Os dados mais recentes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) apontam que apenas 5% dos estudantes do 3º ano do Ensino Médio apresentam aprendizado adequado em matemática - uma redução de 4,1 pontos de 2019 a 2023, segundo o Índice de Inclusão Educacional. Nesse cenário, uma startup paraense vem aliando tecnologia ancestral amazônica e moderna no desenvolvimento de produtos educacionais que auxiliam professores e alunos no domínio da matéria.
Residente do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, a Inteceleri Tecnologia para a Educação é uma empresa que tem buscado soluções inovadoras para o processo de ensino-aprendizagem, como o Miriti Board VR e o Matematicando. De acordo com Walter Junior, os gargalos educacionais se devem “à falta de uma base sólida, para que o estudante chegue ao Ensino Médio com o conhecimento solidificado. É preciso, então, que se reconstrua esse alicerce no Ensino Fundamental”.
Como não há inovação sem problema, foi assim que Walter fundou a Inteceleri. “Começamos com uma tecnologia chamada Matematicando, uma metodologia que ensina as quatro operações fundamentais da famosa e temida matemática”, brinca o CEO. “Propomos uma nova forma de aprender as operações básicas usando a cor como gatilho de memória e ativação neurolinguística. Tudo isso dentro de um game, um aplicativo que está na mão do aluno, na mão dos nativos digitais”, completa.
Aprendizado -A aplicação do produto gerou resultados satisfatórios. Segundo o fundador da edtech, hoje a Inteceleri atende cerca de 700 mil alunos em 27 municípios de sete estados brasileiros. “No Ceará, por exemplo, melhoramos a proficiência e o aprendizado em 44%. No Pará, o índice alcançou 24%, tirando o estado da 26ª posição para o 6º lugar no ranking do Ideb, com destaque para Cametá, onde tomamos como registro base”, explicou, referindo-se aos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2024.
Além do Matematicando, a Inteceleri também é responsável pelo Geometa, um metaverso de aprendizagem para que o aluno compreenda a teoria das formas geométricas de maneira prática. “Imagina você poder entrar em uma sala virtual, jogando, e aprender geometria plana para depois passar à descoberta da geometria espacial. Você vai até a França, vê a Torre Eiffel, retorna para a sala e ela se converte em uma forma piramidal. É um ambiente totalmente customizado e seguro, uma trilha que muda a forma de aprender e ensinar”.
Resultados - Társis Elias, estudante do Ensino Médio de Aldeias Altas, no interior do Maranhão, alcançou a maior nota do Brasil no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Aluno da rede pública, Társis fez 980,3 pontos na prova de matemática, um reflexo da política pública implementada com o uso da tecnologia.
A prefeitura do município resolveu atuar nos dois últimos ciclos educacionais para aperfeiçoar o desempenho dos alunos da rede municipal, optando por reorganizar o percurso formativo desde o Ensino Fundamental. A solução é composta por conteúdo paradidático em livros e aplicativos, utiliza imersão em ambientes virtuais e promove a atualização de professores em temas como “Metaverso e Educação” e “Uso de laboratórios maker e plataformas colaborativas”, desenvolvidos pela Inteceleri.
Além do conjunto de ferramentas atrativas para os “nativos digitais”, a proposta foca em acelerar o aprendizado básico. “O trabalho começa pelas operações fundamentais (adição, subtração, multiplicação e divisão), assuntos que normalmente deixam lacunas ao longo da vida escolar. A partir daí, entram materiais que provocam o desenvolvimento do cálculo mental, do raciocínio lógico e do pensamento computacional, em um processo contínuo”, explica Walter.
O percurso que investe em uma base mais estruturada garante resultados a médio e longo prazo. “Precisamos mudar essa história; muita gente acha a matemática difícil ou algo para poucos. Por isso, construímos o projeto Matematicando na Floresta. É uma narrativa em que os personagens mostram às crianças como a disciplina está no cotidiano: a geometria no formato da vitória-régia, a aritmética na contagem das formigas. É uma forma encantadora de ver o mundo”, conclui o pesquisador.