O percentual de mortes de mulheres por causas ligadas à gestação, parto e puerpério, no Pará, em 2022, foi de 79,7% (por 100 mil nascidos vivos).
No Brasil, a média de mortalidade foi de 57,7%. A região Norte concentra o maior percentual (82%) e no ranking nacional, o estado paraense aparece em 9º lugar. Os dados são do IBGE que divulgou os indicadores sociais das mulheres no Brasil nesta sexta-feira (8).
Além da área da saúde, o estudo ainda apresenta dados nos setores de economia, educação, vida pública e direitos humanos.
Saúde
Ainda na saúde, a proporção de nascimentos assistidos por pessoal de saúde qualificado foi de 97% no Pará, bem próximo da proporção para a região Norte que foi de 97,1%, mas abaixo da média Brasil que foi de 98,7%.
Quanto à taxa de mortalidade, o estudo oferece dados até 2021. Naquele ano, no Pará, a taxa de mortalidade em menores de cinco anos (por mil nascidos vivos) era de 19 para homens e 14,7 para mulheres.
O Brasil apresentava taxa de 14,9 para homens e 12,5 para mulheres. Enquanto a região Norte tinha taxa de 19,8 para homens e 15,5 para mulheres.
Em 2022, das 1.031 meninas mortas com menos de cinco anos:
Na expectativa de vida aos 60 anos (expressa o número médio de anos de vida adicionais esperados para uma pessoa ao completar 60 anos), as mulheres apresentam vantagem em relação aos homens.
Em 2022, no Pará, a expectativa dos homens era de 19,2 anos a mais a partir dos 60, enquanto as mulheres tinham expectativa de viver mais 22,8 anos.
No Brasil, a diferença era de 21 anos para homens contra 24,8 anos para mulheres. Na região Norte, era de 19,4 para homens e 22,8 para mulheres.
A taxa de mortalidade das pessoas de 30 a 69 anos de idade por doenças cardiovasculares, câncer, diabetes ou doenças respiratórias crônicas também é menor para as mulheres. Em 2022, no Pará, foi de 10,9 para elas, enquanto a deles era de 14,7.
Educação
No Brasil, 47,3% dos docentes de nível superior, seja em exercício ou afastados, eram mulheres, em 2022. Na região Norte, as professoras de nível superior eram 48,4% do total.
No Pará, a proporção de mulheres entre docentes (em exercício e afastados) de ensino superior é de 49,8%, totalizando 5.434 professoras (e 5.472 homens professores). Neste quesito, a proporção do Pará para as mulheres superou a média nacional que foi de 47,3% e da região Norte que foi 48,4%.
Tarefas domésticas roubam independência econômica
Os dados do estudo confirmam o que já vem se discutindo após a prova de redação do Enem sobre o trabalho do cuidado. O tempo gasto com afazeres domésticos e o trabalho de cuidar é um desafio para o empoderamento econômico das mulheres brasileiras. Em 2022, elas gastavam quase o dobro do tempo dos homens nestes dois tipos de atividades.
Na região Norte, a divisão ficou em 20,3 horas semanais das mulheres gastas em afazeres domésticos e cuidados com os outros, contra 11,5 horas semanais dos homens nessas mesmas atividades.
No Pará, os homens gastam 11,1 horas semanais, enquanto as mulheres gastam 21,2 horas semanais nas atividades. Além disso, 27% das mulheres com idades entre 15 a 24 anos de idade não estão estudando, nem estão ocupadas e nem em algum treinamento. Enquanto para homens, essa taxa era de apenas 15%.
Em 2022, quando a taxa de desocupação (considera pessoas de 14 anos ou mais de idade) da população total do Pará era de 9,7% e a taxa para a população masculina era de 6,8%, a taxa das mulheres era de 14,2%.
O estudo também avaliou o nível de ocupação de pessoas de 25 a 54 anos de idade nos domicílios com e sem presença de criança de até 6 anos de idade. Nos domicílios paraenses com criança nessa faixa etária, o nível de ocupação dos homens é de 87,2%, enquanto o das mulheres é de 47,4%. Onde não havia criança, a taxa dos homens foi de 82%, contra 58,3% das mulheres.