O vice-prefeito de Xinguara, Amarildo Paulino, apareceu todo animado nesta terça-feira (03) dizendo que foi convidado para disputar as próximas eleições pelo PSD. O convite, segundo ele, veio do deputado federal Junior Ferrari, presidente estadual do partido, com o aval do chefão nacional, Gilberto Kassab.
Detalhe: Amarildo era filiado ao Podemos, partido do senador Zequinha Marinho. Mas, pelo visto, trocar de camisa faz parte do jogo. Antes mesmo de terminar o mandato de vice-prefeito, já está de olho em outro cargo.
E as diárias?
Segundo dados do Portal da Transparência, o vice-prefeito recebeu 4 diárias para viajar a Belém entre os dias 23/02/2026 e 26/02/2026, conforme Nota de Empenho ligada à Portaria nº 0335/2026.
No papel, a viagem era “a serviço”, para tratar de assuntos administrativos.
Só que no dia 23 ele aparece em Belém ao lado de um deputado em Belém. Até aí, tudo dentro do roteiro da capital.
Mas no dia 26 já estava em São Paulo, ao lado de Kassab e Junior Ferrari, tratando de alinhamento partidário e projeto eleitoral.
Então fica a dúvida que qualquer cidadão faz na esquina: era viagem de trabalho ou viagem de campanha?
A lei é clara
A Lei nº 9.504/1997, no artigo 73, proíbe o uso de bens e recursos públicos para beneficiar candidatura ou partido político.
Já a Lei nº 8.429/1992, da Improbidade Administrativa, fala em punição quando há desvio de finalidade no uso de recursos públicos.
Se diárias pagas com dinheiro do contribuinte foram usadas para articulação eleitoral, o problema é sério.
O povo quer entender
O que mais revolta não é só a possível mistura de agenda oficial com agenda política. É ver um vice-prefeito que ainda está no cargo já correndo atrás de outro.
A pergunta é simples
Não terminou o mandato e já quer outro?
O compromisso é com Xinguara ou com o próximo palanque?
E viajar com dinheiro público para articulação política, pode?
Enquanto muita gente aperta o cinto para pagar imposto, cada diária precisa ter justificativa clara e finalidade pública comprovada.
Quem recebeu as diárias é quem deve explicar.
Mostrar agenda.
Mostrar compromissos.
Mostrar que foi trabalho de verdade.
Porque dinheiro público não é bônus de campanha.
Transparência não é luxo. É dever.