PARAUAPEBAS ESCÂNDALO
Secretária de Educação paga a si mesma com royalties e transforma a Semed em símbolo de desperdício e descontrole
Denúncias apontam uso ilegal de recursos da mineração, explosão da folha de pagamento e colapso da política educacional em Parauapebas
27/02/2026 08h09 Atualizada há 2 horas
Por: San Diego Fonte: Notícias De Parauapebas
Reprodução

A gestão da educação em Parauapebas mergulhou em uma crise sem precedentes e passou a simbolizar aquilo que muitos classificam como um dos maiores desmandos administrativos dos últimos anos. Dados oficiais, documentos públicos e revelações jornalísticas mostram que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) não apenas bateu recordes históricos de gastos com pessoal em 2025, como também protagonizou um episódio considerado gravíssimo: o pagamento de vale-alimentação à própria secretária com recursos provenientes dos royalties da mineração.

À frente da pasta, Maura Paulino autorizou despesas que alcançaram a cifra alarmante de R$ 475.449.575,60 apenas com folha de pagamento no ano passado. Esse valor corresponde a cerca de 70% de todo o orçamento consumido pela Semed em 2025, que somou R$ 672 milhões. Na prática, sobraram R$ 196 milhões para custear investimentos, manutenção de escolas, transporte escolar, merenda, material pedagógico e melhorias estruturais — recursos que, até agora, ninguém consegue explicar com clareza onde foram parar.

Enquanto os números explodem no papel, a realidade nas escolas é marcada por dificuldades, serviços reduzidos e constantes reclamações da comunidade escolar. Para tentar esconder o cenário, a gestão aposta pesado em propaganda institucional, criando uma narrativa artificial de normalidade que não se sustenta fora das peças publicitárias.

O ponto mais escandaloso dessa história envolve o uso de recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem). Segundo as informações reveladas, Maura Paulino autorizou o pagamento de vale-alimentação a si mesma por vários meses consecutivos utilizando dinheiro dos royalties da mineração. A prática contraria frontalmente a Lei nº 7.990/1989, que proíbe o uso desses recursos para pagamento de folha salarial, benefícios ou vantagens pessoais.

Trata-se de um possível desvio de finalidade de recursos que deveriam ser aplicados em políticas estruturantes, beneficiando diretamente a população de um município profundamente impactado pela atividade mineradora. O episódio agravou ainda mais a crise de credibilidade da atual gestão da educação.

Os números da Semed impressionam e assustam. Em 2025, a folha da Secretaria de Educação de Parauapebas foi maior que a despesa total com pessoal de 138 das 144 prefeituras do Pará. Apenas seis municípios superaram esse valor: Belém, Parauapebas (considerando toda a prefeitura), Marabá, Santarém, Castanhal e Ananindeua.

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Nem é preciso ir longe para encontrar comparações constrangedoras. Canaã dos Carajás, município vizinho e proporcionalmente mais rico, gastou R$ 467.150.977,06 com a folha de todos os seus servidores — valor inferior ao gasto exclusivo da Semed de Parauapebas. Se fosse um município, a secretaria estaria com o limite de gastos com pessoal completamente estourado, em desacordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O cenário atual expõe uma contradição difícil de ignorar. A mesma secretária que, no passado recente, condenava duramente a gestão anterior por gastos elevados, hoje comanda a administração mais cara da história da educação municipal. Em 2024, a folha da Semed era de R$ 419.780.963,96. Em apenas um ano, houve um aumento de 13,3%, sem que a população perceba qualquer avanço proporcional na qualidade do ensino.

Pelo contrário: o que se observa é o aprofundamento do sucateamento da rede, com redução de serviços essenciais, como o transporte escolar, e crescente insatisfação de pais, alunos e profissionais da educação.

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As contratações dentro da Semed também passaram a ser alvo de duras críticas. Relatos apontam que acordos políticos e apadrinhamentos vêm sendo priorizados em detrimento de critérios técnicos. Casos recentes envolvendo servidores da educação, que ganharam repercussão negativa, evidenciam a fragilidade dos controles internos e a falta de gestão responsável.

O impacto desse modelo recai diretamente sobre as crianças, que enfrentam uma rede cada vez mais fragilizada, com menos serviços e mais improviso.

Todo esse cenário se desenvolve sob a gestão do prefeito Aurelio Goiano, cuja administração já vinha sendo apontada por críticos como um desastre anunciado. A promessa de “reconstruir a educação” deu lugar a um processo acelerado de desgaste institucional, desperdício de dinheiro público e perda de confiança da população.

Hoje, a credibilidade do governo municipal e de sua equipe está em níveis alarmantes. Nem mesmo os defensores mais aguerridos conseguem sustentar o discurso oficial sem recorrer a justificativas frágeis ou ataques a quem questiona. Enquanto isso, a educação pública segue pagando a conta de uma gestão marcada por excessos, contradições e escândalos.

O Portal Parazão Tem de Tudo segue acompanhando de perto cada capítulo dessa crise, reafirmando seu compromisso de informar, fiscalizar e dar voz à população diante de um cenário que transforma a educação — um direito fundamental — em vítima de interesses políticos e administrativos.

 
 
 
 
 
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