A Floresta Estadual (Flota) do Trombetas, na região oeste paraense, foi aberta neste domingo (4) para a safra 2024 da castanha-do-pará e do cumaru. Durante cerca de 4 a 6 meses, mais de 600 extrativistas previamente cadastrados junto ao Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), estão autorizados a entrar na Unidade de Conservação (UC) para realizar a atividade.
A iniciativa fortalece a cadeia da bioeconomia, gera renda para centenas de famílias e agrega valor aos produtos oriundos de maneira espontânea da natureza. Vale ressaltar que por ser uma UC de Uso Sustentável, a atividade é permitida na Flota do Trombetas, desde que siga as regras estabelecidas pelo órgão gestor da área.
Ainda no interior da UC, os ouriços são amontoados em áreas abertas da floresta e, em seguida, são quebrados para a extração das castanhas. Em média, cada ouriço contém entre 10 e 20 castanhas, que passam por um processo de secagem antes de serem ensacadas e colocadas à venda.
Uma boa notícia para os extrativistas é o aumento no preço da saca da castanha comercializada neste ano. Em comparação com o valor praticado em 2023, o preço da saca da castanha-do-pará vendida pelo extrativista está maior, sendo de R$ 200,00 contra R$ 144,00. Já nas usinas de beneficiamento do município de Oriximiná, o preço médio da saca gira em torno de R$ 250,00.
A extrativista Raquel Sampaio, está esperançosa para a colheita deste ano. Ela também avalia que os protocolos sanitários e de segurança são indispensáveis para que o trabalho ocorra da melhor forma possível. “Digo com orgulho que viver da floresta vale a pena. Floresta também tem vida, tanto as árvores, como nós extrativistas, indígenas e quilombolas. Todos nós lutamos por um só objetivo: manter a floresta em pé e garantir o sustento das nossas famílias”, ressaltou.
Uma delas foi quanto ao horário de entrada e saída da Flota, a obrigatoriedade na apresentação da carteira de credenciamento, comprovante de vacinação, documento de identificação com foto e o Termo de Compromisso Individual, assinado, comprometendo-se a ficar longe das áreas da Terra Indígena Zo'é. O descumprimento dessas medidas acarretará no afastamento do castanheiro e de sua equipe de trabalho, não sendo mais permitido o retorno.
No entanto, além do extrativismo, a Flota do Trombetas é celeiro para a pesquisa científica. O vice-diretor do Campus Oriximiná da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Vinícius Giglio, conta que a Flota do Trombetas tem sido utilizada para atividades da disciplina de Ecologia de Campo. Os alunos desenvolvem projetos que possibilitem a melhoria da qualidade de vida da comunidade.
“A parceria com o Ideflor-Bio surgiu da necessidade de ter uma infraestrutura para usar na disciplina, que no caso, seria uma área conservada. A Flota do Trombetas possui todos esses aspectos, o que despertou ainda mais o nosso interesse. Outro fator que contribuiu para que trouxéssemos as turmas para cá, é a interação com a comunidade, sempre presente em todas as decisões que são tomadas sobre a UC”, frisou o dirigente.