As medidas adotadas por meio do Governo do Estado para melhoria das boas práticas de manipulação do tradicional produto paraense foram um dos temas da reunião nesta quarta-feira (4), na sede da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). O uso de novas tecnologias existentes no estado ainda não disseminadas para melhoria da qualidade do açaí também foi pauta do encontro.
A reunião ocorreu na Diretoria de Feiras e Mercados (DFM) da Sedap e contou com a participação do diretor Manoel Rendeiro, da equipe da Coordenadoria de Produção Vegetal/Gerência de Fruticultura e da Casa Civil e do pesquisador Hervé Rogez, da Universidade Federal do Pará (UFPa) e diretor geral do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), localizado no Parque Tecnológico do Guamá pertencente à universidade.
Durante o encontro, foi apresentado pelo representante da UFPa, o projeto que detecta por meio de testes rápidos no suco de açaí a possível presença do patógeno Trypanosoma cruzi, agente causador da doença de Chagas. De acordo com Rogez, o teste possibilita que, em no máximo uma hora, saia o resultado da presença ou não do patógeno vivo no produto. A ideia, como explicou, é que a tecnologia seja aplicada nos pontos de venda do açaí.
Capacitação- O diretor de feiras e mercados da Sedap informou que a diretoria vem constantemente buscando práticas e inovações que permitam a garantia de qualidade do açaí vendido ao consumidor.
Após ouvir a apresentação do projeto pelo representante da UFPa, Manoel Rendeiro disse que esse é o caminho. “Soubemos desse projeto e gostamos muito, é um equipamento eficaz que vem dar retorno imediato sobre a qualidade do açaí. Hoje temos que fazer uma coleta e enviar aos laboratórios que demoram até um mês para dar retorno. Vamos encaminhar para arrumarmos recursos e no próximo ano a gente deve implementar essa iniciativa junto com a Vigilância Sanitária, possivelmente”, adiantou Rendeiro.
Ele lembrou que a Sedap, por meio da DFM e da Gerência de Fruticultura, participa do grupo coordenado pelo Ministério Público do Estado com o objetivo de colocar em prática medidas que garantam a qualidade fitossanitária do açaí ao consumidor.
“Nossa diretoria trata justamente dessa ponta, ou seja, da venda ao consumidor, nós temos apenas dois anos de existência, mas já apresentamos retorno para o consumidor, já entregamos mais de1.800 equipamentos e capacitamos em torno de 650 a mil batedores”, enfatizou o diretor.
Qualificação- O gerente de fruticultura da Sedap, engenheiro agrônomo Geraldo Tavares, informou que a tecnologia apresentada pelo representante da UFPa vem ao encontro das ações preconizadas pelo Programa Estadual de Qualidade do Açaí (PEQA), coordenado pela Sedap e que envolve 14 instituições de natureza pública e privada. O programa, como lembrou Tavares, tem por objetivo a introdução de boas práticas em toda a extensão da cadeia produtiva (produção agrícola, transporte, comercialização, fabricação artesanal e industrial) de modo a garantir o padrão de qualidade do produto.
É por meio do programa que foi desenvolvimento o “tanque de branqueamento”, conhecido mais popularmente como branqueador. O protótipo foi validado pelo laboratório da Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A) e credenciado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).
“Esse tema rebate no nosso programa de qualidade do açaí, que visa principalmente o batedor artesanal. É importante principalmente por permitir a agilidade dos testes para detectar a presença do protozoário. Você pode ter os resultados em uma hora e posteriormente poderíamos disponibilizar por meio de aplicativo e sites onde estão localizados os pontos de açaí com boas práticas e estão isentos de patógenos”, observou Tavares.