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Ação da Seap garante emissão de documentos para pessoas LGBTQIAPN+ privadas de liberdade
Promovida pela Coordenação de Ação Social, a iniciativa reforça políticas de inclusão e direitos humanos no sistema prisional do Pará
07/08/2025 18h48
Por: Redação Fonte: Secom Pará

A emissão de 60 documentos - segunda via da certidão de nascimento e da carteira de identidade civil - para 35 pessoas privadas de liberdade, que integram a comunidade LGBTQIAPN+, ocorreu na manhã desta quinta-feira (7), na Unidade de Custódia e Reeducação Santa Izabel VI (UCR Santa Izabel VI), na Região Metropolitana de Belém.

A ausência de documentos é um dos entraves mais recorrentes entre custodiados do sistema penal, principalmente entre a comunidade LGBTQIAPN+. Muitos vivenciam histórias marcadas por exclusão social e múltiplas formas de discriminação, o que dificulta o acesso a serviços e à cidadania.

Segundo Giselly Alves, coordenadora do CAS (Coordenação de Ação Social), a ação carrega um significado importante. “Representa uma ação concreta de cidadania e inclusão social. A necessidade da Seap de promover esse tipo de iniciativa se justifica por diversos fatores: garantia de direitos fundamentais, combate à invisibilidade e discriminação, promoção da dignidade humana e preparação para a reintegração social”, frisou.

Ao promover ações inclusivas, a Seap reafirma seu compromisso com uma política penitenciária baseada na equidade, nos direitos humanos e na promoção da cidadania para todos os públicos sob sua custódia.

Respeito- Para Natalia Bezerra Prazeres, assistente social da UCR Santa Izabel VI, a ação é um passo significativo no combate à discriminação. “Representa um avanço na garantia de direitos e no reconhecimento de uma demanda tão importante apresentada pelas pessoas privadas de liberdade que se autodeclararam com identidade transgênero. A iniciativa representa um avanço na garantia da dignidade e do respeito, apresentando rebatimentos importantíssimos na identidade do ser e em como ele será reconhecido em sociedade”, destacou.

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Por meio da ação executada pela Secretaria, essas pessoas deram um grande passo no reconhecimento de suas identidades na sociedade. Para muitos dos internos, a emissão dos documentos representa não apenas a regularização civil, mas também o reconhecimento de suas identidades.

Ávilla Vinny Rabelo de Souza, 37 anos, contou que a ação consegue fomentar “um sentimento de pertencimento perante uma sociedade. Hoje, ser reconhecida, inclusive para a Seap, sermos chamadas pelos nossos nomes, é muito importante. Mostra que temos direitos”.

A custodiada também destacou que a atuação da Seap é essencial na iniciativa. “A Secretaria está contribuindo dessa forma, também, tirando nossa identidade, nos respeitando como nós somos. Isso é muito bom para nós, para o nosso caráter, para a nossa autoestima, ser reconhecida pelo nosso nome”, concluiu a interna.

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Acesso a políticas públicas- Com o auxílio da Polícia Civil do Pará na emissão dos documentos, a ação integra um conjunto de medidas adotadas pela CAS para garantir direitos fundamentais dentro do sistema prisional, especialmente para grupos em situação de maior vulnerabilidade. O acesso à documentação básica é essencial não apenas para formalizar a identidade civil, mas também para possibilitar o ingresso em políticas públicas de educação, saúde, assistência social e preparação para a reintegração à sociedade.

Entre diversos benefícios da emissão desses documentos para pessoas LGBTQIAPN+ em cárcere, os que mais se destacam são: acesso a direitos e políticas públicas, reconhecimento da identidade de gênero, prevenção à violência e discriminação, facilitação da reintegração social, fortalecimento da autonomia e satisfação emocional.

Texto: Fernanda Ferreira, estagiária, sob supervisão de Fúvio Maurício - NCS/Seap