Aos 17 anos, a estudante Letícia Bastos, surpreendeu o professor e a turma da oficina de Leitura Dramatizada da Fundação Cultural do Pará (FCP).
"Ela chegou extremamente tímida. Foi o pai quem viu o anúncio da oficina e decidiu fazer a matrícula dela, pra ajudar a perder a timidez", conta o professor e criador da oficina, Alexandre Rosendo, que também é ator e diretor cênico.
A atividade nasceu com foco em promover o conhecimento da literatura dramática, potencializar a expressão comunicativa, estimular a interação artística e social, além de trabalhar princípios da leitura em voz alta e busca do autoconhecimento corporal e vocal, como explica o professor Alexandre Rosendo.
"Para mim é incrível, porque é justamente isso, estar com pessoas que estão no início, que nunca tiveram essa oportunidade e que ainda estão começando a pensar em trabalhar a leitura dramática ou leitura dramatizada. Eu fiquei muito orgulhoso no início, porque eu me vi no começo, sabe? E trocar com pessoas que estão começando faz a gente recomeçar também", comentou o artista.
No palco como solista de espetáculos, o cantor Breno Machado, conta que foi a realização de um sonho, dele e da mãe dele. "Minha mãe passava aqui na frente e dizia que eu tinha que entrar para o Carlos Gomes. Não entrei para estudar música, mas aproveitei a oportunidade do projeto. Eu nunca vou me esquecer do processo que foi viver esses personagens. Foi tudo aquilo que eu sonhava em um processo artísticos de canto. Era a minha identidade polida em forma de arte. Foram performances autorais diferentes. Foi a realização de um projeto pessoal", relembra o aluno do projeto.
O Ópera Estúdio é um projeto de extensão da Fundação Carlos Gomes, que está aberto à comunidade, que oferece formação musical às pessoas com interesse em atuar profissionalmente em montagens de ópera e de teatro musical. Em um ano, os alunos participam das aulas que ocorrem no instituto e também participam de montagens e apresentações musicais como forma de por em prática as técnicas que foram ensinadas.
Democratização da arte –O projeto é gratuito e aberto ao público de 18 anos. As inscrições são gratuitas e feitas pelo site da Fundação Carlos Gomes, sempre no início do ano. "Esse ano, a gente não vai fazer uma audição, a gente vai acolher todo mundo que se inscrever, justamente para que a gente possa fomentar o processo de produções de ópera em Belém", ressaltou Pedro Messias.