O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) promoveu, neste sábado (14), uma reunião com moradores e agricultores da Área de Proteção Ambiental (APA) Paytuna, em Monte Alegre, na região do Baixo Amazonas, para discutir ações voltadas à regularização territorial e ao fortalecimento da agricultura familiar na região. O encontro reuniu dezenas de comunitários e marcou mais um passo no diálogo entre o órgão ambiental e as populações do entorno da unidade de conservação.
Durante a reunião, o Instituto anunciou o início do processo de georreferenciamento na área, iniciativa considerada estratégica para reconhecer os limites da unidade de conservação e identificar os confrontantes. O trabalho busca ajustar as divisas da área protegida e das propriedades rurais localizadas no entorno, contribuindo para reduzir conflitos fundiários históricos e trazer maior segurança para as famílias que vivem na região.
Além do avanço técnico, o órgão também informou que irá disponibilizar um trator mecanizado para apoiar as atividades produtivas da comunidade. A medida visa fortalecer a agricultura familiar local, ampliando as condições de trabalho dos agricultores e incentivando práticas sustentáveis compatíveis com a conservação ambiental.
A reunião contou com a presença da assessora de Gestão do Ideflor-Bio, Lena Pinto, do gerente da Região Administrativa da Calha Norte I, Itajury Kishi, além de técnicos do Instituto e lideranças comunitárias. O encontro também contou com a participação da analista ambiental Samyra Neves, responsável pela coordenação técnica dos trabalhos de georreferenciamento.
Compromisso -Segundo Lena Pinto, a iniciativa reforça o compromisso do governo do Pará com a escuta ativa das comunidades e com a construção de soluções compartilhadas para a gestão das unidades de conservação. “Esse diálogo é fundamental para que possamos alinhar as necessidades das comunidades com os objetivos de conservação ambiental. O georreferenciamento é uma ferramenta importante para garantir segurança territorial e fortalecer a relação das famílias com o território onde vivem”, destacou.
De acordo com Itajury Kishi, a proximidade entre a equipe técnica e os moradores tem sido essencial para o sucesso das ações. “O fato de termos servidores que conhecem a realidade local facilita o diálogo e ajuda a construir confiança. Nosso objetivo é garantir que o processo aconteça de forma transparente e participativa, trazendo benefícios tanto para o parque quanto para as comunidades que vivem no entorno”, afirmou.
Regularização -A analista ambiental Samyra Neves explicou que o trabalho tem como foco principal identificar e registrar os limites do parque e das propriedades vizinhas, permitindo ajustes necessários nas divisas. “O georreferenciamento ajuda a fixar as linhas de divisão, eliminar conflitos fundiários e integrar a comunidade ao processo de preservação da unidade de conservação, fortalecendo também a memória e o valor histórico que o parque representa para a região”, ressaltou.
O estudo técnico teve início em julho do ano passado, quando a equipe do Núcleo de Geotecnologias do Instituto realizou os primeiros alinhamentos com a GRCNI. Na ocasião, foram discutidas as principais problemáticas relacionadas às divisas e elaboradas propostas iniciais de solução para os desafios identificados na área.
Continuidade -Neste mês de março, os técnicos retornaram à região para ampliar o diálogo com os moradores e apresentar um plano de ação. Foram convocadas seis comunidades localizadas no entorno da área protegida - Aruxi, Maxirazinho, Lages, Paytuna, Santana do Paytuna e Ererê. Cerca de 50 pessoas participaram do primeiro encontro, quando foram apresentados os objetivos do estudo e iniciadas as atividades de cadastro e identificação da situação ambiental e fundiária das famílias.
Durante a semana de trabalho de campo, mais de 100 famílias foram atendidas pela equipe técnica, que realizou o levantamento de documentos e informações sobre cada lote. Após essa etapa inicial, uma nova reunião foi realizada e reuniu mais de 100 pessoas interessadas em acompanhar e contribuir com o processo, demonstrando o engajamento da comunidade na busca por soluções pacíficas e duradouras para a regularização das áreas e para a preservação ambiental.