Na última sexta-feira, 30, o Diálogo Sustentável (DS), desenvolvido pela equipe do Programa de Educação Ambiental e Sanitária (Peas), integrante do Programa de Saneamento Ambiental, Macrodrenagem e Recuperação de Igarapés e Margens do Rio Parauapebas (Prosap), levou ao bota-fora, localizado no bairro Nova Carajás, uma ação voltada à saúde mental dos trabalhadores, destacando a importância do equilíbrio emocional e do bem-estar na rotina desses profissionais.
Lana Nunes, geóloga e coordenadora do Peas, destaca que o DS vem sendo desenvolvido há dois anos por meio de campanhas de saúde no ambiente de trabalho. “Aproveitamos este primeiro Diálogo Sustentável no bota-fora para integrar a campanha do Janeiro Branco, que aborda um tema extremamente relevante, especialmente diante de pesquisas recentes que apontam o Brasil entre os países mais ansiosos do mundo”, afirmou a coordenadora. Ela acrescenta que a ação também foi uma oportunidade para orientar os trabalhadores sobre a importância do espaço e do correto recebimento dos materiais.
A coordenadora explica que o DS é realizado mensalmente, com duração média de 30 minutos, e acontece, geralmente, antes do início das atividades dos colaboradores. “Nosso fiscal ambiental, que acompanha continuamente as obras, sugere temas ou, muitas vezes, os próprios trabalhadores indicam os assuntos que gostariam que fossem abordados. Já tratamos de nutrição, horta, primeiros socorros, educação ambiental, além de campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul, entre outros”, concluiu Lana Nunes.
O diálogo com os trabalhadores também contou com a participação da estudante do 9º período de Psicologia, Brena Aguiar, que reforçou a importância da saúde mental no ambiente de trabalho. “Quando a mente está bem, todo o corpo responde melhor, assim como nossas relações e o desempenho profissional. Dessa forma, conseguimos executar as tarefas com mais atenção e cuidado, reduzindo riscos. O Janeiro Branco nos convida a reescrever histórias, enxergar novas possibilidades e refletir sobre como podemos transformar nossa vida, acrescentando aspectos positivos”, destacou Brena.
“Sem dúvida, esse momento foi muito importante, porque aqui nós já desenvolvemos esse trabalho, inserindo esses temas e abordando, com frequência, as questões emocionais. Contamos com um público majoritariamente masculino e sabemos que muitos recebem grande pressão para administrar suas famílias e garantir o sustento do lar. Por isso, sempre tivemos esse olhar de acolhimento e apoio, além de ofertarmos plano de saúde para que eles possam buscar ajuda quando necessário”, afirmou Joyce Magno, gerente do bota-fora pelo consórcio Q&R Carajás, empresa terceirizada responsável por gerenciar, operacionalizar e monitorar o local.
Parque Maria Bonita
A ação também contou com a participação da subcoordenadora de Ações Ambientais do Prosap, Alessandra Martins, que apresentou informações sobre o programa de saneamento ambiental e o funcionamento do bota-fora. “Temos um cuidado ambiental e social diferenciado, e todas as nossas atividades são devidamente licenciadas, tanto em nível municipal quanto estadual, além de serem fiscalizadas pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e pelos órgãos competentes. O bota-fora é uma das nossas atividades licenciadas: trata-se de um aterro Classe A que recebe os resíduos das obras executadas pelo programa. Por isso, tudo o que entra e sai do local é rigorosamente controlado”, ressaltou a subcoordenadora.
Alessandra também destacou o recebimento de materiais oriundos da obra do Parque Maria Bonita e solicitou atenção redobrada no manuseio e guarda desse tipo de material. “O Parque Maria Bonita é uma unidade de conservação, e todo material proveniente de lá é de propriedade da Semma [Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade], cabendo a nós a função de fiel depositários. Nossa responsabilidade é trazer esse material para cá e zelar por ele; por isso, peço que tenham um cuidado ainda maior, pois a retirada sem a devida autorização configura crime ambiental e civil”, concluiu.
Janeiro Branco
Movimento social que convida a sociedade a colocar a saúde mental no centro das prioridades, o Janeiro Branco foi criado, ainda, em 2014. Em 2026, o chamado é simples e urgente: cuidar da mente precisa ser um compromisso coletivo.
Com o tema “Paz, Equilíbrio e Saúde Mental”, a campanha de 2026 destacou a necessidade de desacelerar, reorganizar a vida emocional e fortalecer relações mais humanas, considerando que a saúde mental não é um luxo, mas a base para viver melhor. A proposta é reforçada pelo Instituto Janeiro Branco, criado com o propósito de promover a conscientização sobre o tema e transformar vidas por meio de campanhas, conteúdos educativos e incentivo ao cuidado profissional.
Texto: Nara Moura
Fotos: Chico Souza