No Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, localizado em Belém, especialistas se dedicam à identificação e certificação de pedras preciosas para quem procura por esse tipo de serviço, oferecido no espaço desde 2019. Treinamentos para profissionais que trabalhem com joias também são parte das atividades no local.
“A certificação se torna a parte prática: você tem uma joia que está na família há muito tempo, e quer saber se aquilo é uma pedra natural ou não, então você faz essa certificação. Imagina que a joia some, você paga seguro, então o seguro vai exigir que você tenha esse documento porque se a joia for recuperada, vai provar que era sua através desse documento”, explica Rejane Amaral, especialista em gemologia e sócia da empresa Upcy.
O trabalho é realizado por meio de técnicas que analisam aspectos químicos e físicos presentes nas gemas, pedras preciosas retiradas de rochas e lapidadas. A atividade minuciosa envolve conhecimento científico, e a utilização de equipamentos que ajudam na identificação de características. Microscópio, luz ultravioleta, espectrômetro, medidores de corrente elétrica, de calor e de refração estão entre os equipamentos usados pela empresa.
Amaral destaca a importância de sediar o empreendimento em um ambiente que reúne negócios em ciência e tecnologia.
Novidades com o artesanato mineral- Com a pandemia da Covid-19, a empresa desenvolveu alternativas ao trabalho já oferecido, e agora, além da certificação, pretende desenvolver joias a partir do reaproveitamento de rejeitos, restos de rochas.
“O sul do Pará é rico, a geologia de lá é diferente, abundante em quartzo, por exemplo, que é uma gema que deveríamos explorar melhor, inclusive recuperando áreas de mineração ambientalmente degradadas. Esse material abundante é levado para fora do nosso estado, vendido, utilizado em outros estados e países, mas não utilizado pela gente na escala que deveria ser. Estamos desperdiçando muita coisa, então, estamos fazendo um projeto piloto, avaliando para ver a aceitação do público”, reforça.
PCT Guamá- O PCT Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet), que conta com a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá.
É o primeiro parque tecnológico a entrar em operação na região Norte do Brasil e tem como principal objetivo estimular a pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável.
Situado em uma área de 72 hectares entre os campi das duas universidades, o PCT Guamá conta com mais de 40 empresas residentes (instaladas fisicamente no parque), mais de 60 associados (vinculadas ao parque, mas não fisicamente instaladas), 12 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (Eetepa) Dr. Celso Malcher, além de atuar como referência para o Centro de Inovação Aces Tapajós (Ciat), em Santarém, oeste do estado.
É membro ainda da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e da Associação Internacional de Parques de Ciência e Áreas de Inovação (Iasp).