Quando Marilus Nunes chegou à Santa Casa do Pará, em Belém, estava grávida de 32 semanas de seu quarto filho. Ao dar entrada no hospital, ela não imaginava que, até o bebê nascer, teria que ficar durante mais de dois meses em observação, longe dos outros filhos e de sua casa no município de Irituia, há cerca de 170 quilômetros de Belém.
“Eu tive diabetes gestacional e tinha placenta prévia e o colo curto, a qualquer momento poderia sangrar, por isso tinha que ficar na casa da gestante. Por estar muito longe, não quis retornar pra casa com medo de ter um sangramento e não dar tempo de me salvar e salvar o neném também. Os médicos acharam melhor eu ficar pra ser acompanhada por eles. Nesse momento, a casa da gestante foi muito importante pra mim, assim, um lugar bem acolhedor”, conta Marilus, uma das pacientes atendidas na Casa da Gestante, Bebê e Puérpera da Santa Casa, residência provisória de cuidado destinada a gestantes, puérperas e recém-nascidos em situação de vulnerabilidade ou risco.
Construída dentro da área da Santa Casa, a casa faz parte das iniciativas de cuidados materno-infantis chamada de Rede Alyne (antiga Rede Cegonha) do Ministério da Saúde, que visa a redução da mortalidade materna.
“A casa da gestante representa a responsabilidade social da Santa Casa com gestantes puérperas e bebês em situação de vulnerabilidade e se destina a receber estes pacientes com intercorrências clínicas que exigem maior vigilância em saúde, porém sem necessidade de internação hospitalar. O público atendido no setor, em geral, têm dificuldades de se deslocar do domicílio para a referida unidade de saúde, o que pode prejudicar a vigilância adequada”, ressalta Marília Luz, coordenadora da Maternidade da Santa Casa.
Para dar a sensação de acolhimento, o espaço foi planejado com ambientes comuns a uma casa: sala de estar, jantar, cozinha e quartos onde a paciente pode ficar com acompanhante. Tudo muito bem cuidado pela equipe de gestão e assistencial, que além de prestar um atendimento de excelência, transformou o prédio em um verdadeiro lar para as pacientes e acompanhantes.
“A equipe é treinada e especializada no cuidado voltado às gestantes, visando a humanização e o acolhimento a cada mulher que no período de hospedagem tem acesso a consultas médicas, terapia ocupacional, orientação nutricional e odontológica, consultas de enfermagem e atendimento técnico como verificação dos sinais vitais”, afirma a enfermeira Vanessa Vaz, referência técnica da Casa da Gestante.
Em parceria com o setor de humanização da Santa Casa, o espaço deve oferecer ainda este ano oficinas didáticas que vão contribuir com aprendizado e ocupação para as pacientes.
A Casa da Gestante da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará foi inaugurada no dia 6 de setembro de 2022, e até hoje atendeu a 1.121 pacientes, entre grávidas de alto risco, mulheres no período do pós parto (puerpério) e recém-nascidos que precisaram de algum atendimento após o nascimento ou cujas mães ficaram internadas na Santa Casa após o parto.