas com atuação na cadeia produtiva do açaí e na bioeconomia, voltada à apresentação de uma proposta para o aproveitamento do caroço do fruto. A iniciativa marca o início das tratativas para avaliação técnica e institucional de possíveis parcerias.
Realizada em formato híbrido, a reunião reuniu representantes da Flor de Açaí, empresa responsável pela operação da marca Oakberry no Pará, empreendimento incentivado pelo Governo do Estado e com apoio institucional da Codec, e da Actus Consultoria, em um ambiente direcionado à integração entre o setor produtivo e soluções inovadoras.
Durante o encontro, Wander Oliveira, da Actus Consultorias e Projetos, apresentou ao diretor-geral da Flor de Açaí, Carlos Alberto Brito Soares, uma proposta voltada à produção de biochar (biocarvão) amazônico a partir do caroço do açaí. O material possui potencial de aplicação na recuperação de áreas degradadas, melhoria da fertilidade do solo, fortalecimento de sistemas agroflorestais e geração de créditos de carbono.
A proposta incide sobre um dos principais desafios da cadeia produtiva do açaí no Estado, relacionado ao elevado volume de resíduos gerados após o processamento do fruto. No Pará, maior produtor mundial, o caroço representa a maior fração do açaí processado, o que reforça a necessidade de soluções capazes de converter esse passivo ambiental em ativo econômico.
Inserida no contexto da bioeconomia, a iniciativa aponta para novas possibilidades de uso sustentável dos recursos da biodiversidade amazônica, associando conhecimento técnico, inovação e agregação de valor a cadeias produtivas já consolidadas.
Ao longo da reunião, foram debatidos aspectos considerados estratégicos para a viabilidade da proposta, entre eles a caracterização dos compostos presentes no caroço do açaí, validação científica, certificações laboratoriais, modelagem de negócio e estratégias de captação de recursos.
A avaliação da Codec é que propostas dessa natureza dialogam diretamente com uma agenda de desenvolvimento econômico alinhada às potencialidades do Pará, especialmente ao promover o aproveitamento de resíduos, a agregação de valor a cadeias produtivas já consolidadas e a abertura de novas oportunidades a partir da sociobiodiversidade amazônica.
Para o diretor de Atração de Investimentos da Codec, Manoel Ibiapina, iniciativas voltadas ao reaproveitamento do caroço do açaí reforçam o potencial de diversificação da economia paraense.
“O açaí é uma cadeia com escala produtiva, inserção internacional e elevada relevância econômica para o Estado. Projetos que ampliam o aproveitamento do caroço e o transformam em novos insumos contribuem para expandir o alcance dessa atividade e gerar novas oportunidades de negócio. A atuação da Codec está voltada à promoção de um ambiente favorável aos investimentos, estimulando o diálogo entre os agentes envolvidos dentro de suas atribuições institucionais.”
O diretor-geral da Flor de Açaí, Carlos Alberto Brito Soares, destacou o interesse da empresa em avançar na avaliação de soluções que ampliem o aproveitamento da cadeia produtiva. “O volume de caroço de açaí é expressivo e ainda pouco aproveitado. Há potencial dentro de uma lógica de economia circular, mas é essencial compreender tecnicamente o produto, validar seus componentes e estruturar adequadamente a proposta para que ela possa evoluir com segurança.”
Representando a Actus, Wander Oliveira ressaltou a relevância da agenda promovida pela Codec.“A aproximação institucional é fundamental para avançarmos no diálogo com empresas que já atuam na cadeia e identificar caminhos consistentes para o desenvolvimento do projeto.”
Participaram da agenda, pela Codec, a gerente de Atendimento a Novos Negócios, Sabrina Sena; a assessora da Diretoria de Atração de Investimentos, Lorena Aguiar; o gerente de Comércio Exterior, Eduardo Rodrigues; e o assessor da Diretoria de Estratégia e Relações Institucionais, Evandro Diniz.
Também participaram o empresário Michel Pidner, responsável pela área onde está prevista a implantação da proposta, e a sócia da consultoria, Marlucia Oliveira.
O encontro marcou o início de um processo de interlocução entre os participantes, que seguirão em tratativas diretas para aprofundamento técnico e avaliação da viabilidade da iniciativa.