Diagnosticada com paralisia cerebral, Vânia da Silva, 11 anos, usuária do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), mantém a fé inabalável em Nossa Senhora de Nazaré. Na manhã deste sábado (21) ela estava entre as milhares de pessoas que acompanharam a Imagem Peregrina na primeira Romaria da Acessibilidade, com um trajeto mais curso e adaptações para atender pessoas com deficiências.
A relação da menina com a Santa Padroeira do Pará é contada por sua mãe e acompanhante, Maria Lice, 45 anos. “A aproximação a Nossa Senhora de Nazaré iniciou aos 5 anos de idade. Minha filha disse a mim ter visto a ‘Nazinha’ dizendo a ela que andaria. Depois de alguns dias, conseguiu sentar pela primeira vez na cama. Antes desta 'visão', ela não conseguia. Hoje, a Vânia come sozinha. Anda com a ajuda de aparelhos durante as terapias, mas queremos vê-la andando com independência. Será uma mistura de fé e suporte da equipe multiprofissional que a acompanha. Aos poucos, ela se desenvolve. É por isso que estamos aqui para interceder pelo caminhar da Vânia. Há 11 anos sou evangélica, mas estou aqui participando porque a fé não tem religião que defina. A minha filha quis vir, e eu disse que sim”, relata Maria Lice, com toda a carga de emoção que a história carrega.
Primeira romaria – entre as 14 da Festividade – dedicada a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, o evento ganhou a adesão do CIIR, junto com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). De acordo com a diretora Executiva do Centro Integrado, Rejane Xavier, a instituição apoia a inclusão religiosa. “Foi um momento muito especial de confraternização, fé e amor ao próximo. Isso é acolhimento; é humanização. Afinal, a fé reside no respeito às diferenças. Foi uma procissão inclusiva para todos os devotos da padroeira dos paraenses”, disse a gestora.
“Faltava esse olhar de acessibilidade no Círio. Por meio da fé, todos nós conseguimos sonhos e objetivos, além de agradecer. No tradicional Círio, no segundo domingo, eu não consigo trazê-la. Até no Círio das Crianças está com um público grande e inacessível para mobilidade, pois a Mariana é usuária de cadeira de rodas. Agora, a Romaria da Acessibilidade é um espaço novo e direcionado para que pessoas com deficiência participem do Círio. É inclusão. Toda a minha família veio participar junto com a Mariana. Estou grata por darem essa oportunidade às PcDs”, ressaltou Mayara Martins.
Milagre da vida– É tradição nas romarias da Festividade de Nazaré vestir as crianças de anjos, levar objetos de cera ou cerâmicas que simbolizam interseções ou agradecimentos. Durante a Romaria da Acessibilidade não foi diferente. Mariana, por exemplo, foi vestida de anjo e segurando uma imagem da padroeira. Segundo a mãe, a vestimenta simboliza que a menina, diagnosticada com microcefalia e paralisia cerebral, é um milagre da vida.
“Esta imagem de Nossa Senhora que ela está segurando ganhou de uma pessoa quando estávamos passando pela rua. Simplesmente, uma moça avistou a Mariana, nos chamou e a entregou. Não nos conhecíamos. Eu digo que a minha filha é um anjo que entrou na minha vida e da família para nos ensinar. Quando nasceu, ficou na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por dias, e a obstetra disse que ela foi um milagre por seu diagnóstico. E pelas cirurgias que já realizou. Toda a família está aqui pela vida da Mariana. Todo dia agradecemos por tê-la. Agora, tenho uma procissão que posso participar com a minha filha e, assim, sermos incluídas em procissões oficiais do Círio”, reiterou Mayara.
Serviço: O CIIR é um órgão do Governo do Pará administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). O Centro funciona na Rodovia Arthur Bernardes, n° 1.000, em Belém. Mais informações: (91) 4042-2157/58/59.