POLÍTICA #14
Aurélio governa mal, perde votos e entrega o protagonismo político de Parauapebas
Pesquisa Data Populi revela que o desgaste do prefeito não é natural: é consequência direta de erros, conflitos e falta de rumo administrativo
30/12/2025 12h19
Por: San Diego
Montagem/ Portal Parazão Tem de Tudo

Por San Diego
Coluna exclusiva – Portal Parazão Tem de Tudo

A pesquisa Data Populi não expõe apenas números eleitorais. Ela escancara algo mais grave: um governo que erra em série e paga a conta em tempo real. O recado do eleitor de Parauapebas é claro, duro e direto — a paciência acabou antes do esperado.

Aurélio Goiano ainda lidera. Mas lidera por inércia, não por mérito administrativo. E isso, em política, é um sinal de alerta máximo.

Nenhum prefeito perde mais de 15 pontos percentuais em pouco mais de um ano por desgaste natural. Isso acontece quando há ruído permanente, decisões erradas, conflitos desnecessários e incapacidade de construir governabilidade.

O governo Aurélio apostou no enfrentamento constante, no discurso agressivo e na exposição diária de conflitos. Funcionou na campanha. Fracassou na gestão.

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Governar exige método. Aurélio escolheu embate.

Um dos maiores erros do atual governo é a comunicação. Falta clareza, sobra improviso. O prefeito fala muito, explica pouco e entrega menos do que promete.

A narrativa de “ruptura” virou desorganização administrativa. A promessa de eficiência virou instabilidade política. O discurso de combate ao sistema terminou em isolamento.

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O resultado aparece na pesquisa: o eleitor não entende o governo — e quando não entende, desconfia.

Aurélio entrou no governo tratando aliados como adversários e adversários como inimigos. Criou atritos com a Câmara, tensionou relações políticas e apostou na força do cargo como se isso garantisse obediência.

Não garantiu.

Hoje, o prefeito governa com dificuldade de articulação, base instável e pouca capacidade de construir consensos. Erro clássico de quem confunde popularidade eleitoral com autoridade política.

O eleitor de Parauapebas foi seduzido por promessas altas e discurso de mudança imediata. Um ano depois, o que se vê é frustração acelerada.

Quando o discurso é grande demais e a entrega é pequena, o desgaste é inevitável — e rápido. A pesquisa reflete exatamente isso: o eleitor começou a retirar o crédito antes do fim do primeiro mandato.

O empate técnico com Rafael Ribeiro não é detalhe metodológico. É sentença política antecipada.

Um prefeito em primeiro mandato, com máquina na mão, orçamento robusto e visibilidade diária não pode permitir que um adversário cresça apenas observando seus erros. Se isso acontece, o problema não está na oposição — está no governo.

Aurélio não perdeu espaço para Rafael. Entregou.

Rafael Ribeiro não precisou atacar, denunciar ou tensionar. Bastou não errar. Enquanto o prefeito cria conflitos, Rafael oferece previsibilidade. Enquanto o governo improvisa, Rafael transmite estabilidade.

O crescimento de Rafael é o reflexo direto das falhas do Executivo. Ele não constrói sozinho — o governo o constrói.

Darci Lermen saiu do jogo político competitivo, mas Aurélio falhou em ocupar integralmente o espaço deixado. Parte do eleitor rejeitou o passado, mas também não se convenceu pelo presente.

Esse vazio é hoje ocupado por Rafael Ribeiro.

O maior erro do prefeito foi governar como se ainda estivesse em campanha. Ataque permanente, discurso inflamado, pouco diálogo e nenhuma paciência institucional.

A pesquisa Data Populi deixa um alerta inequívoco: se o governo não mudar radicalmente de postura, método e prioridades, o desgaste não vai estancar — vai acelerar.

Em política, quem não corrige rota cedo costuma não ter tempo de corrigir depois.